Sábado, Janeiro 29, 2011

LUGAR AO SUL

Bom dia.

Hoje acordei a ouvir uma descontraída e muito interessante conversa entre dois portugueses (felizes, atrevo-me eu a dizer).
Meio estremunhado ainda, por momentos julguei estar a sonhar,olhei para o radio despertador,o alarme estava ligado e sintonizado na RDP Antena 1, e uma voz amiga, inconfundível e afável, acordou-me para a realidade ansiosamente desejada: o Lugar ao Sul voltou,para alegria e satisfação de muitos portugueses, do Sul do Norte e de todas as latitudes onde se faz ouvir.
Se já não estiver a sonhar, obrigado a quem trouxe de volta o programa LUGAR AO SUL , e o Rafael Correia ,um dos melhores radialistas portugueses de sempre.
O testemunho de vida do senhor Diogo, velho guarda florestal reformado, poeta da vida vivida com paixão , amor e gratidão contados ao microfone do Rafael em poucos minutos ,valeu por meses de discursos , comentários, críticas e lamúrias pseudointelectuais e estéreis.
Estes momentos de bom programa rádio e o reaparecimento do seu autor, vieram de certo modo compensar um pouco o sentimento de perda de outro grande valor da cultura do Algarve, como era D. Maria Amélia Campos Coroa, que ontem nos deixou.


J.Elias Moreno

As presidenciais e o Algarve

Se a maior votação de Cavaco Silva não espanta, a divisão do espaço dito socialista por Alegre e Nobre, tirou o sono aos seus dirigentes.
Embora todos tenham perdido face à maior percentagem de abstenção nacional, Cavaco Silva, o vencedor, teve menos votos que na anterior eleição, revelando a compreensão dos sectores mais avançados da sociedade algarvia sobre o afastamento deste dos problemas concretos da região.
O líder regional do PSD limitou-se às felicitações da praxe que servem os interesses de capelinha com os olhos postos na estratégia de poder nacional, deixando para os adversários do poder governativo, "o reconhecimento que os resultados necessitam de profunda reflexão".
O que isto na realidade quer dizer, apesar do esforço do primeiro-ministro em separar as águas eleitorais, é de que o Governo não tem credibilidade entre os algarvios.
Miguel Freitas percebeu o significado dos resultados e vai reunir o estado-maior para os analisar. Caiu na realidade indesmentível e para a qual tem contribuído com muita propaganda, que os Governos do PS votaram a conjuntura algarvia ao desprezo, cortando no investimento, ignorando os problemas do enfraquecimento económico e financeiro, a degenerescência do emprego e a situação social em geral, arrastando as promessas sobre as obras de grande valor acrescentado – o Hospital Central e a requalificação da EN 125 -, querendo ainda agravar as condições de vida com a imposição de portagens.
As eleições presidenciais acabaram por pôr a nu as fragilidades da actividade e das posições dos dois principais partidos da região, mancomunados com as estratégias nacionais de aplicarem as medidas repressivas sobre a população portuguesa.
Servindo as suas condutas de silêncio sobre as movimentações de organizações e pessoas em protesto pelas portagens, os seus candidatos não foram chamados a pronunciarem-se. Os assuntos específicos da região não mereceram quaisquer referências. Vieram unicamente pelo voto, como se as leis não fossem sancionadas pelo poder presidencial.
As lições tiram-se das práticas e os algarvios têm ultimamente podido constatar que os ventos dos interesses pessoais dos que nos dirigem se sobrepõem aos interesses colectivos com que se fizeram eleger.
Num exercício mental oportuno e face a possíveis eleições legislativas antecipadas, imaginem sobre que matérias incidirão os novos lotes de promessas.
Nesta luta cega pela sobrevivência da ordem capitalista que nos afundou, o Algarve não pode esperar complacência. O presidente reeleito passou-nos ao lado no primeiro mandato e se nos brindou com o silêncio, podemos compreender o que nos espera.
 No dia seguinte às eleições, a REFER anunciou 5% de aumento nas tarifas no Verão, sobre o aumento verificado neste princípio de ano. O novo líder do PSD, o mais incisivo que conseguiu ser foi em defesa da agilização burocrática do Estado, porque tem processos de investimentos imobiliários pendentes no seu município. Miguel Freitas, ainda anda às voltas com os números que prometeu apurar sobre investimento central do Estado. O famoso Grupo de Estudos sobre Transportes prometido, quando nascer já arranca com estes aumentos no bucho. No entretanto, todos os deputados eleitos pelo Algarve estão em penitência profunda.
Não faltam razões para o descontentamento algarvio!

Luis Alexandre

Sexta-feira, Janeiro 28, 2011

Certificações, UALG, AAualg e dois comentários.


Esperamos que se consigam certificar os produtos da Ria Formosa
. Esperamos também que essa certificação, após ser aprovada, se consiga manter, para que não aconteça o mesmo que está a acontecer com os outros produtos mencionados no artigo (Citrinos do Algarve, Mel da serra de Monchique e Batata Doce de Aljezur), já que os custos para os produtores poderem manter essa certificação são elevadíssimos e, portanto, os preços a que vendem os produtos certificados nem sempre compensa os custos da certificação. Além disso, as imitações desses produtos, por vezes afectam grandemente essa mesma certificação. A certificação não se limita aos estudos sobre as características e formas de produção dos produtos, definidas num caderno de especificações, mas sujeita os produtores a um controlo sistemático do cumprimento deste caderno de especificações, por entidade externa certificada.
MM


Parabéns à adf por abrir o debate sobre este tema.

O senhor Luís Alexandre, apesar da sua prosa floreada e cansativa de ler, até apresenta vários pontos de vista interessantes.
Infelizmente, também acho que o Zé Manuel tem razão. Mas a inércia não é apenas na AAualg.
Porque motivo, por exemplo, a Universidade do Algarve não pensa em criar uma oferta formativa para a população activa e empregada, por exemplo, em regime nocturno ou pós-laboral? Dá muito trabalho? Custa muito mudar o sistema instalado?
Este ano já houve cursos (licenciaturas) que não tiveram quase alunos
.
Nos próximos anos, com o problema demográfico que Portugal têm, o modelo de financiamento e funcionamento de muitas universidades vai mesmo falir. Não vale a pena falar em investigação porque não há projectos e financiamento para todos. O mercado dos doutoramentos e mestrados também um dia destes acaba.No entanto, há uma larga fatia da população (activa e não só) que poderia estar em frequentar a Ualg, caso existisse uma oferta formativa adequada.
Não é por acaso, que o Centro Local de Aprendizagem de Silves da Universidade Aberta duplicou o número de alunos no espaço de um ano (actualmente são 530).Em relação à falta de iniciativa de luta dos alunos, se bem me recordo, sempre foi assim na Ualg. Anos houve em que a AAualg alugou autocarros com destino às manifs em Lisboa que foram vazios e alguns nem chegaram a partir.
Mas isso é apenas um reflexo da sociedade que temos - como diz o amigo "cuidado com a ladroagem".
Por outro lado, é compreensivel que haja muitos alunos que não envolvem em protestos porque andam a contar os tostões e muitos ainda têm de fazer trabalhos precários para pagar as propinas e os estudos. Outros têm a vida facilitada e não estão, compreensivelmente, para aí virados. Outros têm a sua agenda de interesses, como já aqui foi dito. E mais ainda são alheados a tudo o que não seja o próprio umbigo e o pequeno mundo ao redor do mesmo. Tudo junto, o que é que isto dá?
Uma coisa é certa, a Universidade do Algarve, se não fizer reformas e mudanças não se vai aguentar. O país também não.
Anónimo

ALGARVE SAUDOSISTA - Meridionalidades…Vaidades nossas ?
















Por Eduardo Brazão Gonçalves
22 – O MÁRMORE
A pedra, esse material nobre por excelência, o material da obra de arte, o material que fortalece e embeleza a construção. O brilho do mármore, a sedução das cores fazem dele a pedra rainha. Sem que daí resulte apoucamento para o útil calcário e o rijo granito, note-se. Se aquele é o ouro, estes serão o ferro, o aço. Todos têm o seu lugar, a sua função. Qual mais nobre.

