Quarta-feira, Julho 28, 2010

A vitória de uns e a hipocrisia de outros

A luta da APED à volta dos horários de abertura total ao fim-de-semana e feriados, teve o fim esperado, promulgado em lei na semana passada e despoletou o habitual arrazoado das carpideiras.
A APED, traçou uma estratégia para uma luta que sabia à partida ser prolongada e para a qual tinha de conquistar a assinatura dos políticos, o adormecimento da opinião pública e a diluição da contestação ténue e formal das associações do comércio.
No decurso dos anos passados, entre a abordagem e a confirmação, fecharam milhares de pequenas e médias empresas, limpando o mercado a cobrir e a carteira de sócios das associações, aliviando o peso social e político da inércia dos seus dirigentes.

Entre o trabalho de uns e o deixa andar de outros, fica exactamente o espaço de conluio que permitiu o preto no branco, onde nada foi feito pelas associações para além das teatrais declarações formais que assumem maior pompa necrológica diante do facto consumado.
Cabem neste contexto, a nível nacional a Confederação Geral do Comércio, curiosamente dirigida pelo insolvente algarvio Dr. José António, presidente da ALICOOP e ALISUPER e, a nível local, a não menos falida, pelo menos social e politicamente, ACRAL.

A APED fixou os seus objectivos e fez o que lhe competia para os concretizar, levando a efeito iniciativas de carácter vincadamente político nas sedes próprias, bem como inquéritos à boca das caixas de saída onde o público, sem constrangimentos, respondia afirmativa e maioritariamente no sentido do apoio à abertura sem limites.

A leitura da realidade, face à incapacidade das associações em se moverem na pressão e na mobilização das suas forças à volta da justiça dos seus argumentos, levou ao desfecho sem luta.
A agonia do mercado das pequenas e micro empresas que polvilham o Algarve, que vão desde o excesso de grandes superfícies ao simples problema dos custos dos abastecimentos e mercadorias, dos custos do dinheiro para investimentos ao peso dos impostos, da perda de liquidez das famílias envolvidas no desemprego e precariedade no trabalho aos custos da sazonalidade e dos contratos a prazo, há muito que relativizaram a questão da abertura dos hipermercados aos domingos e feriados.

Os problemas graves citados que não tiveram respostas associativas, como se não os conhecessem, diminuíram o problema da conseguida abertura política para o sucesso dos associados da APED. Mais uma vez, as centenas ganharam aos milhares e porquê?
Perante mais uma derrota para o médio, pequeno e micro comércio, que as direcções das associações têm de assumir como sua e das quais, no actual contexto, não há nada a esperar a não ser ladaínhas, a vigência de lei e os argumentos usados pela APED, de criação de muitos milhares de postos de trabalho, têm que entrar nas exigências de fiscalização das entidades oficiais.

É claro que estes factos em Portugal, onde o mercado da grande distribuição ainda tem margem de crescimento, obedecem a uma estratégia de limpeza e ocupação dos espaços e deixa as grandes companhias em boa posição para quando as novas tendências e técnicas exigirem outro tipo de organização e intervenção.

Afinal, se olharmos para o quadro político que tomou a decisão em tempo estival e quando a população em geral está ainda sem reacção ao estado de choque dos problemas mais gerais que lhe criaram, veremos que ele se estende pelas associações adentro, pelo que a hipocrisia é a única resposta.

Luis Alexandre

25 comentários:

Anónimo disse...

Parece-me que fosse muito fala e pouco faz...pelo menos é o que se diz por Albufeira.

Anónimo disse...

O que fez a Associação de Rua de Albufeira presidida pelo escriba deste post, para contrariar tal situação que critica ?
Critica o escriba o "insolvente algarvio Dr. José António", o homem já não é presidente da Confederação há muito tempo, e por outro lado, será que o caro escriba ainda não faliu nenhuma empresa ???

Cuidado com os telhados de vidro!

Eurico Duarte disse...

Ao menos que esses abram ao fim de semana e ao final dos dias de semana que é quando uma pessoa tem tempo para passear! não é como os pequenos comerciantes, que assim que sentem que as pessoas vão sair à rua, fecham logo as portas, não vão entrar clientes.... depois queixem-se.

