Sexta-feira, Julho 29, 2011
Diálogos na Cidade com Luís Santos
Pequena biografia
Nasceu em Faro, em 1949. Frequentou o Liceu Nacional de Faro e a Escola Comercial e Industrial Tomás Cabreira.
Fez o curso de professor de Educação Física no Instituto Superior de Educação Física.
Leccionou em Faro, em várias escolas, de 1976 a 2005.
Publicou quatro livros:
“A pesca do atum no Algarve”
“Os moinhos de maré da Ria Formosa”
“Os acessos a Faro e aos concelhos limítrofes na segunda metade do Século XIX”
“Faro, um olhar sobre o passado recente”
Diversos trabalhos artísticos publicados:
Desenhos
“Faro Antigo I”
“Faro Antigo II”
“Algarve Tradicional”
“Aspectos de Loulé Antigo”
“Os moinhos de maré da Ria Formosa”
“A pesca do atum no Algarve”
Serigrafias
“Faro, cidade velha”
“Loulé”
“Olhão”
“Tavira”
“Vila Real de Santo António”
“Silves”
Projectos:
Livro
“O Ensino Público no Distrito de Faro – 1820 a 1910”
Audiovisuais
Faro, um passeio nos finais do Século XVIII
Olhão, o casario típico da primeira metade do Século XX
ver trabalhos aqui
ADF - O teu 1º projecto abordando o património surgiu há já algumas décadas. Lembro-me, na altura, de ter ido à tua casa e tu mostraste-me, além da série sobre Faro antigo, alguns desenhos de carácter criativo.
Desenhar Faro antigo surgiu como uma simples temática dentro de um contexto de aperfeiçoamento do desenho artístico ou o objectivo fundamental foi descrever esses espaços urbanos, numa altura em que muitos deles já tinham desaparecido ou estavam a modificar-se a uma velocidade avassaladora?
LS – O desenho e a pintura surgiram como actividade quase diária, por volta dos oito anos, em certa medida por sã “imposição” do meu pai. Fazia, essencialmente paisagens a guache e figuras a lápis. Mais tarde, por volta de 1968, veio o retrato a carvão. Só dez anos mais tarde, devido a dois ou três postais que tínhamos em casa, com cenas de Faro, no início do século XX, veio a atracção pelos temas antigos, tipo gravura, cuja técnica sofreu influências de Cruzeiro Seixas. A intenção a partir de então foi descobrir e dar a conhecer o aspecto da cidade, nos séculos anteriores. Para isso contei com a preciosa ajuda do Dr. Lyster Franco, do Prof. Pinheiro e Rosa e de José Manuel Bivar, entre outros.
ADF – Esses desenhos foram, talvez, a 1ª reacção com peso no sentido de se olhar para o nosso legado histórico/arquitectónico como algo precioso, numa altura em que a esmagadora maioria da população aclamava a “modernização” do Algarve que se traduzia, nas cidades, na destruição sistemática das estruturas urbanas tradicionais sob a acção da ofensiva de um urbanismo às ordens da especulação imobiliária.
Pensas que esse trabalho constituiu uma contribuição pedagógica importante para voltarmos a identificar o nosso património como algo a preservar?
LS – Penso que sim. Hoje a maioria dos habitantes de Faro conhece a evolução da cidade ao longo dos últimos séculos, coisa que há trinta anos só era do conhecimento de muito poucos. Acho que contribuí para a “banalização” da antiga Praça da Rainha, da Alagoa, da Ribeira, etc. Gostaria, também, de contribuir para a criação de um novo estilo para o Algarve, através da adaptação de novas ideias e técnicas de construção em função das características arquitectónicas ancestrais da província. Processo que já está em marcha.
ADF – O teu trabalho mais recente a nível de imagens de computador em 3D é, de certa forma, um aprofundamento do trabalho de desenho, conseguindo-se perspectivas fantásticas da estrutura urbana da cidade de Faro.
Quais os documentos e processos que utilizaste a nível de pesquisa histórica para conseguires fazer a reconstituição dos locais representados?