Cultura farense de luto

A autarquia manifesta, com profundo pesar e consternação, as suas condolência aos familiares e amigos da Dra. Maria Amélia Campos Coroa, ontem falecida. Co-fundadora do Grupo de Teatro Lethes em 1957, actriz amadora consagrada, Maria Amélia Campos Coroa foi um dos maiores vultos da cultura farense. Na memória fica, entre tantas outras representações exímias, o modo magistral como interpretava a " Súplica de Cananeia" de Gil Vicente. Formada na Universidade de Coimbra, dedicou também a sua vida ao ensino, acompanhando no seu percurso pedagógico várias gerações de farenses.
Em reconhecimento da sua exemplar devoção ao desenvolvimento cultural de Faro, foi agraciada, em 1993, com a Medalha de Ouro- Grau Mérito do Município de Faro.

Deixo aqui em homenagem à Dra Maria Amélia Campos Coroa um magnífico texto de Luís Cunha (outro grande farense que já nos deixou) com o titulo  GRUPOS DE TEATRO EM FARO (anos 50) 

As mais sinceras condolências à familia,
adf

Certificações Algarvias...chegou a vez dos produtos da Ria Formosa.
















conquilhas.

Certificação: a Realidade na agricultura algarvia é esta :
Região conta apenas com três certificações e mesmo essas não seduzem agricultores


Produtos tradicionais algarvios sujeitos a imitações
O Algarve é um "oásis" de produtos genuínos, que vão desde os enchidos à flor de sal, da sardinha ao vinho, do queijo aos doces, da alfarroba à amêndoa... Mas apenas os citrinos do Algarve, o mel da serra de Monchique e a batata-doce de Aljezur estão certificados com garantia de origem e protegidos contra falsificações. Ainda assim, segundo apurou o JA, são "muito poucos" os produtores que fazem uso da marca protegida do Algarve. in Expresso 

Entretanto surge um projecto para certificar e valorizar os produtos da Ria Formosa, fazemos votos que não tome o caminho penoso da realidade acima referida...

Projecto FORWARD vai promover a certificação do marisco da Ria
As principais variedades de marisco da Ria Formosa vão ser objecto de um procedimento tendo em vista a certificação, no quadro do projecto FORWARD (Framework for Ria Formosa Water Quality, Aquaculture and Resource Development), actualmente em desenvolvimento no âmbito do Programa Polis, o que a conseguir-se permitirá a qualificação diferenciada da produção da Ria, constituindo simultaneamente uma garantia de qualidade e de exclusividade para o consumidor. Para o presidente da Cooperativa Formosa Mar, Manuel Augusto da Paz, a certificação é "uma valorização do que se produz na Ria", trazendo "mais proveitos económicos e melhores condições" aos que dela tiram o sustento do dia-a-dia. E adianta que os dois produtos com melhores condições para a certificação são a amêijoa boa e a ostra.

"A amêijoa boa da Ria Formosa é uma das melhores do Mundo e apesar de ser a mesma espécie que é capturada na Foz do Arelho ou na Lagoa de Óbidos, é mais resistente porque aguenta mais tempo fora de água, devido ao tipo de marés da nossa Ria", explica o presidente da Formosa Mar, sustentado que essa especificidade "tem que ser reconhecida através de um processo de certificação".

Para o presidente da VIVMAR - Associação de Viveiristas da Ria Formosa, Américo Custódio, a certificação de produtos da Ria Formosa "é um anseio de muitos anos", que pode trazer benefícios para os proprietários e trabalhadores dos viveiros.

"A certificação deve abranger todos os produtos da Ria, não deve haver descriminações de produtos", opina o dirigente associativo, que considera "muito positivos" os passos dados pelo projecto FORWARD para permitir a certificação de produtos.

Ambos os dirigentes consideram que os estudos no âmbito do FORWARD, nomeadamente os que conduzirão à definição da capacidade de carga da Ria Formosa, são fundamentais para o aumento da qualidade dos produtos da Ria, tanto os bivalves como a produção de aquicultura, sem a qual não serão possíveis as certificações.

Os dois representantes dos viveiristas da Ria Formosa fazem parte da Comissão de Acompanhamento do projecto FORWARD, cuja primeira reunião teve lugar na passada quinta-feira, 20 de Janeiro, na sede do Parque Natural da Ria Formosa, na Quinta de Marim, Olhão.

Integrado no conjunto de objectivos gerais do Plano de Valorização e Gestão Sustentável das Actividades ligadas aos Recursos da Ria, o FORWARD conjuga estudos de campo, experiências de laboratório e modelos matemáticos.

Tem também como objectivos identificar as potencialidades de reconversão e modernização de algumas actividades económicas da Ria, identificar as necessidades de formação de activos para as boas práticas ambientais e contribuir para o planeamento da pesca e apanha lúdica no espaço lagunar.

Na reunião da Comissão de Acompanhamento, as apresentações estiveram a cargo da FCT/UNL - IMAR, INRB – IPIMAR e Cooperativa Formosa. Teve lugar uma discussão alargada, contando com intervenções de diversas entidades, tais como a ARH-Algarve, ICNB, e DGPA, bem como de associações de produtores, nomeadamente a VIVMAR, Formosa, e Associação Portuguesa de Aquicultura.

Os estudos do FORWARD continuarão até Janeiro de 2012, sendo realizados por uma equipa multidisplinar conjunta do IPIMAR (coordenada pelo Eng. Carlos Vale) e FCT/UNL - IMAR – Instituto do Mar (coordenada pelo Prof. João Gomes Ferreira), sob a égide do Programa Polis Litoral Ria Formosa. O projecto está a ser desenvolvido em estreita colaboração com a ARH-Algarve, ICNB e Direcção Geral da Pescas e Aquacultura-DGPA.

Estes estudos contribuirão para a melhoria das condições de funcionalidade da Ria Formosa, compatibilizando a conservação dos valores naturais e o exercício das actividades económicas, procurando aumentar a sua produtividade.

Neste âmbito, continuarão a ser realizadas sessões regulares com entidades e representantes dos diversos sectores, de forma a assegurar a participação de todos os interessados ao longo de todo o projecto.

Workshop com Jorge Silva Melo e Antestreia "Brilharetes" na Capa (Faro)


Quinta-feira, Janeiro 27, 2011

Quarta-feira, Janeiro 26, 2011

O que esperam os algarvios da UAlg e da AAUAlg?




















 
O recente aniversário da academia algarvia e as recentes eleições para a associação de estudantes, com o alerta de falta de ambição do projecto universitário vindo de um conselheiro e a recondução do anterior presidente da AAUAlg, levantam a questão da importância que deveriam ter estas duas entidades nas dinâmicas de desenvolvimento da região.
Trinta e um anos depois das saudações e da satisfação pela criação deste expoente de formação e cultura, as propostas de trabalho do presidente reeleito da associação e a crítica pública exterior à região, vêm levantar a oportunidade da renovação do debate sobre o seu papel universalista, o valor e profundidade da intervenção social e política, numa perspectiva de crítica e de balanço dos níveis de satisfação e do que ficou por fazer.
Não estando em causa os contributos alcançados e reconhecidos à UAlg no seu trabalho de inserção na região, trata-se de questionar o seu papel na degradação das condições sociais e económicas e a forma como pode influenciar e até dirigir o seu futuro, intervindo, criticando e propondo direcções de trabalho que alterem e afinem uma estratégia de adaptação aos novos tempos.
A análise de que o Algarve padece de cansaço e mesmo esgotamento de paradigmas, provocados por níveis baixos de literacia dirigista e que obedeceu a critérios partidários de abuso do uso do território numa visão de curto prazo e egocentrismo concelhio, é sustentada e contou com a conivência, atropelo e excesso de instituições reguladoras e a benevolência das do conhecimento.
Com a gravidade da crise que atravessamos, apesar das folgas financeiras dos concelhos mais turísticos e de mais de 20 anos de apoios externos cuja dispersão não contribuiu para a sustentabilidade, o Algarve parece não ser capaz de fugir do abismo, acumulam-se os problemas e as forças locais parecem letárgicas e dependentes, podendo a Universidade tomar a dianteira na reacção e definição de um novo modelo de desenvolvimento, cortando no desperdício e com total aproveitamento dos recursos disponíveis e a sua ligação ao QREN.
Falta ao Algarve uma visão e trabalho de conjunto, onde o estudo e o conhecimento têm de vencer o protagonismo e o oportunismo político das virgens instaladas, saídas dos conluios partidários, que se conchavaram e constituíram num factor de obstrução e insistência nos estereótipos.
Sobre a AAUAlg, o caminho percorrido está mais virado para o divertimento e as pequenas tarefas caseiras de apoio ao estudante do que para os grandes problemas do crescimento da oferta universitária, a qualidade dos cursos, as garantias do Estado de que nenhum aluno aplicado deixa de estudar por falta de condições financeiras e a capacidade de integração no mercado de trabalho, questões em que deveria provocar a polémica com a direcção da escola, as autoridades e a sociedade.
Se a degradação da Acção Social, que vai repor a selectividade financeira no acesso ao ensino superior é um problema agora colocado na ordem do dia, outros, como o aumento das propinas, os 60 mil licenceados desempregados e os que foram obrigados a aceitar trabalhos desapropriados das suas competências, somados à crescente redução da capacidade financeira das famílias, têm estado no esquecimento do movimento estudantil.
O reconhecido valor acrescentado da UAlg na vivência e economia da cidade e da região são dados adquiridos que justificam retorno por parte do poder, não podendo a carteira reivindicativa dos estudantes ficar-se por questões menores.
O Algarve precisa de uma Universidade interventiva, que queira correr riscos e traga para a rua as suas opiniões de afrontamento das políticas públicas e privadas que se revelam incapazes de nos dar um rumo de crescimento e criação de riqueza social.
A crise que abala o mundo, o país e a região já está trazendo convulsões e modificações políticas que em Portugal não se fazem sentir. As velhas políticas e as suas estruturas que geraram o nosso endividamento e empobrecimento não foram abaladas e procuram salvar a face. O país definha e as assimetrias regionais vão aprofundar-se. As culpas vão transformar-se num poder renovado sobre a continuação das nossas ilusões e iremos continuar a pagá-las bem caro. O Algarve está a pagar a crise bem cara. Os algarvios conhecem os seus problemas e quem os engana. Falta saber até quando e como nos devemos orientar na criatividade e na ambição!