Uma pessoa para fazer compras no comércio tradicional tem sempre que pedir o favorzinho ao patrão (e nem todos deixam) - "ai, peço desculpa, mas será que dá para sair um bocadinho mais cedo? é que tenho que ir ali à lojinha antes que feche".

Anónimo disse...

O Luís Alexandre tem a virtude de colocar o dedo na ferida de muitos assuntos que para alguns seria bem mais conveniente que ficassem "abafados".
Muito bem Luís, continue que vou lendo e acompanhando com muito interesse os seus posts aqui no ADF.
JG

Anónimo disse...

"...O Algarve é a região do país com a maior taxa de metros quadrados por mil habitantes..." comunicado da acral.
Mas quando é que a Acral de uma vez por todas apresenta números concretos e acaba com as generalizações.Cheira tudo a amadorismo.

Anónimo disse...

Concordo com a decisão.
Que faz mal ao comercio local é uma falsa questão.
Vamos ver se é desta que os pequenos e médios comerciantes mudam de atitude.
Um farense

Anónimo disse...

É mais que evidente que os consumidores preferem as lojas abertas 24 por dia/7 dias da semana !

Devia haver uma benesse para as lojas de rua, que suportam rendas, empregados e taxas camarárias que as grandes superficies não pagam, porque quando negoceiam com as câmaras, isso fica logo decidido!

Eu não me preocupa que o povo prefira ou escolha o que me preocupa é que a generalidade da população de todas as idades e de todas áreas de conhecimento não perceba que os governantes são umas marionetas que decidem no sentido de proteger os coaglomerados multinacionais e são portanto uns traidores do seu povo.

Com isto tornam as pessoas meros zombies que vão trabalhar para as caixas dos supermercados e que ficam com a vida toda fu... .
Os produtos são distribuidos directamente do fabricante para o consumidor sem intermediários, em todos os sectores e em todos os produtos!

Pires

Anónimo disse...

Costumo ir aos Hipers mas sei que são um "presente envenenado".
Os hipers não geram emprego,não geram riqueza,não geram desenvolvimento para o país,não geram escoamento para os nossos produtos,não geram dinheiro de impostos como uma normal empresa,apenas geram muito dinheiro para o belmiro e amigos.
Os hipers enquanto ninguem puser o dedo na ferida,vão ser uma fonte de morte lenta para os Portugueses.
Se todos fossem como eu,que compro tudo(é pena não venderem gasolina) no hiper,em vez de 500 000desempregados já tinhamos 1 milhão.
Bem,agora com o TGV(150mil empregos) e as obras na 125(ouvi 3mil mas enganaram-se,devem ser 300 mil empregos) descia o numero de desempregados felizmente...
M.

Luís disse...

Milão, que é a capital da moda, e todas as cidades ao seu redor no Norte de Itália têm o comércio fechado à hora de almoço e ao Domingo. Até mesmo muitos dos restaurantes e cafés fecham ao Domingo, para conseguir comprar comida é uma aventura. Não há cá estes horários alargados e não se vêem centros comerciais por lado nenhum. Em termos de decoração, simpatia no atendimento e qualidade dos produtos estão muito à frente de Portugal. Ser bom empregado, saber tratar o cliente com delicadeza e simpatia, percebe alguma coisa sobre o que se está a vender requer experiência e formação. Oferecer qualidade no atendimento não é compatível com o trabalho precário que existe hoje em dia nas grandes superfícies. Prefiro ir a uma Loja das Meias ou a uma Marques Soares onde sou atendido por alguém com 40 ou 50 anos mas que sabe atender como deve ser. Ou alternativamente, prefiro passar a tarde no Martinho da Arcada, na Gardy ou na Brasileira, em vez de ir a uma porcaria de fast-food. Em vez de acompanharmos a Europa... regredimos...

Outros países europeus são ricos sem precisarem de abrir o comércio ao Domingo... pensai nisso...

Luís disse...

