Quarta-feira, Julho 28, 2010

A velha questão dos horários do comércio e serviços - o comentário


Em relação ao facto dos consumidores não conseguirem compatibilizar os seus horários com os horários do comércio tradicional, tal ocorre porque os portugueses têm horários desajustados dos horários europeus. As empresas, as universidades e os serviços públicos deveriam abrir sempre às 8 horas, dar apenas uma hora de almoço e fechar às 15 horas ou às 16 horas. Assim, os trabalhadores ainda tinham 3 horas até às 19 horas para ir às compras, passear, estar com os filhos, etc. Nalgumas universidades, entra-se às duas e sai-se às 20 horas, para no dia seguinte se entrar às oito e meia, é uma desorganização vergonhosa. Nas câmaras, os serviços abrem às 9 horas, quando deveriam abrir às oito. O mesmo em muitas empresas. Estes pequenos pormenores mostram o quanto estamos afastados da Europa. Portugal tem um grave problema de desorganização, que alastra pelo sector público e privado.
Luís

24 comentários:

Anónimo disse...

Luis, é muito bonito isso mas não podemos ajustar os nossos horários aos outros paises da Europa mas em função do Sol, não te esqueças que essas lojas que queres ir depois do jantar teriam de ter funcionários que entrariam ás 8h e só iam fechar ás 22h para que tu podesses ir passear mas fica caro ao patrão e o funcionário não podia fazer o que tu queres, estar com os filhos ;)
Não olhes só para o umbigo!

Luís disse...

Caro anónimo, não percebeu nada do que eu escrevi. O que eu defendo é que as empresas, as autarquias, os ministérios, as universidades e as escolas comecem a funcionar às oito, tenham uma hora de almoço do meio-dia à uma e fechem às 15 horas ou às 16 horas, mas que o comércio abra às 9 ou às 10 horas e feche às 19 horas. É mais ou menos assim que se trabalha em Londres, Milão ou Copenhaga. Depois do trabalho, as pessoas vão para as esplanadas e para as baixas comerciais passar o resto da tarde, almoçam às 19 ou às 20 e deitam-se cedo. E deixe lá estar o sol, no Norte da Europa, no final da Primavera e no Verão, os dias são maiores que por cá e eles não jantam à meia-noite. E o Domingo, não é para trabalhar, mas sim para ir passear no campo, estar com a família, dedicar tempo ao hobby favorito...

Anónimo disse...

Este assunto é particularmente interessante. Quando perguntam ao pessoal se quer os hipers abertos ao Domingo, mais de 90% diz que sim. Se perguntarem a seguir se está disponivel para trabalhar ao Domingo, não me parece que a percentagem seja tão elevada... Por mim, ao Domingo só abria o essencial para que (quase) todos possam estar com a família ou fazerem o que quiserem. Para fazer compras está quase tudo aberto até às 22:00 ou mesmo 00:00. Quanto ao começar às 8 e fechar às 15 não me parece que funcione em Portugal. Pode ser que esteja enganado.

Anónimo disse...

tudo fechado ao Domingo! vão ver os filhos a competir vão à pesca à missa, joguem petanca, tudo menos a escravatização do grande capital.

Anónimo disse...

hum?

Enquanto não deixarmos de achar que o que achamos bom pra nós é que é bom para os outros, como sociedade nunca chegaremos a lugar nenhum.

E também acho que a comparação com os povos do norte da europa é justa, nós até somos todos "loirinhos" de olhos azuis...

Ao domingo por ex, os hospitais, postos de combustivel, serviços de segurança, etc deviam todos fechar, e depois iamos todos para a rua de st antonio tocar flauta com o nosso cão pela trela.

Anónimo disse...

Estão todos disponiveis para trabalhar ao domingo,desde que paguem.Salvo erro teem direito a um dia de descanso suplementar e o dia é pago em horas a 100%.
Agora se disser que ninguem cumpre essas leis,ninguem paga,e quem for se queixar ao ministerio do trabalho acabam por lhe responder dizendo"Tem que ter paciencia,nós já sabemos mas não podemos fazer nada...".
Só neste país,e talvez na nigeria mas duvido...

Anónimo disse...

Porque é que as discotecas em Faro estão fechadas ao Sábado?

Anónimo disse...

Concordo com o Luis Alexandre no sentido em que se podia começar a trabalhar mais cedo e sair do trabalho também mais cedo. Não prejudicaria ninguém e sem dúvida que nos restaria mais tempo para fazer compras, passear e aproveitar o belo sol que por aqui temos.

Luís disse...

Ao anónimo das 8h04.


É óbvio que ao Domingo os serviços de urgência, as farmácias de serviço, parte da restauração, os museus, os monumentos ou as bombas de combustível deverão funcionar.

Refiro-me ao encerramento das empresas, do comércio, dos centros comerciais e dos organismos públicos.