Luis Alexandre

Eleições Presidenciais 2011 - Ventríloquismo e incompetência.

Os directores-gerais da Administração Interna e da Administração Eleitoral pediram a demissão devido aos problemas ocorridos com os cartões do cidadão nas eleições de domingo passado, disse à Lusa fonte do Ministério da Administração Interna. mais aqui

O clone falou pelo clonado. Dá ideia que ambos - e mais uns quantos pseudo-espertos - entendem (e entendem mesmo) que a legitimidade política tem exclusivos e donos (eles). Sampaio foi reeleito com menos 600 mil votos em 2001 mas, como é da "casa", isso não interessa nada e até "deu" para dissolver um parlamento com uma maioria. E se alguém a seguir às eleições legislativas de 2009 começasse a diminuir a legitimidade do clonado para formar o governo que lhe aprouveu porque deixou de ter maioria absoluta? O que dói a esta gente é óbvio. O PR tem uma legitimidade política democrática unipessoal que lhe permite falar por cima deles e directamente com o "povo" - com mais ou menos votos porque o PR não é "relativo" nem "minoritário". E saberem que vai mesmo falar.
João Gonçalves

Presentes.

Ruas, bairros, vilas, cidades, ouvir aqui e ver aqui

Hoje no Teatro Lethes às 21h30 - Luís Manhita à “Procura” do seu fado






















  
O fadista algarvio Luís Manhita sobe ao palco do Teatro Lethes na próxima 4ª feira, para apresentar o disco "Procura", uma colecção singular de fados tradicionais e contemporâneos. Acompanhado por Ricardo Martins na guitarra portuguesa e Aníbal Vinhas na viola de fado, Luís Manhita faz a apresentação pública do seu registo de estreia, "Procura", no Teatro Lethes em Faro, no próximo dia 26 de Janeiro, às 21h30.
Em declarações ao Observatório do Algarve, o fadista afirmou que o espectáculo vai ser intimista: "Queremos um ambiente familiar, permitindo ao público viver dentro dos fados a ilusão de que são feitos à sua medida."
À musica junta-se uma componente teatral, e também dança, mistura de linguagens que deriva da formação em artes de palco do cantor, que colaborou com várias companhias teatrais no Algarve.
Nas suas palavras, o espectáculo vai ser "uma encruzilhada de partilhas".
Com 12 temas, "Procura" inclui fados da cartilha tradicional e outros mais contemporâneos. O texto de apresentação, da autoria da actriz Elisabete Martins, sublinha: "…mostra que Fado mora em Lisboa, mas que também tem casa nestas terras ao Sul".
Luís Manhita foi um dos 8 finalistas do concurso/casting de "Fado – História de um Povo", de Filipe La Féria, com transmissão directa na RTP1 desde o Casino do Estoril.

Fungagá da Bicharada!























TAP contraria Finanças e paga salários sem cortes em Janeiro.
"...O presidente da TAP quer, dentro das directivas que tem, minimizar ao máximo o impacto que os cortes terão nos salários dos funcionários da empresa", diz fonte do Governo. Entre as medidas que estão a ser negociadas, está um corte de 30% no subsídio de férias dos pilotos. Apesar de os cortes serem transversais à empresa - com a obrigação de cortar 5% da massa salarial -, o Diário Económico sabe que não serão aplicados da mesma forma a todas as classes profissionais..."


Já a empresa TAP ( e o Estado) foram implacáveis na extinção de mais de 300 postos de trabalho
(grounforce) no Aeroporto de Faro.
 

Visita de autarcas às obras em curso no concelho de Faro

Sábado dia 22 de Janeiro, realizou-se mais uma visita às obras do concelho de Faro, com a presença do presidente da autarquia Eng. Macário Correia.
Os presentes saíram do Largo de São Francisco na direcção da saída nascente da cidade, tendo feito a primeira paragem na nova sede da AGECAL (Associação de Gestores Culturais do Algarve) e CIVIS (Associação para o Aprofundamento da Cidadania). Trata-se de uma casa térrea, recentemente reabilitada, que foi doada à Câmara Municipal pela D. Mariana, com intuito de aí se desenvolverem actividades de estudos concernentes à história e património da cidade. As associações referidas têm desenvolvido nos últimos anos intensa actividade cultural e cívica com evidentes benefícios para a cidade de Faro.

De seguida rumou-se para o Vale da Amoreira para visitar o terreno onde vai ser construído o futuro Centro de Dia/Lar da Santa Casa da Misericórdia. Trata-se de uma construção integralmente nova, com todas as valências técnicas, programáticas e ambientais para proporcionar uma zona residencial de qualidade, com capacidade para acolher 60 utentes em Lar e 20 utentes através do Serviço de Apoio Domiciliário. As obras terão início no próximo Verão prevendo-se a sua conclusão para o natal de 2012.

Na mesma zona os presentes dirigiram-se a um local sobranceiro com vista para toda a extensão do Vale da Amoreira. Aí foi explicado, através da observação de um mapa esquemático, o plano de urbanização do Vale da Amoreira.
A área de intervenção corresponde a uma das principais entradas da cidade, onde se prevê a construção de uma ligação à Via do Infante. A requalificação da zona em termos urbanísticos, a articulação com outros planos regionais e municipais, a constituição de um parque verde e uma expansão urbana com usos diversificados, constituem, igualmente, objecto deste plano.

Em seguida os presentes dirigiram-se para a zona da Bordeira onde foi explicado o plano de rede de águas e esgotos para a Bordeira, Conceição, Torre Natal, Bela Curral e Virgílios.
"No prazo de 730 dias prevê-se que sejam executados71Kms de rede e 1500 ramais de abastecimento de água, bem com a construção de 2 Reservatórios. A obra contempla de igual modo, 50 kms de rede e 800 ramais de saneamento, bem como a construção de 1 central elevatória."

Próxima paragem – Braciais, Patacão. Esta zona vai ser objecto de uma operação de loteamento, com intuito de realojar populações que neste momento não dispõem de alojamentos condignos, dotando-a igualmente de equipamentos sociais, educativos e desportivos.
"Dada a especificidade do programa e dos seus destinatários, os modelos edificados e a ocupação urbanística proposta pretendem compatibilizar usos, assumindo para tal a imagem de pequenas moradias unifamiliares em banda e geminadas com quintais e pequenas hortas associadas, apresentando por outro lado, baixa densidade e volumetria que permite uma equilibrada convivência com o meio rural envolvente e serve de referência à reestruturação das áreas edificadas que lhe são vizinhas."