Em relação ao facto dos consumidores não conseguirem compatibilizar os seus horários com os horários do comércio tradicional, tal ocorre porque os portugueses têm horários desajustados dos horários europeus. As empresas, as universidades e os serviços públicos deveriam abrir sempre às 8 horas, dar apenas uma hora de almoço e fechar às 15 horas ou às 16 horas. Assim, os trabalhadores ainda tinham 3 horas até às 19 horas para ir às compras, passear, estar com os filhos, etc. Nalgumas universidades, entra-se às duas e sai-se às 20 horas, para no dia seguinte se entrar às oito e meia, é uma desorganização vergonhosa. Nas câmaras, os serviços abrem às 9 horas, quando deveriam abrir às oito. O mesmo em muitas empresas. Estes pequenos pormenores mostram o quanto estamos afastados da Europa. Portugal tem um grave problema de desorganização, que alastra pelo sector público e privado.

Anónimo disse...

Ponham os olhos nos USA .... Onde ja nem se fala da crise.... Onde as lojas, grandes ou pequenas Abrem as sete e fechao a meia noite com diferentes turnos de funcionarios!.... Sera que os funcionarios que a partir de agora vao ter que trabalhar ao domingo nao vao ser pagos para isso?.... Acordem antes que nem o lugar de caixa tenham nos super mercados!
Sera que a Mercedes Benz na Alemanha fecha no turno da noite? E a VW ou a Ford? ACORDEM!
Intelectuais de meia tigela ou... de pacotilha!
Ja satura tanta burrice junta!
ass.... Atento

Anónimo disse...

Atento estamos a falar de comércio e da Europa, és mesmo ignorante...

Anónimo disse...

Em Milão é uma aventura ter de se comprar comida ao Domingo, e nós temos de lhes seguir o exemplo porquê?

Anónimo disse...

Anonimo 833
agradeco o cumprimento!
Faltou que os americanos so' fechaam no dia de natal, ano novo e 4 de julho.... E mesmo assim uma porcentagem pequena .... E claro que falo no comercio seu ignorante !
ass... Atento

Luís disse...

Atento, sabe quanto recebe um caixa de supermercado ou de uma loja nos EUA? E sabe quanto recebe na Europa? Pois bem, fique a saber que em média nos EUA recebe metade de um europeu. Com os salários europeus é mais viável em termos económicos ter menos empregados e horários mais curtos. Curiosamente, os países europeus mais desenvolvidos estão com níveis de desemprego bem inferiores aos EUA. Porque será?

Anónimo disse...

O que se aplica às lojas, aplicar-se-ia a tudo. Se eu preciso de ir ao notário, porque não há-de estar aberto até à meia-noite, sete dias por semana? O mesmo para todas as outras repartições públicas, lojas, restaurantes, médicos, advogados, etc.

Luís disse...

Aliás, acrescento que os EUA não são propriamente uma referência que devamos copiar. Nos testes PISA ficam bem atrás de vários países europeus, demonstrando assim a eficácia do modelo educativo da Suécia ou da Holanda. Cambridge e Oxford não ficam atrás de Harvard, e na saúde a Europa está bem melhor, pois os países europeus mais desenvolvidos têm uma esperança média de vida superior aos EUA, menos mortalidade infantil e um sistema de saúde que garante qualidade nos cuidados a todos.

Luís disse...

Para o anónimo das 9h23.

Em Milão o Domingo é dia de visitar a família, passear nos grandes lagos dos Alpes italianos ou ir à missa. Não é dia para se passar no interior de um centro comercial a comprar comida e a comer fast-food. As cafetarias que abrem ao Domingo costumam vender alguns produtos como leite do dia, massas frescas e queijos frescos, o que dá para desenrascar em caso de necessidade. E como a população já sabe que ao Sábado à tarde e ao Domingo os supermercados estão fechados, faz as compras ao Sábado de manhã e durante a semana. Aliás, na década de 90 estava tudo fechado ao sábado pela tarde e ao Domingo e nunca me faltou nada na despensa ao fim-de-semana.

Ok, já vi que estou a pregar para os peixes. A nossa qualidade de vida, a nossa saúde emocional e social e a família estão a ser destruídas e os portugueses preferem olhar para os seus comodismos a fazer alguma coisa para inverter a situação.

Anónimo disse...