LS – A pesquisa assenta sobretudo nos mapas antigos, nas plantas antigas de Faro e de Olhão e até em alçados de construções militares. Neste último caso temos o castelo de Faro, a prisão, junto ao Arco da Vila, a ponte do Arco do Repouso, etc. A planta mais precisa de Faro remonta a 1876 e de Olhão à mesma época. Depois temos aguarelas inglesas, gravuras militares e dezenas de fotografias e postais ilustrados. Nem todas as casas correspondem ao que existiria na altura mas a Praça da Rainha e as principais artérias de Faro estão bastante próximas do que terá realmente existido.
ADF – Tendo ainda presente o contencioso com a Direcção Regional de Cultura que divulgaste neste blog, quero colocar a seguinte questão:
Na minha opinião, o teu trabalho devidamente divulgado, poderia constituir um suporte muito importante para acções pedagógicas a nível dos valores que a arquitectura tradicional veicula, nomeadamente os estéticos, culturais e afectivos.
Tens tido, ao longo dos tempos, algumas iniciativas com as entidades oficiais nesse sentido?
LS – Infelizmente não, e não percebo porquê. Será pelo facto dos trabalhos serem realizados com o apoio de meios informáticos? Será que se considera os trabalhos assistidos por computador como uma arte menor? A criação de maquetes 3D surgiu quando eu leccionava na Escola E. B. Santo António e me convidaram para fazer uma palestra para os alunos do 2.º ciclo. Eu então pensei que nada melhor para os interessar do que fazer um esboço 3D da cidade, ainda com a muralha seiscentista, os moinhos de maré e a Ribeira. Pus mãos à obra e surgiram algumas animações para apoiar a minha intervenção. Passaram-se seis anos e o projecto evoluiu e estendeu-se a Olhão. Neste espaço de tempo contactei autarquias e outros organismos mas não tive qualquer apoio e só fui convidado para apresentar um excerto do trabalho na “Tertúlia Farense”.
ADF – Tu, que tens tido ao longo dos anos, um empenho consistente no sentido de reabilitar a memória da cidade quando ela apresentava um carácter arquitectónico harmonioso, que comentários podes tecer ao estado de ruína e de abandono progressivo e dramático a que o centro histórico da cidade chegou, sem que se desenhe no horizonte qualquer solução?
LS – É uma situação preocupante. Vemos surgir urbanizações em zonas agricultáveis e os núcleos urbanos mais antigos estão abandonados e decadentes. Penso que será necessário criar legislação que, ao se comprovar que os proprietários desses fogos se demitiram das suas responsabilidades, não se entendem ou não têm meios económicos, permita que outros executem obras de restauro e fiquem com o usufruto dos mesmos, durante três ou quatro décadas.
Entrevista realizada por Fernando Silva Grade
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16 comentários:
"...contactei autarquias e outros organismos mas não tive qualquer apoio..."Desde quando a máfia institucionalizada dá apoio a quem não é filiado? Só por distração.
Bem haja Luís Santos pelo trabalho de investigação de superior qualidade.Recordo neste espaço, com saudade, o meu "querido" professor Rosa.
Porreiro pá ...
ACORDA FARO
J Pelica
Hoje,ás 8 da manhã já os ciganos andavam a roubar alfarrobeiras no Montenegro.A ASAE juntamente com as autoridades que fiscalizam a circulação de veiculos tendem a não actuar,não por falta de conhecimento mas outros motivos.O negocio que se gerou no Algarve e mais particularmente em Faro de compra de produtos roubados gera grandes fortunas,como era de prever,dando dinheiro suficiente para a sua continuação pagando a quem quer receber e perpetuando a actividade ilicita durante mais de 20 anos não tendo um fim aparente á vista.Os Algarvios,os farenses podem não se revoltar de forma visivel publicamente mas sabem perfeitamente que todos os negocios que envolvam a compra de produtos roubados duram pouco tempo e só conseguem sobreviver se houver quem actue na defesa do interesse dos criminosos.É vergonhoso que simplesmente ninguem actue na defesa dos mais desprotegidos,desfavorecidos dando cobertura a pessoas que lucram milhões com o negocio,como é facil de ver.
CIGANOS OUTRA VEZ????????????? - me cago em dios...
O Luís Santos aceitaria o convite para uma palestra cujo tema em fosse:
"As alfarrobeiras algarvias na cultura cigana"??
Anónimo das 12:17 chamou a GNR e denunciou o caso ou veio para aqui censurar e esperar que outros chamem as autoridades para actuarem em conformidade?