Finalmente os presentes dirigiram-se para o aeroporto de Faro para apreciar o projecto de um hotel a ser construído adjacente à sua área.
"Trata-se de um projecto Aerotel para um estabelecimento hoteleiro de categoria de 3 estrelas. O edifício é composto por três pisos acima da soleira, e do ponto de vista volumétrico, por dois corpos de forma paralelepipédica que se desenvolvem horizontalmente e que se intersectam numa área central a quem correspondem os acessos verticais principais."
Este hotel vai ao encontro de uma tendência que se verifica actualmente de implantar unidades hoteleiras junto a aeroportos.

ADF

Apresentação do Lama - Laboratório de Artes e Média do Algarve

Terça-feira, Janeiro 25, 2011

Usura nos combustíveis sem protesto?

Há vários meses, um insuspeito gestor de uma importante empresa público-privada ligada à energia e ex-ministro, de seu nome António Mexia, disse com a autoridade que lhe enche o peito, que os combustíveis iriam nos próximos tempos ultrapassar os máximos históricos de 2009.

Depois do aviso, veio a verdade. E donde virá toda esta capacidade de fazer futurologia de preços? O que sabe este cidadão de primeira que não sabem os súbditos da pátria? Mas ninguém lhe perguntou nada ou pretendeu apurar a assertividade!

Os combustíveis não param de subir e o Governo esfrega as mãos. Tem boca grande no negócio e o silêncio é de todo conveniente. As empresas e os muitos particulares que não têm alternativas para se deslocarem para o ganha-pão, também não param de fazer contas sobre um orçamento que só encolhe.

Salazar teve vários problemas de contestação social por pretender acrescentar centavos no negócio. Hoje, o país tem proporcionalmente com o que se ganha os combustíveis mais caros da Europa e o povo cala-se. Julgará que está a construir o progresso apesar de perceber que não é o seu.

Se sobe o preço do barril, os combustíveis aumentam, se sobe o dólar face ao euro, voltam a aumentar e mesmo a variação da cotação em contrário não faz mexer o preço. Aumenta o IVA, sobem os preços, há um acidente com uma plataforma, sobem os preços e estamos chegados a este ponto insustentável.

Os protestos por canais mais reservados já levaram o presidente do ACP a afirmar que nos meandros deste jogo há cartel. O Governo terá ouvido com orelhas moucas. As gasolineiras nem quiseram ouvir, com a patriótica GALP à cabeça. A única resposta de sensibilidade… a pensar em não perder mercado…, foi recorrer ao estratagema de mais baixo preço localizado, com menos qualidade… dita inofensiva e com muita paciência de espera dos clientes.

Carlos Barbosa do ACP, falou debaixo da preocupação da capacidade financeira das empresas em enfrentarem os custos desta importante parcela e a sua contribuição para a recuperação da economia, fez afirmações que não são novas e já ouvidas de outras entidades mas, a autoridade da concorrência não se mexe, nem o Ministério Público, pressupondo que a cartelização é crime. Estamos em Portugal!

E provavelmente às portas do Verão teremos o gasóleo na casa do euro e meio ou mais, numa escalada estratégica de aproximar o preço ao das gasolinas, na sequência do que tem vindo a acontecer de forma paulatina.

Luis Alexandre

Finalmente (quase) todos juntos pelo Algarve.

Depois de ontem se terem voltado a reunir na sede da Comunidade Intermunicipal do Algarve (Amal), em Faro, as cinco associações empresariais da região (AHETA, AIHSA, Nera, Ceal e Acral), a Comissão de Utentes da A22, as estruturas sindicais CGTP e UGT e a própria Amal tornaram finalmente público, esta terça-feira, o manifesto que oficializa a união das forças algarvias para travar o pagamento da A22.

Sem nenhum logótipo principal, o documento começa por atribuir ao PS e ao PSD responsabilidades na introdução de portagens na Via do Infante, sem que estejam concluídas as obras de requalificação da EN125, de forma a torná-la numa alternativa. in Barlavento

Mar agitado.

Ria Formosa - Farol (vista de Faro) em dia de tempestade (ontem)
fotografia de Luís Rosa.

Corta!

Governo corta indemnizações por despedimento de 30 para 20 dias por ano de trabalho
 
O Governo vai reduzir o valor das indemnizações por despedimento, propondo o pagamento de 20 dias por cada ano de serviço e ainda a aplicação de um tecto de 12 meses. Esta é a proposta que está a ser apresentada neste momento aos parceiros sociais.
Actualmente, os trabalhadores despedidos têm direito a uma compensação de 30 dias por cada ano de antiguidade e sem qualquer limite de valor. Por exemplo, um funcionário com 20 anos de casa tem direito a uma indemnização correspondente a 20 meses de salário. Com a proposta do Governo, passa então a existir um limite de 12 meses no pagamento de compensações. Este era, aliás, o tecto proposto pelos parceiros patronais.
Já no que diz respeito à fórmula de cálculo, enquanto o Comércio e o Turismo pediam a redução das compensações para 21 dias, a CIP - Confederação Empresarial de Portugal, reivindicava o pagamento de apenas meio mês por cada ano de antiguidade.

Segunda-feira, Janeiro 24, 2011

Demolição do pavilhão e das oficinas da Escola Tomás Cabreira.

Obra em 11 Janeiro 2011
Exmo. Presidente do Conselho Directivo

da Escola Tomás Cabreira,

Neste momento, muitos são os farenses e ex-alunos da Escola Tomás

Cabreira que, com enorme indignação, se interrogam sobre a demolição
do pavilhão e das oficinas desta escola. Após ler a sua entrevista ao
blog "A Defesa de Faro", publicada no passado dia 19 de Janeiro,
existem várias questões que V. Exa., como responsável máximo da Escola
Tomás Cabreira, deveria clarificar aos cidadãos de Faro. Nomeadamente:

1. Onde pode ser visto o novo projecto para a Escola Tomás Cabreira?

Será secreto? Muitos farenses teriam interesse em saber o que vai ser
construído em substituição do pavilhão e das oficinas...

2. Qual é a "comunidade educativa" a que se refere? Será V. Exa.? São

os seus colegas que leccionam na Escola Tomás Cabreira?

3. Quem foi o autor do documento "Entre Dois Séculos – Esboço para uma

remodelação"? Foi V. Exa.? Foram os seus colegas que não tinham lugar
para estacionar os respectivos automóveis com um parque de
estacionamento subterrâneo a menos de 500 metros?
Pessoalmente (e não devo ser o único), considero, no mínimo, absurdos
muitos dos argumentos referidos no documento "Entre Dois Séculos –
Esboço para uma remodelação" e que tentam sustentar as demolições do
ginásio e das oficinas justificando o injustificável. Não se
compreende qual a relação da reestruturação da oferta e prática
formativa com a demolição do ginásio e das oficinas. Por essa Europa
fora (e cito apenas alguns exemplos como os das universidades de
Oxford, Glasgow, Bolonha, Heidelberg ou Zurique) estimam-se,
renovam-se e modernizam-se os edifícios antigos dando-lhes, muitas
vezes, outros usos e tornando-os plenamente funcionais. Será que
nesses países europeus, não deram conta de problemas semelhantes aos
apresentados no documento "Entre Dois Séculos – Esboço para uma
remodelação"? Possivelmente não... ou então devem ser demasiado
estúpidos para não os conseguirem enxergar.

4. É curioso que, no final da entrevista, V. Exa. alegue que só se

responsabiliza pela proposta inicial e pelas alterações conseguidas no
projecto apresentado pela Parque Escolar. Fica no ar que haverá algo
pelo qual V. Exa. não se vai responsabilizar... mas quem foi afinal o
impulsionador de todo este processo?