Luis a's 1045
deve estar brincando connosco!
So' pode?!

Luís disse...

Anónimo das 10h32.

Que raio de argumentação é essa? Poderia ser mais explícito? É que escrever só por escrever não traz nada de novo à discussão. Utilize argumentos válidos, exemplos, diga qual o seu ponto de vista, defenda-o com dados e com ideias. É difícil? Se é então abstenha-se de dizer mal só porque «sim».

Anónimo disse...

"Ok, já vi que estou a pregar para os peixes. A nossa qualidade de vida, a nossa saúde emocional e social e a família estão a ser destruídas e os portugueses preferem olhar para os seus comodismos a fazer alguma coisa para inverter a situação."

Luís, nem vale a pena tentar fazer o que quer quer seja. O Português não quer mudar. Quem é pobre não conhece outras realidades e está resignado entre o emprego de trampa, o futebol, as novelas e o alcoolismo.

Quem é rico, está-se nas tintas para as questões do bem comum, para as questões sociais. Quer é mais dinheiro, depressa e a qualquer custo para comprar mais um automóvel para se exibir.

A vida aqui não tem espaços verdes, nem espaços comunitários.

O urbanismo de qualquer cidade portuguesa (qualquer uma) é medonho, deprimente, esquizofrénico.

Entre os velhos edifícios do Estado Novo, o boom do cimento dos ano 80 e os horrores contemporâneos que continuam a crescer (tipo mamarracho da Rua de Santo António), são urbes que talvez encontrem paralelo nas antigas Repúblicas Soviéticas.

A paisagem em geral do país é cada vez mais feia, mais piorosa, mais abandalhada.

A utilização de transportes púbicos, cuja rede é ineficaz devido ao desordenamento do território, é mal visto do ponto de vista social. Ficam reservados para quem é pobre, idoso, imigrante ou estudante.

O mundo rural é personificação da decadencia. O interior de qualquer conselho algarvio, o que não está à venda, está ao abandono.

Até ao redor das zonas de luxo como Vale do Lobo e Quinta do Lago, é um delirio visual de buracos, lixo, entulho, feiura, mamarrachos.

Espaços para as famílias, jardins, equipamentos comunitários, é mentira.

Parques para as crianças (que estão em extinção neste país e percebe-se porquê - não têm lugar e está tudo errado, desde a falta de creches ao ensino secundário inútil e superior sinónimo de desemprego) brincarem livremente e em segurança contam-se pelos dedos.

Resta o quê? O convite ao sedentarismo, ao individualismo e ao grande consumo.

Mas... não é isso que os portugueses querem?

Então força amigos, compatriotas, pois que passem bons e felizes Domingos nos Hipermercados!

Anónimo disse...

"Curiosamente, os países europeus mais desenvolvidos estão com níveis de desemprego bem inferiores aos EUA. Porque será?"
Será porque produzem tudo e ainda exportam?Alem de terem impostos mais baixos e ordenados muito mais altos,mas,acima de tudo porque produzem.Na volta a frança em bicicleta viu-se bem os campos todos plantados,vai daqui para lisboa o que é que vê plantado?
Temos uma miseravel linha de montagem de carros,que nem sequer os produz,apenas faz a simples montagem de resto...sapatos...peugas...
R.

Eurico Duarte disse...

Se eu quiser ser um autómato consumista e quiser estar nas tintas para a família e preferir passar a tarde de domingo dentro de um hipermerdado, porque é que não hei-de poder? já agora porque é que não proíbem as emissões televisivas no domingo à tarde, para evitar que o pessoal passe o dia aparvalhado a ver TV e vá mas é passear para os jardins e jogar à bola com os miúdos?


ou então dexem simplesmente as pessoas serem livres e felizes e fazerem o que lhes apetecer, desde que não prejudiquem ninguém, que é o que esta lei faz.

Jorge Mendes disse...

Hipócritas não faltam em Portugal.
Somos governados por eles...

Anónimo disse...

Eurico, você tem todo o direito a estar-se nas tintas para a família e para tudo o resto, homem! Que bela linha de pensamento alternativo que você propõe para a vida. Você deve ser uma criatura muito feliz, não há dúvida.