É difícil perceber? Será que o senhor não tem sensatez e inteligência suficiente para apreender as ideias expostas no meu comentário? Será tão difícil perceber? Ou veio aqui comentar apenas para se fazer ouvir e lançar o rasgo de maledicência do dizer mal das opiniões dos outros porque «sim», tão típico de muitos portugueses?

Quanto à comparação com as sociedades nórdicas, sabe sempre bem exigir que tenhamos a sua qualidade de vida, o seu nível de desenvolvimento e de riqueza, mas na hora de copiar os seus hábitos de vida, as suas leis ou os seus hábitos de trabalho os portugueses já vociferam, já criticam, já lançam argumentos desprovidos de Razão. Não percebem que para termos um IDH igual à Suécia ou à Dinamarca temos de mudar de vida? Ou querem que Portugal continue eternamente no fim da lista da Europa Continental? Sabiam que segundo o Figaro, somos o país mais pobre da antiga Europa a 15, e estamos muito longe da Grécia ou da Espanha?

Qual o objectivo da maioria da população ter o mesmo dia de descanso? A família. Assim, é mais fácil que todos os membros se possam reunir e passar o dia juntos. É uma questão de respeito pela dignidade e pela qualidade de vida. Não aceitar isto e enveredar pelo actual caminho é um retrocesso civilizacional.

Os portugueses aceitaram de braços abertos esta medida por comodismo e devido à falácia do emprego. Pergunto-vos: será que outros países europeus com mais riqueza, desenvolvimento humano e com menos dívida pública e privada precisaram de ter tanto espaço comercial e abrir o comércio ao Domingo para chegarem onde chegaram?

Anónimo disse...

10:35, Luis Alexandre??? esse já começa a colher os louros por tanto escrever aqui, e o Defesa de Faro dá-lhe abrigo, isso é que é preocupante.

Anónimo disse...

se os portugueses não conseguem chegar ás 9h para trabalhar, acham que conseguem chegar ás 8h, vão haver mil desculpas, aconteceu isto e aquilo ao filho na hora de sair de casa, o transito assim e assado, mas para sair as 15h ou 16h todos saiam na hora exacta.
Enquanto nós portugueses não aprendermos a ser responsáveis isso não vai funcionar.

Anónimo disse...

Porquê que não pedem aos Bancos para abrirem ao Sábado e Domingo ?
Não dava jeito ?

Pires

Anónimo disse...

11.15,praticamente já estão abertos na internet ou por telefone.
Na europa começam a trabalhar mais cedo e saem muito mais cedo.Teem a diferença horaria(nos temos mais uma hora para que as crianças não se levantem tão cedo) mas nos outros paises estão habituados a começar,não ás 8 como se diz aqui,mas ás sete.E é engraçado que lá as crianças levantam-se sem nenhum problema,só em portugal é que é quase um crime(ou crime mesmo depende de quem acusa e de quem julga).
Meia duzia de "iluminados" fazem estas leis e depois dá nisto.

Anónimo disse...

"E o Domingo, não é para trabalhar, mas sim para ir passear no campo, estar com a família, dedicar tempo ao hobby favorito..."

Isso é na Europa civilizada, onde há espaços verdes para as pessoas conviverem, para as crianças brincarem, para se andar de bicicleta.

Aqui é só cimento e automóveis de luxo, para ostentar ainda mais a estupidez que é Portugal.

Anónimo disse...

Idealistas e treinadores de bancada é do que há mais em Portugal.

Segundo esta teoria, teriamos cidadãos de primeira e de segunda, quem tivesse o "azar" de exercer uma profissão que assegurasse serviços criticos, teria de se aguentar à bomboca, os outros, os priviligeados já podiam fazer aquilo que os outros acham melhor para eles.

Continuo a insistir, enquanto as pessoas acharem que têm que decidir sobre a vida dos outros, como sociedade não chegaremos longe, metam-se nas vossas vidas, gente mesquinha.

Se há quem gosta de ir ao shopping ao domingo que raio tenho eu de opinar sobre isso?
Eu faço desporto, vou à praia, mas não é por isso que me acho superior ou acho que os outros têm de seguir as minhas ideias.
Já agora, restauração não se insere no comério? Então e se fossem apenas os restaurantes no shopping abertos ao domingo? Já podia?

E quem não tem familia? E quem não vai à igreja?

Você fala muito da "europa evoluida", eu não sei qual é a europa que conhece, mas não deve ser a mesma que a minha, vá a Londres, Barcelona, Berlin, venda-lhes as suas teorias a ver a rapidez com que é corrido.

Anónimo disse...

A liberalização dos horários do comércio, é mais uma faceta da sociedade consumista.
Vivemos para consumir o que precisamos e o que não precisamos, em qualquer dia e em qualquer hora. Atrás disto, a flexibilidade dos horários de trabalho, o trabalho por turnos e o trabalho parcial, faz parte do mesmo pacote, não se pode ter uma coisa sem outra.
Colectivamente aplaudimos esta liberalização e somos contra qualquer limitação à liberdade de comprar onde e quando quisermos.
Invidualmente, adoptaremos, ou não, uma atitude consumista mais regrada, e repudiamos o " shopping experience" como comportamento fútil e pouco esclarecido.
Recordo-me uma vez que fui ao Luxemburgo e perguntei porque é que o Centro Comercial (apenas 1 digno desse nome na altura) fechava às 18 horas e estava encerrado aos fins de semana. Explicaram-me que "era para conter o consumo e incentivar a poupança".
Que "toliçe" a desses Luxemburgueses!