Como farense e ex-aluno da Escola Tomás Cabreira, não posso deixar de

terminar este meu manisfesto, sem lhe dizer o que penso de tudo isto.
O Senhor Domingos Grilo não é farense, nem algarvio. Enfim, foi uma
das muitas "aves de arribação" que caiu nesta cidade a troco de um
ganha-pão no ensino. Sim, porque na década de oitenta o Ministério da
Educação tinha por hábito pôr a mão por baixo de alguns incapazes que
não conseguiam emprego após se tornarem bacharéis. E como os melhores
não são eternos, o Senhor Domingos Grilo foi, a pouco e pouco (e sem
saber bem como), subindo na estrutura interna da Escola Tomás Cabreira
até chegar ao topo. Tendo-o conhecido numa sala de aula há cerca de 20
anos atrás, lembro-me bem quando o Senhor Domingos Grilo era
confrontado com dúvidas sobre questões (elementares) de Análise
Matemática que eu lhe colocava. Não me conseguindo esclarecer naquele
momento, apontava-as então num pequeno papel dizendo-me, em voz baixa,
que na aula seguinte me daria a resposta. Esta é a prova de como o
Senhor, no desempenho das suas funções, sempre foi um professor
medíocre e limitado. Por muito que custe à maioria dos farenses, muito
particularmente aos ex-alunos da Escola Tomás Cabreira, a penosa e
miserável imagem da destruição do ginásio e das oficinas, mais não é
do que um reflexo fiel de quem a tem dirigido nestes últimos anos.

André Rodrigues

(IN)disciplina de voto - o comentário

Se a votação dos socialistas, não deixa de ser vergonhosa, ainda se compreende à luz dos «tachos» que querem manter.

A votação do fulano do norte, que é deputado do Algarve pelo CDS, tb se compreende, pois o homem nem deve saber onde fica o Algarve quanto mais perceber as especificidades da região.

Mas, o sentido do voto do Bota além de vergonhoso revela falta de coragem e incoerencia. Como quer este homem levar por diante a reforma da regionalização, se ele nem é capaz de ir contra a disciplina de voto numa questão de portagens?É este o naipe de representantes que temos na AR? meninos de coro, demagogos e mais preocupados com as suas carreiras do que com as causas da região que representam.

Se tudo isto se resume à disciplina de voto, então pode-se dispensar totalidade dos deputados. Os partidos poem lá um funcionario que representa o a direcção do mesmo e vota conforme as instruções que receber. assim sempre se evitam estes espectáculos degradantes.

anónimo

A direita cantava vitória.

Na última sexta-feira, os ideólogos da direita já discutiam os acordos pós-eleitorais dos partidos apoiantes de Cavaco Silva para chegarem ao poder. A eleição de Cavaco era só o primeiro passo e concretizou-se.
A vitória de Cavaco Silva é a derrota das políticas dos Governos do PS e José Sócrates, apesar de este, o presidente reeleito, as apoiar pela aprovação dos PEC e do OE para o ano de 2011.
A vitória esmagadora de Cavaco Silva, que ganhou em todos os distritos e representa os interesses capitalistas nacionais e internacionais que produziram a actual crise e as soluções repressivas que o país atravessa, traz consigo a derrota daquelas forças que se arrogam de esquerda e que no exercício do poder governativo perante elas se ajoelharam.
Manuel Alegre, o candidato melhor posicionado e representante de uma esquerda burguesa e diletante, que nunca se demarcou das políticas da sua matriz partidária e detentora do poder, foi derrotado porque não logrou a confiança da massa popular que protagonizou a maior abstenção em eleições presidenciais.
A derrota de Manuel Alegre prenuncia a facilidade institucional da direita em rebater o Governo e o partido que o apoia, criando as condições políticas para que o presidente reeleito, cuja campanha explorou de forma oportunista a política governamental de que é conivente e que não difere em termos de fundo da que praticou em igual exercício, abrindo o caminho à dissolução da legislatura para cumprir uma estratégia de reforço de poder nas mãos do grande capital que o apoia.
A reeleição de Cavaco Silva, cujo mandato abrigou as exigências e a especulação externas sobre a vida dos portugueses e a independência nacional, constitui mais um acto de reprovação sobre Sócrates e o Governo PS, do que um reconhecido mérito e identificação com os problemas do povo português.
Confirmados os resultados que nos oferecem um presidente eleito com menos de um terço de portugueses, o que poderemos esperar dos tempos vindouros?
Para os trabalhadores, caso não ousem confrontar o sistema instituído que os humilha e explora, o que fica garantido é uma velha forma de analisar os seus protestos e a sua repressão, como a que assistimos recentemente sobre sindicalistas em protesto.
Para o poder económico, de raiz nacional ou internacional, que se apropria do trabalho a troco de salários miseráveis, é a protecção a partir da visão presidencial de manter um rumo no país.
Para o PS e PSD, perdedor e ganhador ocasionais nesta situação eleitoral, trata-se da luta por uma alternância de poder para os mesmos objectivos que a crise política continua a impor e que os uniu.
A eleição alcançada por Cavaco Silva, como expoente da confiança do capitalismo e no contexto de convulsões sociais previsíveis, vai ser um factor de apoio ao agravamento das condições de vida do povo português e de repressão das lutas que ousar travar.
Deixemos que o tempo fale.

Luis Alexandre

Juca & Zeca

Domingo, Janeiro 23, 2011

Cavaco eleito.

Vitória de Cavaco, eleito à primeira volta, votação interessante dos independentes Fernando Nobre e J.M.Coelho, grande derrota de Manuel Alegre e da Esquerda e muito cuidado com o aproveitamento do PSD nestas eleições... Agora regressamos todos à nossa (triste) realidade.

O Cartão de Cidadão.

os resultados aqui

CAVACO SILVA: "A vitória de hoje é também a vitória da verdade sobre a calúnia"

Cavaco e os Fariseus

Desproporções (Cresce a participação de sociedade civil na área política)

«O Correio da Manhã lançou uma petição online intitulada “Enriquecimento ilícito é crime”, que assinei na primeira oportunidade. Em poucos dias, a petição reuniu mais de 16 mil subscritores. Alguns políticos e comentadores (por vezes confundem-se), ouvindo falar na petição, disseram de imediato tratar-se de uma iniciativa “populista” e “demagógica”. Não é nada. O texto é cristalino, escorreito, claro, factual: propõe a punição com pena de prisão até cinco anos de qualquer político que, no exercício das suas funções ou nos três anos seguintes, adquira, “por si ou por interposta pessoa, quaisquer bens cujo valor esteja em manifesta desproporção com o seu rendimento declarado” e que não faça prova da sua proveniência lícita. É interessante que a iniciativa parta de um diário. Há um século, os jornais dedicavam-se a causas; entretanto, esse empenho passou para partidos e associações políticas; a imprensa tornou-se um pouco blasée nessa matéria. Proporcionou-se ao CM lançar esta causa porque, até agora, o sistema político resistiu a legislar eficientemente contra a corrupção, a deixar-se escrutinar e a criar mecanismos razoáveis para impedir a corrupção no seu seio. O jornal substituiu-se aos partidos políticos incapazes ou adversários da sua própria auto-regulação e tomou lugar na sociedade civil a que pertence. É um sinal dos tempos. Cresce a participação da sociedade civil na área política. Se os partidos não politicam como a sociedade quer, jornais e sites (como a Wikileaks) entram em acção, organizando esporadicamente os cidadãos. A sociedade em rede metamorfoseia-se a todo o instante, enquanto o sistema petrifica.»

Eduardo Cintra Torres, Público

Eleições: A sul tudo a votos.

Fuzeta - Fotografia da "tranquila" freguesia de Olhão.

Fuzeta vota e pescadores manifestam-se devido a boicote falhado

Sábado, Janeiro 22, 2011

(IN)disciplina de voto ( no seguimento do post Palhaços)

Bota votou "contrariado" nas portagens O deputado Mendes Bota (PSD) votou contra a proposta do Bloco de Esquerda, na Assembleia da República, que recomendava ao Governo a suspensão da introdução de portagens na Via do Infante (A22), que está prevista para 15 de Abril.
O deputado disse ao CM que votou "contrariado", porque sempre foi contra as portagens, apesar de ter uma posição contrária à da Direcção Nacional do PSD. "Não pude votar favoravelmente a proposta de suspensão das portagens. Pedi liberdade de voto para ser coerente com a minha posição mas o grupo parlamentar do PSD não concedeu", lamentou Bota.
O deputado entende que as portagens na A22 vão provocar "um impacto económico e social tremendo" e que o "Algarve recuará duas ou três décadas".


Votação na reunião plenária nº39
Rejeitado.

Contra: PS, PSD
Abstenção: CDS-PP

A Favor: BE, PCP, PEV

* penso que no PS também todos os deputados que "representam" o Algarve votaram contra a suspensão das portagens.