É que chamou a Guarda e eles não apareceram ou não procederam a identificações ou detenções então exponha o caso ao ministério da Administração Interna e às chefias centrais da GNR.
Aqui pouco ou nada se resolve.
12:17 Qual foi a resposta que a GNR lhe deu quando denúnciou o roubo a decorrer?? Que não actuava porque os cavalos tinham ido mudar ferraduras a Évora? Ou era assunto para a elite da brigada anti-terrorista destacada no Afeganistão?
Ou aconselhou que contratasse um Wyarp Earp de Loulé?
Vai daqui aquele abraço para o Luís de um ex:colega das lides escolares e de tantas brincadeiras enquanto moços.Tem o meu grande respeito e admiração.Já em jovem ele se destacava pela sã camaradagem e inteligência,embora tímido.É um FARENSE,tal como o irmão,que têm dado o seu contributo em prol da cidade que os viu nascer.Cá está porque eu digo, e "afianço", que temos grandes valores em Faro com que poderemos contar para, num futuro próximo,tomarem a liderança da CMF.Que o queiram todos os verdadeiros Farenses, sem credos e preconceitos politico-partidários, e verão como esta cidade muda para melhor!
Um grande abraço para o Luís e família.
Milicias do Sul
Alguém tem de publicar no ADF um artigo devidamente fundamentado sobre as consequências na economia do Algarve, do roubo de alfarrobas.
É de extrema importãncia que as autoridades fiquem sensibilizadas para os danos directos e colaterais dessa actividade de pura pirataria na saúde mental dos algarvios.
Lisboa sabe, por causas menores, já tiveram início movimentos de libertação.
Ou as autoridades agem ou então um dia destes vão aparecer os TUPAMAROS do Algarve.Somos injustamente obrigados a pagar a Via do Infante e ainda por cima roubam-nos o meio de o fazer - o rendimento das alfarrobas? Nem os santos aguentam quanto mais um Luís.
Um descanso no jogo da malha. Por uma vez, confesso que me revejo no que o Milícias afirma, parabéns.
Se fosse psiquiatra teria todo o gosto em estudar esse anónimo das 12.17, infelizmente (neste caso apenas, claro) a minha área é a ginecologia.
Não quero acreditar!!!!! Outra vez o emplastro das alfarrobas atrás dos ciganos? Temos manifesto assunto crónico.Tem que haver tiros para que judiciária tome conta do caso.
Não acredito nisto, um gajo vem aqui na noite de domingo para ver se há alguma publicação nova sobre a cidade, e além de não haver nada ainda tem de apanhar com o traumatizado dos ciganos e os seus comentários despropositados. Que tristeza.
11.02
Não sei não se são comentários despropositados....!há muita conivencia das autoridades, se não fôr conivencia o que é sobiar para o lado como se o problema não fosse sério?.....a GNR pode não os agarrar com a boca na botija mas que sabe bem quem compra o fruto do roubo disso não tenho a menor dúvida....se até eu sei!
Vossamercê a dar-lhe outra vez, 1:33AM! ...e também devia saber que um assunto sério, quando é exposto da forma como o faz, acaba por perder a devida atenção. O que é que a entrevista do Luís Santos tem de ciganos,roubos e alfarrobas?
Se sabe muita "coisa" porque não participa o assunto à PJ?? Já pensou que a GNR pode estar a tentar apanhar o mais importante - o chefe da rede internacional do roubo de alfarrobas?
Já pensou que um paisano aprendiz de inspector Holmes pode comprometer a investigação de centenas de agentes?
Repito: vá à PJ e conte-lhes tudo o que sabe - não tenha medo de colaborar.Medo deveria ter dos ciganos o confundirem com um concorrente.
Pois eu acho que devíamos estudar a importância da alfarroba na dieta dos ciganos. Quem sabe não haverá coisas boas para acrescentar à nossa rica cozinha mediterrânica: ouriço ao molho de alfarroba, por exemplo.
Até que enfim um comentário 5 estrelas, sobre os ciganos e as alfarrobas.Parabéns pela sugestão, 5:16PM.Embora o petisco seja divinal,
relembrar sempre que, ingerir um simples cabelo do animal, pode trazer problemas graves de saúde;....e cuidado com a ASAE ( eles andam por aí como zombies )
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