Anónimo disse...

e ainda bem que somos desorganizados senão já estaríamos mais acarneirados ainda, como o resto da europa.

Anónimo disse...

A maior parte da malta que entende que os outros devem trabalhar ao Domingo não responderia do mesmo modo se se tratasse do seu trabalho. O domingo é para a família.
Só se justifica que trabalhem ao domingo serviços fundamentais: saúde, socorros, transportes, piquetes de assistência a serviços tais como abastecimento de água, electricidade.

Eurico Duarte disse...

Eu não quero estar com a família e gosto de trabalhar ao domingo. porque não devo fazê-lo, aproveitando para ganhar a dobrar (se for empregado) ou lucrar com as oportunidades de negócio que esse dia tem (se for empresário)?

Adoro passear em supermercados. porque não o devo poder fazer quando tenho tempo - precisamente aos domingos - e devo antes ir correr bucolicamente pelos campos? Porque me deve ser negada a satisfação do meu ímpeto consumista de escravo do capital?

já chega de querermos ser sempre paizinhos uns dos outros. e os argumentos de que na Europa-é-que-é-bom, já saturam um bocado...

Anónimo disse...

Mas se as pessoas tiverem o domingo livre podem ir passear a outras cidades...ou não?

Anónimo disse...

Na Holanda os horários são esses, e os empregados que não trabalham no comércio chegam a entrar ás 6/7 da manhã.
A mudança para um horário desses, significaria uma melhor qualidade de vida para todos, mas como o português gosta de ser do contra, tal mudança na sociedade não ocorrerá assim tão cedo.
porquê? Porque não.

A não ser que o Macário dê um murro na mesa.

Luís disse...

Caro Eurico Duarte,

as comparações com o resto da Europa saturam? Claro, nós somos aquele país da velha tradição do «orgulhosamente sós». Serviu para manter as colónias quando os outros descolonizavam, serve agora para manter um estilo de vida incomportável e desumano; estar na Europa não significa apenas receber subsídios e ter o euro, mas também viver como os europeus para produzir como os europeus e ter o mesmo desenvolvimento social e económico que a restante Europa Média e Europa do Norte. E que temos? Uma sociedade civil inculta, anestesiada, arrogante, com ares de novo-riquismo. Uma elite política com tiques de merceeiro vigarista, corja nascida e criada em alcovas de sopeiras e afins, deslumbrada ao chegar à capital, que na ânsia de imitar o estilo de vida que via nos bairros da alta vendeu-se a todo o género de interesses, gente que seria uma nulidade numa sociedade civil aberta e competitiva, mas que encontrou no caldo cultural português as regras para subir sem muito fazer por tal. Querem Europa? Podereis continuar a querer, mas por ora, tereis Magreb.

Luís disse...

Anónimo das 9h47.

Argumentação fraca, a sua. Ora segundo as suas ideias, poderíamos começar por abolir o uso do cinto de segurança, ou a escolaridade obrigatória, ou ainda os programas escolares. Que direito tem o Estado de decidir se eu me protejo ou não? Que direito tem o Estado de obrigar os meus filhos menores a frequentar uma escola? E não devo ter o direito de ensinar os meus filhos à minha maneira? Caramba, quando é que param de se meter nas nossas vidas e decidir por nós!

Quanto aos exemplos de cidades europeias que deu, estou em crer que as desconhece, melhor, nunca lá pôs os pés. Londres, por exemplo, conheço como as palmas das minhas mãos: tem o comércio fechado ao Domingo, entra-se no trabalho bem cedo e sai-se às 15 ou às 16 horas, às 18 horas vai-se ao pub, janta-se antes das 20 horas, e quase nenhuma discoteca está aberta depois das 2 horas.

Anónimo disse...

Você tem toda a razão, a minha argumentação peca por fraca. Claro que o facto de usar cinto ou não, frequentar o ensino ou não, tem tudo a ver com os dias ou horas a que vou às compras, ou a que dias e que horas quero trabalhar (sim, quero, pq ng tem uma pistola apontada à cabeça pra aceitar trabalho).

Se conhece Londres como as palmas das suas mãos, se calhar não olha pra elas há bastante tempo, de qualquer forma "quase nenhuma" até pode ser bastante.

Já agora, você quer mesmo conhecer a cultura da noite de Londres? Dos melhores clubes do mundo?
Ou de Barcelona?
Posso-lhe dar umas dicas!
Ah, claro que não! Isso é coisa de vadios que não vão à missa ao domingo!