Outra votação:
"... A proposta do Governo que criminaliza a violência escolar foi aprovada na generalidade, com a abstenção do CDS e PSD, mas com dois votos contra de dois deputados socialistas, Sérgio Sousa Pinto e Vera Jardim..."

"... Depois da tempestade, Francisco Assis opta pela bonança. O líder parlamentar do PS deu por encerrado o caso do vice-presidente Sousa Pinto, que enfrentou o Governo no plenário por causa da proposta de criminalização da violência escolar. E que ontem quebrou a disciplina de voto e votou contra o texto do Governo, tal como Vera Jardim. Uma atitude inédita desde que o PS perdeu a maioria absoluta no Parlamento..."


Considero a disciplina de voto algo que é utilizado quando interessa para limpar as responsabilidades perante os outros ou seja um ato cobarde e que nada dignifica a democracia e os partidos ditos democráticos que a utilizam para impor a vontade dos seus interesses


Neste caso particular da Via do Infante, esta nunca foi uma scut e também nunca ouvi os senhores do norte Presidentes de Câmara do PSD afirmarem que as scuts no norte derraparam mais de 40% do valor inicial querendo impor igualdade no que sempre foi desigual.

Os botas os Freitas é tudo farinha do mesmo saco, enrolam a língua com medo de perder as vantagens que adquiriram e por isso vendem a alma ao diabo utilizando a cobertura da santidade e irmandade da disciplina de voto, deviam de ter vergonha na cara, eu como cidadão enoja-me gente cobarde e com falta de dignidade para desempenhar o cargo que todos nós lhes proporcionámos, de deputados só tem o nome mas somos o Portugal que merecemos, amanha iremos eleger o ALI BA BA E OS 40 LADRÕES na paz do senhor . Ámen

Francisco Custódio P. Correia

Concerto de Homenagem ao Padre Júlio Tropa.

 No próximo dia 29 de Janeiro, o Coral Ossónoba realiza um Concerto de Homenagem ao Padre Júlio Tropa.
A Igreja Matriz de Santa Bárbara de Nexe foi o local escolhido para este concerto. Às 17h00, depois da missa semanal, este Coro algarvio oferece as suas vozes a toda a audiência, como forma de homenagear um homem que tem vindo a marcar toda a Igreja algarvia e, principalmente, aquela terra.
Com mais de 49 anos de sacerdócio, o Padre Júlio Tropa foi nomeado, em 1969, Pároco de Santa Bárbara de Nexe, acumulando a paróquia de Estoi em 1973. Desde aí, tem vindo a desenvolver a sua actividade pastoral naquela vasta zona rural, pertencente à capital algarvia.

O Circo continua!

até este "refugiado" continua no espectáculo.

Sexta-feira, Janeiro 21, 2011

O CASO DO DESAPARECIMENTO DOS ACCESS 2.3 DO CENTRO NÁUTICO DA PRAIA DE FARO

Vela adaptada 2001
Como é relativamente do conhecimento público, há cerca de duas décadas que tenho vindo a colaborar com vários Orgãos da Comunicação Social através da publicação de textos e artigos de opinião sobre uma grande diversidade de temas e situações do dia a dia.
Nos últimos dez anos vivi na cidade de Quarteira (Vilamoura) onde colaborei intensamente na introdução da Vela Adaptada no Algarve e em Portugal, factos que estão devidamente registados e dos quais não escondo uma enorme satisfação e orgulho.
Mudei-me recentemente para a Praia de Faro e curiosamente a primeira notícia que recebo refere-se ao furto das embarcações Access 2.3, pela vinda das quais para o Algarve me esforcei muitíssimo tendo dedicado dois anos de trabalho a escrever e a contactar Entidades e Patrocinadores para reunir as verbas necessárias à sua aquisição.
Perante este furto resolvi escrever um texto que foi publicado em vários Blogues e Orgãos da Comunicação Social a alertar para o facto destas embarcações servirem uma causa que sempre defendi e abracei, o lazer e bem estar da população deficiente.
Após a publicação destes textos comecei a sentir algum incómodo por parte de algumas pessoas ligadas ao Ginásio Clube Naval de Faro e Centro Náutico da Praia de Faro que evocaram o facto de não estar de momento ligado à Vela Adaptada, para "repudiar" a minha atitude em escrever sobre o assunto.
Uma coisa é certa. As embarcações estiveram desaparecidas, ao que consta, durante três semanas. Após a publicação dos textos, em menos de 24 horas foram recuperadas.
Estou satisfeito pelo regresso dos Access 2.3, ainda que, ao que parece, possa ter incomodado alguém.

Luís Nadkarni

Esclarecimento final.

