No início de um novo ano, é costume desejarmos um Bom Ano Novo aos nossos amigos e conhecidos.
É o que venho fazer hoje:
Desejar-Vos a todos, sem excepção, que o ano de 2010 seja bem melhor do que o agora vai terminar.
Dirijo-me efectivamente a todos os munícipes do nosso concelho, a todos mesmo, sem qualquer excepção.
Gostaria, contudo, de destacar dois conjuntos de destinatários especiais, destes meus Votos:
Em primeiro lugar, dirijo-me a todos os que escrevem, comentam e colaboram neste espaço, e, de uma forma especial aos seus comentadores anónimos.
Quero agradecer-lhes, sinceramente, as suas palavras, que me têm feito considerar e questionar as ideias, que aqui venho expondo.
Não critico minimamente a sua “clandestinidade”, enquanto comentadores anónimos”, mas gostaria de lhes pedir que considerassem passar a assinar os seus comentários, assumindo, publicamente, a autoria das suas intervenções.
Penso que esse comportamento daria mais força às suas ideias, e aos seus argumentos, permitindo, e possibilitando, em muitos casos, uma frutuosa troca de impressões.
É uma ideia, que aqui Vos deixo expressa, e que julgo poder vir a valorizar o discurso político, tornando-o mais adulto, mais maduro e mais responsável.
Mas o outro grupo especial de destinatários, desta mensagem de Ano Novo, é constituído por cerca de metade dos eleitores do nosso concelho.
Exactamente aqueles que não votaram nas últimas eleições autárquicas.
E que não votaram, possivelmente pelo facto de haverem, há muito, desacreditado e perdido a esperança.
Desacreditado em consequência do desencanto provocado pelos políticos e pela sempre nociva “partidarite”.
É a esses que me dirijo, duma forma muito especial, neste fim de ano.
Para os convidar a regressar, para lhes pedir que voltem a acreditar, para que compreendam que é muito importante a sua presença, como colaboradores activos na administração do nosso concelho.
Não é verdade que a política autárquica tenha que ser, fatalmente, uma luta política de pessoas “enfeudadas” a partidos políticos, defendendo fielmente os “catecismos” de cada um deles, sem qualquer hipótese de discussão.
A política autárquica necessita de todos os que estão interessados na gestão correcta dos assuntos da nossa terra.
Todas as ideias são importantes, todos têm um lugar certo e indispensável na administração do nosso concelho.
Não tenhais medo de gritar, bem alto, as Vossas opiniões, ainda que as mesmas possam vir a ser questionadas e discutidas.
Não é possível queixarmo-nos dos “políticos de profissão” se abrirmos mão da nossa colaboração, e lhes dermos todo o espaço (mesmo o que nos pertence) para que actuem sozinhos.
A política autárquica é transversal.
A esquerda e a direita têm, ambas, ideias boas, que deverão ser aproveitadas e prosseguidas.
Como têm propostas erróneas, de que nos devemos afastar.
Não é verdade que tudo o que a direita defende esteja errado, como nem que tudo o que a esquerda aponta seja correcto.
Não estamos enfeudados a ninguém, em termos de política autárquica.
Queremos aproveitar tudo o que de bom há em todas as propostas, e nesse aspecto a filosofia partidária é de grande importância.
Mas queremos, também, rejeitar tudo o que de menos correcto e aceitável, existe, também, em todas elas.
Não somos de nenhuma cor política, somos da cor dos interesses da nossa terra, que variam conforme as situações e as opiniões, formando como que um arco-íris multicolor, que bebe, e se inspira, em tudo o que de bom existe em todas as fontes filosófico/partidárias.
Queremos, nós, os cidadãos da nossa autarquia, que constituímos o seu eleitorado, colaborar com o Executivo e com os demais Órgãos Autárquicos, na gestão do espaço onde vivemos.
Atermo-nos a um partido, ou a uma só cor, é estreitarmos os horizontes da nossa visão e, consequentemente, a nossa capacidade de decisão.
Não aceitemos tal facto.
Olhemos com bonomia colaborante para aqueles que elegemos, para o governo do nosso concelho, e apoiemo-los com a nossa opinião, traduzida em aplausos ou contestação, conforme for o caso.
Não cometamos nunca a deslealdade de apoiar o que não merece apoio, ou de contestar o que merece ser apoiado.
Os nossos órgãos autárquicos esperam de nós uma enorme seriedade, que se traduza na honestidade das nossas opiniões.
E têm todo o direito a isso.
Os “profissionais da política” ou “politiqueiros” que se digladiem entre si, sem que nos deixemos utilizar por eles.
Não temos porque fazer “favores” ou “concessões” a ninguém.
Sejamos “apenas” nós, e neste “nós” cabem todos os cidadãos anónimos, eleitores deste concelho.
Queremos analisar cada decisão tomada, e poder, livremente, aplaudi-la ou contestá-la, conforme entendermos que estão, ou não, protegidos os interesses dos munícipes.
Tomaremos posição livre, séria e consciente acerca de cada intenção, acerca de cada projecto, acerca de cada decisão.
Queremos colaborar no processo de decisão, dizendo o que pensamos sobre cada assunto, e queremos que a nossa opinião seja ouvida e tida em conta, nas decisões, que vierem a ser tomadas.
É um posicionamento novo, de gente isenta, séria, não enfeudada, não alinhada, que pugna pelos interesses da sua terra.
Regressemos todos, sem excepção, ao exercício da cidadania, à política autárquica da nossa terra, tomando posição criteriosa sobre tudo e sobre todos.
Não entreguemos nas mãos de outrem, o exercício dos nossos direitos.
Não percamos a esperança. Não desistamos. O nosso concelho precisa de todos nós.
O peso da nossa opinião séria, justa e honesta, é importantíssimo para quem governa.
O Bom Ano Novo para todos.
Jorge Leitão