O Executivo do nosso Município, organizou no passado sábado, dia 23 de Janeiro, uma visita de autarcas, às obras em curso no nosso concelho.
Obras lançadas pela Câmara Municipal de Faro, no domínio de anteriores administrações, e que, em termos de execução, se vão agora aproximando do seu terminus.
Obras, que são nossas, enquanto cidadãos e eleitores deste concelho.
Utilizando uma manhã de sábado, e um autocarro camarário colocado, pelo município, à disposição dos autarcas e dos técnicos, visitámos, ao longo da manhã, sensivelmente entre as 9 e as 13 horas, as instalações da ETAR, a Creche Municipal da Penha, o Pavilhão Desportivo, o local onde funcionará o Outlet de Guilhim, o terreno Municipal do Medronhal e dois projectos ligados à equitação (Equinostrum e Associação Hípica do Bié) localizados na freguesia do Montenegro.
Estiveram presentes apenas cinco, dos nove elementos do Executivo Camarário.
Quanto aos membros da Assembleia Municipal, fomos muito poucos os que estivemos presentes.
De realçar, desde logo, e em primeiro lugar, a presença do Presidente da Assembleia Municipal, que acompanhou activamente todo o percurso, com participação activa na visita, dando mostras de uma responsabilidade e de uma maturidade democrática, que não pode deixar de ser assinalada e aplaudida.
Triste e lamentável, o comportamento daqueles membros do Executivo Camarário, e da Assembleia Municipal, que, por livre opção, não quiseram estar presentes.
Ao virarem as costas a iniciativas deste género, em que o Executivo Camarário procura dar conta do andamento das obras municipais em curso (todas elas lançadas, e em grande parte executadas, pelo município, no âmbito de anteriores administrações) os autarcas eleitos ofendem directamente os seus eleitores.
Trata-se, efectivamente, de um “virar de costas” a quem os elegeu.
Tal atitude, enquanto opção voluntária, significa um profundo desprezo pelo Mandato que lhes foi conferido pelo eleitorado.
É, manifestamente, uma grave ofensa aos eleitores do seu concelho.
E essa atitude ainda se reveste de maior gravidade, se esses autarcas tiverem a pretensão de se voltar a candidatar aos órgãos municipais, ou seja, se têm em mente voltar a pedir ao eleitorado que lhes reafirme a sua confiança, e lhes confira outro Mandato.
Facilmente se depreende do seu comportamento, e da sua postura, que a sua intenção está longe do espírito de serviço, que deve pautar o comportamento do autarca.
Ao assim procederem, dificilmente deixarão de convencer os eleitores de que o seu lema está mais próximo do servir-se, do que de os servir.
Com efeito, que outra interpretação deverá ser dada relativamente a esta postura e a este comportamento, de absoluta demissão dos seus deveres para com o eleitorado?
Tenho defendido, à saciedade, uma outra postura, relativamente à política autárquica.
Não é, deste modo, que responderemos com eficácia e responsabilidade, à esperança de quem nos elegeu.
Todos nós, autarcas, fomos eleitos por sufrágio directo, emanando os nossos mandatos directamente, sem quaisquer intermediários, dos eleitores do nosso concelho.
Constitui uma atitude de pouca consideração para com o eleitorado considerarmos que existem equipas diferenciadas de eleitores, e de eleitos, com cores e emblemas diferentes, como se a boa gestão do nosso concelho não fosse a suprema aspiração de todos nós.
Como se os bons, ou maus resultados das políticas aplicadas, não nos beneficiassem, ou prejudicassem, a todos.
Quando assumiremos, com responsabilidade, o mandato autárquico que nos foi conferido?
O Sr. Presidente da Assembleia Municipal deu um exemplo de maturidade democrática, que não posso deixar de realçar, de pôr em evidência e de aplaudir.
Eu sujeitei-me ao sufrágio popular para ocupar aquele mesmo lugar, que ele hoje ocupa.
Mas isso é passado. Aconteceu no âmbito da salutar disputa eleitoral, já há muito terminada.
Ele é, actualmente, o Presidente da Assembleia Municipal do meu concelho.
Ele é, agora, o meu Presidente, de cuja prática e actuação ontem me orgulhei, e a quem, com toda a lealdade, confio as minhas opiniões, que são, muitas vezes, diferentes das suas.
E ele, reconhecendo essa lealdade, e tendo sempre em atenção o supremo bem do nosso concelho (que é o que verdadeiramente importa) ouve-me e escuta-me, apoiando ou contrariando as minhas ideias, consoante o seu pensamento.
E com essa mesma lealdade teremos, todos nós, que interagir com o Executivo Camarário do nosso concelho, que necessita da nossa contínua colaboração, traduzida, desde logo, na nossa presença e na nossa activa participação.
Colaboração e participação, que não têm, necessariamente, que significar concordância, mas sim, necessariamente, um esforço interessado na gestão pública do nosso Município.
Vamos continuar a assistir, até se esgotarem (pelo decurso do tempo) os mandatos conferidos pelo eleitorado, a este comportamento triste e lamentável dos que “viram as costas” propositadamente?
Vamos continuar a ter, entre nós, um conjunto de “amuados”.
E o nosso concelho? E o eleitorado que nos elegeu a todos? Não nos importa?
E o compromisso de serviço que assumimos em função da nossa cidade, do nosso concelho, dos nossos eleitores? Está esquecido?
E o juramento que prestámos aquando da nossa Tomada de Posse, em que nos comprometemos a trabalhar todos, afincadamente, pelo nosso concelho e pelos seus habitantes? Foi pura conversa?
Como poderemos encarar aqueles que confiaram, e votaram, em nós, procedendo dessa maneira?
A nossa pequenez vai perpetuar-se, com comportamentos deste teor, ao nível da clubite e da partidarite?
Na discussão dos interesses do nosso concelho não podemos, nem queremos, prescindir de ninguém.
Queremos todos, porque o concelho precisa de todos os seus autarcas eleitos, sem excepção.
No passado sábado, nos locais de obra que visitámos, após a apresentação técnica de cada uma das situações, foi aberto o debate.
Perguntou-se se havia dúvidas, se havia perguntas, se havia sugestões.
Criou-se o ambiente saudável e propício para questionar, para dissentir, para aplaudir, enfim, para tudo o que os autarcas entendessem dever dizer aos técnicos do Município, e ao seu Executivo.
Um Executivo Camarário de nove elementos, ali presente apenas na pessoa de cinco dos seus membros.
E uma Assembleia Municipal, órgão deliberativo e fiscalizador da política autárquica, cujo número de membros presentes não preenchia os dedos das duas mãos.
Que desconsideração para quem nos elegeu, para quem colocou em nós todas as esperanças para quatro anos de gestão de um concelho.
Eu tenho uma secreta esperança de que esta situação se venha a inverter, e que nós, os autarcas, ganhemos o senso da responsabilidade, trabalhando todos, lado a lado, pelo engrandecimento do nosso concelho, tendo por fundo apenas a bandeira do nosso município, demonstrando, assim, um profundo respeito pelos que nos confiaram o Mandato Autárquico.
Jorge Leitão