Votação na Reunião Plenária nº. 39
Rejeitado

Contra: PS, PSD
Abstenção: CDS-PP
A Favor: BE, PCP, PEV



PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 302/XI/2.ª

 
SUSPENDE O PROCESSO DE INTRODUÇÃO DE
PORTAGENS NA VIA DO INFANTE
 
A Via do Infante constitui um eixo rodoviário fundamental na região do Algarve, cujo impacte ultrapassa largamente a região. Desenvolvendo-se transversalmente ao longo de todo o distrito de Faro, esta via articula as ligações Norte-Sul Nacionais do IP1 (A2) com a ligação a Espanha pela Andaluzia (A49).
A implementação de portagens na A22 redundará em perda de competitividade do Algarve, com danos incalculáveis para a economia regional e para a actividade turística. No plano da mobilidade regional, esta via constitui-se como um mecanismo fundamental no combate às assimetrias regionais, desertificação e carência de vias de comunicação.
A história deste eixo rodoviário começa em 1990, com as primeiras obras, que estabeleceram a ligação entre Guia e Vila Real de Santo António, sendo que apenas o troço final, entre Lagoa e Lagos, concluído já em 2003, foi construído após a criação do regime Sem Custos para os Utilizadores (SCUT).
Criado pelo Decreto-Lei nº 267/97, de 2 de Outubro, o regime de portagem sem cobrança aos utilizadores (SCUT) surgiu com o objectivo de «acelerar por novas formas a execução do plano rodoviário nacional de modo a permitir, até ao ano 2000, a conclusão da rede fundamental e de parte significativa da rede complementar». As concessões SCUT constituíam, assim, auto-estradas em que o Estado se substituía ao utilizador no pagamento da portagem, sendo o investimento suportado pelos impostos de todos os contribuintes.
Inicialmente traçada como Itinerário Complementar, a Via do Infante foi construída com recurso ao orçamento público durante os XI, XII e XIV Governos Constitucionais, assim como através de fundos comunitários, nomeadamente do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).
A maior parte do financiamento, no valor de 132,9 milhões de euros, foi disponibilizada entre 1990 e 1993, durante o Quadro Comunitário de Apoio (QCA I), sendo que apenas o troço entre Guia e Alcantarilha foi financiado no período compreendido entre 2000 e 2006, no valor de 9,1 milhões de euros.
Em Julho de 2003, o então ministro das Obras Públicas, Transportes e Habitação do Governo de Durão Barroso (PSD), Carmona Rodrigues, defendeu a urgente revisão do modelo das auto-estradas sem custos para o utilizador, no sentido de as portajar.
Desde 2006, os Governos do Partido Socialista sustentaram que as condições de implementação de introdução de portagens nas Concessões SCUT deveriam obedecer a um conjunto de critérios, matéria enquadrada no sítio oficial do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações. Assim, em Outubro de 2006, o Governo justificou a decisão de introduzir portagens nas SCUT Costa de Prata, Grande Porto e Norte Litoral com base na acumulação dos dois critérios de desenvolvimento económico (PIB per capita e Índice do Poder de Compra Concelhio) e da existência de vias alternativas consideradas como razoáveis. Estes critérios advêm do estudo, "O regime SCUT enquanto instrumento de correcção das assimetrias regionais – estudo de critérios para aplicação de portagens em auto-estradas SCUT", efectuado pela F9 Consulting – Consultores Financeiros, SA, para Estradas de Portugal, EPE.
Não obstante a aprovação ministerial, nunca o Governo verteu os critérios de «desenvolvimento socioeconómico das regiões em causa» e as «alternativas de oferta no sistema rodoviário» para diploma legislativo. Recorde-se que nem mesmo o recente Decreto-Lei n.º 67-A/2010, de 14 de Junho, que identifica os lanços e sublanços de auto-estrada sujeitos ao regime de cobrança de taxas de portagem aos utilizadores, faz referência a quaisquer critérios para justificar a introdução de portagens nuns lanços e isentar noutros. Vingou, apenas, o critério financeiro.
Em Outubro de 2006, o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações anunciou que, pese embora a região do Algarve cumprir os requisitos de desenvolvimento económico, o tempo de percurso da Estrada Nacional 125 ditava a ausência de alternativa rodoviária viável. De acordo com o relatório de, "Cálculo dos tempos de viagem nos corredores rodoviários associados às concessões SCUT e aos percursos alternativos", no caso da concessão do Algarve, «o tempo de percursos através do itinerário alternativo é 1,4 vez (ou 140%) superior ao tempo de percurso através do corredor da SCUT». Assim, concluiu o Governo, aquela SCUT permaneceria sem portagens.
Em Maio de 2008, a tutela assumiu que «enquanto se mantiverem para o Algarve aqueles critérios, não está equacionada a implementação de portagens naquela auto-estrada».
Em Abril de 2009, o então Ministro das Obras Públicas admitiu que «o Governo de José Sócrates decidiu não cobrar portagens em auto-estradas em zonas desfavorecidas, pobres e em locais sem vias alternativas» e que «o Algarve não tem alternativa à Via do Infante» enquanto a requalificação da EN 125 não for uma realidade.
Em Dezembro de 2009, o Governo esclareceu que «as SCUT deverão permanecer como vias sem portagem enquanto se mantiverem as condições que justificaram, em nome da coesão nacional e territorial, a sua implementação, quer no que se refere aos indicadores de desenvolvimento socioeconómico das regiões em causa, quer no que diz respeito às alternativas de oferta no sistema rodoviário».
A Resolução do Conselho de Ministros n.º 75/2010, de 9 de Setembro, verte a introdução de portagens reais nas concessões SCUT que, de acordo com os estudos técnicos efectuados, cumpram os critérios definidos para o efeito quanto ao desenvolvimento económico-social da região e à existência de alternativas. A RCM em apreço determina ainda a beneficiação do regime de discriminação positiva, sistema misto de isenções e descontos nas taxas de portagem, na SCUT do Algarve à população e às empresas dos concelhos inseridos na NUT III Algarve, em que uma qualquer parte do território dessa NUT diste menos de 20km da via rodoviária a portajar.
A Estrada Nacional 125 não constitui alternativa credível, sendo um dos eixos rodoviários mais perigosos da Europa e cuja requalificação está longe de estar concluída. O argumento de que há escolha é, por isso mesmo, absolutamente falso. Aliás, o estudo aprovado pelo Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações em Outubro de 2006 confirma que aquela não é via alternativa, tendo concluído por essa ordem de razão a não introdução de portagens na A22.
Saliente-se que o traçado da EN 125 é caracterizado pelo atravessamento de povoações e localidades densamente povoadas, cruzamentos e sistema de semaforização, facto que resulta numa velocidade média de circulação de 50 km/h. A este facto acresce o impacto da sazonalidade, uma vez que, durante o período estival, aquela via rodoviária sofre um acréscimo de utilização muito significativo.
Por outro lado, o projecto de requalificação daquele eixo rodoviário inclui a criação de 84 rotundas, pelo que se compreende que as características daquele traçado implicam velocidades muito reduzidas e o atravessamento de inúmeras localidades, características manifestamente diferentes das encontradas na designada Via do Infante.
A situação da região não compactua com a introdução de portagens na A22: o Algarve apresenta uma das maiores taxas de desemprego do país, carecendo de medidas de urgência para a dinamização e diversificação da sua economia. Por outro, o peso actual do turismo na economia regional não suporta a introdução de mecanismos de desmotivação da procura, o que só agravaria o quadro de crise.
As estradas constituem um bem público colectivo, insusceptível de ser privatizado, que, enquanto instrumentos de uma política de acessibilidade, asseguram a livre circulação de pessoas e bens. É nesta medida que o Bloco de Esquerda repudia a aplicação do princípio do utilizador-pagador nas auto-estradas em regime de Sem Custos para os Utilizadores.
O contrato de confiança assumido com as populações menos desenvolvidas, para favorecer a acessibilidade territorial, não pode, nem deve, ser alterado, tanto mais quando as condições de atraso de desenvolvimento dessas localidades não foram superadas.
A introdução de portagens na A22 consubstancia uma medida intolerável que lesa gravemente a oferta turística, essencial para o produtor regional, lesa as populações, em particular os trabalhadores e as empresas, e que vêm apenas agudizar a situação de grave crise que se abateu na região.
Esta medida é tanto mais grave quando, nas suas bases programáticas para as Eleições Legislativas de 2009, o Partido Socialista assumiu o compromisso de «intervir na EN125, um investimento de quatrocentos milhões de euros, sem portagens na Via do Infante», pelo que a anunciada medida do Governo manifesta-se de inaceitável hipocrisia política.
É ainda de realçar o que o Programa de Governo do Partido Socialista para as eleições de Setembro de 2009 referia sobre as SCUT: «deverão permanecer como vias sem portagem enquanto se mantiveram as duas condições que justificaram, em nome da coesão territorial, a sua implementação: (i) localizarem-se em regiões cujos indicadores de desenvolvimento socioeconómico sejam inferiores à média nacional; e (ii) não existirem alternativas de oferta no sistema rodoviário» (página 32).
No final de Junho de 2010, em sede de debate quinzenal na Assembleia da República, o Primeiro-Ministro assumiu que não deve haver portagens no Algarve «onde não há alternativa» à Via do Infante. Na sequência, o Bloco de Esquerda requereu ao Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações esclarecimentos face aos critérios em que se baseia para a introdução de portagens na A22, tendo em conta as consequências da crise na região e a ausência de outra opção rodoviária. Volvidos mais de três meses, o Governo ainda não respondeu à pergunta entregue, carecendo a decisão face ao Algarve de cabal explicação.
A instalação de portagens na Via do Infante é uma medida socialmente injusta e que não permite um combate eficaz às assimetrias socioeconómicas e regionais que caracterizam o país. Sem alternativa possível, os utentes passam a suportar directamente os custos de uma via construída maioritariamente por fundos comunitários, fora daquilo a que se viria a convergir nas vias SCUT mais tarde. Este princípio mina a coesão e solidariedade territorial e viola o contrato eleitoral do Partido Socialista, embora tenho o aplauso do PSD.
A alternativa defendida pelo Bloco de Esquerda assenta nos princípios da solidariedade e da defesa da coesão social e da promoção da melhoria das acessibilidades territoriais, quer em infra-estruturas, quer em meios de transporte, como instrumento essencial de uma estratégia de desenvolvimento sustentável.
Com esta iniciativa, o Bloco de Esquerda pretende promover a coerência legislativa com os princípios da coesão territorial e os direitos dos cidadãos.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que suspenda a introdução de um regime efectivo de cobrança de taxas de portagens na auto-estrada designada por SCUT Algarve, prevista até 15 de Abril de 2011, conforme o n.º 3 da Resolução do Conselho de Ministros n.º 75/2010, de 14 de Junho.



 Assembleia da República, 28 de Outubro de 2010.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda

Estórias da hora republicana














 
torre da Igreja de Santa Bárbara de Nexe.
Uma das curiosas preocupações dos governantes da 1ª República, nos primeiros meses de poder, foi a alteração da hora oficial.
Logo em maio de 1911, o Ministro dos Negócios Estrangeiros fez publicar um Decreto assinado por Joaquim Theophilo Braga, António José de Almeida, Bernardino Machado, Amaro de Azevedo Gomes e Manuel de Brito Camacho, com umas considerações muito interessantes:
"Já todos os países cultos, com raras excepções, teem adoptado para base da contagem do tempo o meridiano de Greenwich, segundo o principio acceite na Convenção de Washington em 1884;
Persistirmos no obsoleto systema vigente representaria da nossa parte um verdadeiro atraso perante os progressos da civilização e até uma incuria, dada a nossa situação geographica e os deveres que ella nos impõe (...);
Estas disposições entrarão em vigor no instante em que (...) começar o dia civil 1 de Janeiro de 1912, devendo então todos os relogios ser adiantados ou atrasados convenientemente: no continente de Portugal, os relogios serão nessa occasião adiantados 36’44’,68, desaparecendo também a actual diferença entre 5 minutos entre os relogios internos e exteriores das estações ferro-viarias (...)"
Com a pouca popularidade que os novos governantes foram granjeando, a medida não foi bem aceite e muitos relógios mantiveram-se "pela hora antiga", contestando as intenções republicanas.
E, em finais de 1912, ainda a imprensa regional fazia eco das muitas igrejas em que os padres se recusavam a acatar a ordem de adiantarem os relógios 37 minutos.
Como os sinos tocavam então regulando ritmos de trabalho, a sociedade continuava, na prática, a seguir a hora antiga (os sinos tocavam de manhã para o início da jorna, ao meio dia para o almoço, às 14h para o regresso ao trabalho e às 20 ou 21h para o fecho do comércio).
Os conflitos repetiam-se, pois os republicanos iam reagindo com maus fígados: em Ferragudo chegaram a ser roubados os badalos dos sinos e em Santa Bárbara de Nexe o regedor roubou as chaves da torre da igreja...
Estórias da 1ª República...

João Xavier

(publicado no Jornal do Algarve em 13/01/2011)

A Reabilitação Urbana está-nos a passar ao lado!

Prédio em risco de derrocada na Rua Santo António na principal rua comercial de Faro.
 
A crise financeira e do imobiliário levou a que se centrassem as atenções na recuperação dos centros das cidades. Por todo o lado percebe-se que a Reabilitação Urbana, agora como nunca, está na ordem do dia.
Loulé, Olhão e Tavira têm candidaturas ao Programa JESSICA e têm em curso iniciativas de reabilitação e revitalização urbanas.
Vila Real e Portimão têm mesmo as suas SRU´s.
Faro, embora tenha um centro urbano com maior valor arquitectónico, histórico e cultural, desculpem o bairrismo, não se conhecem projectos ou esforços para acções de reabilitação e revitalização urbana.
Claro que o investimento está fora de causa, mesmo com comparticipações comunitárias o Município teria que assegurar a sua parte.
Mas há muito que pode ser feito sem grandes investimentos. Por exemplo, os poderes de intervenção de uma SRU no âmbito das obras coercivas, da posse administrativa e mesmo do arrendamento forçado, poderiam contribuir para dar vida a partes do centro completamente abandonadas, com a atracção de novos moradores ou de empresas.
Também a dinamização turística da baixa. Para quando a organização da oferta cultural, de turismo da natureza, gastronómica, etc… Para quando um posto de informação turística local? Um site de promoção da Cidade?
Ainda por cima quando temos um conjunto de empresários da baixa com um dinamismo e vontade assinaláveis para fazer da baixa uma forte zona comercial, como se tem visto pelas iniciativas desenvolvidas.
Em Olhão recupera-se a lenda de Floripes. Em Faro temos o Saque do Conde de Essex. O único saque que devia e podia ser recuperado para dinamizar o turismo local.

Saudações farenses

Miguel Sengo da Costa

12 anos depois das mais variadas promessas estamos assim: "Justiça: Bastonário dos Advogados não compreende demora na instalação do Tribunal da Relação de Faro"

O bastonário da Ordem dos Advogados disse esta quinta feira “não compreender” por que o Tribunal da Relação de Faro ainda não foi instalado e garantiu que apoiará todas as iniciativas para funcionar o mais rapidamente possível.
A posição de Marinho Pinto foi manifestada no Algarve, na tomada de posse do novo Conselho Distrital de Faro da Ordem dos Advogados (OA), que será presidido nos próximos três anos por José Leiria, eleito no final do ano passado para suceder no cargo a António Cabrita. mais aqui 

Portagens na EN125?





































recordando Manuel Machado: "Um vintém é um vintém, um cretino é um cretino"















tenrinho e já muito cretino 

Quinta-feira, Janeiro 20, 2011

A22: plataformas

Um dado adquirido, é que os dois principais partidos a nível regional não têm mão sobre o avanço da revolta dos algarvios quanto à injustiça da intenção de introduzir portagens na A22.

Os ecos do alargado descontentamento e a compreensão dos impactos negativos sobre a flagelada economia regional, empurraram a AMAL, sindicatos e associações empresariais para um entendimento que renova a história de 2004, com uma considerável diferença – a forte ligação da corrente de opinião dos líderes regionais de PS e PSD com as suas direcções nacionais e distribuição parlamentar -, responsáveis pela intransigência de portajar.

Na plataforma de 2004, a crise económica e financeira continuava em gestação de encefalia e proveitos bipolarizados, as disputas de poder entre PS e PSD não os aproximavam a nível nacional mas, a nível regional não os impedia de se identificarem com os sentimentos dos desejados eleitores.

A plataforma agora alcançada, porque os perigos de afrontamentos públicos de contestação não deixava saída aos dirigentes, possui em si um conjunto de contradições de posições e objectivos que exigem a vigilância popular.

Entre os que se opõem às portagens porque a A22 é a única via estruturante de longo curso no Algarve e aqueles que apenas exigem a suspensão das portagens enquanto a requalificação da EN 125 não estiver concluída, existe uma diferença de pretensões que não se enquadram na reivindicação de base dos algarvios – a rejeição de quaisquer portagens ainda que mascaradas de isenções passageiras.

Sobre os entendimentos tornados públicos e os próximos passos a percorrer, paira a nebulosidade do legalismo. Do outro lado está a força conjuntural dos dois principais partidos que congeminaram a decisão e que não param de dar sinais exteriores no sentido de a aplicarem.

Nesse lado estão todos os deputados aceites para virem encabeçar as listas do Algarve mais os de cá, que se limitam a pedir desculpas pelas contradições e “reconhecendo que a região vai recuar duas décadas”. Os mesmos que sancionaram a perda de duas lanças no combate ao centralismo e à injustiça contra a região.

Nenhum dos “nossos” eleitos foi contra a vontade dos chefes, preferindo as mordomias e o “peso” da consciência.

A nova plataforma só conta com os algarvios, que estão dispostos a lutar, pelo que se deve preparar muito bem, definindo com clareza e defendendo com firmeza os objectivos e controlar os escolhos das ideias nocivas que a desviem das reais aspirações.

Ousar lutar, para ousar vencer!

Luis Alexandre

Praia de Faro

Praia de Faro, verão, calor, já com uma certas saudades...
fotografia de família.

Juca & Zeca

Quarta-feira, Janeiro 19, 2011

Diálogos na Cidade com Domingos Grilo ( Presidente do conselho Directivo) sobre as obras na Escola Tomás Cabreira

Obras na ESTC - fotografia de H.A.

ADF- As obras que estão a decorrer na escola secundária Tomás Cabreira estão a gerar uma grande controvérsia na cidade, devido à demolição das instalações do ginásio e das oficinas.
Como director da Escola, como analisa esta situação?

DG - Começaria por esclarecer que as demolições recentemente efectuadas na Escola
Secundária de Tomás Cabreira são a primeira fase visível de um processo iniciado há cerca de
três anos. Correspondendo a uma clara vontade da comunidade educativa, iniciei, na altura na
qualidade de presidente do Conselho Executivo, uma ampla consulta para definir os princípios
gerais de uma remodelação que se impunha como necessária e urgente. Esta remodelação
tinha duas vertentes complementares, uma que reestruturava a oferta e a prática formativa e
outra que recuperava e transformava o espaço físico da escola. Desta iniciativa resultou, em
Junho de 2008, o documento “Entre Dois Séculos – Esboço para uma remodelação”. Este
documento foi enviado às entidades públicas intervenientes no processo – Ministério da
Educação, Parque Escolar EPE e Município de Faro – que o consideraram pertinente e criativo.
Para comentar a “controvérsia” existente em Faro acerca das demolições nada melhor
que citar o documento atrás referido:

A actual escola Tomás Cabreira vive num conjunto de edifícios com idades e
concepções do ensino e da cidade diferentes e contraditórias. O edifício principal, construído
em 1908 para albergar o Liceu Nacional de Faro, tinha cave, um vasto rés-do-chão e o primeiro
andar estava limitado a parte do corpo da fachada. Integrava-se no jardim da Alameda que
tinha a sua entrada principal ao lado do edifício. As alterações introduzidas na década de 50
foram desastrosas. O corpo principal foi dotado de um primeiro andar em toda a sua área, sem
um estudo devido dos acessos. Foram ainda construídos um ginásio e uma longa fila de
oficinas semelhantes ao padrão industrial vigente na época e hoje totalmente desajustado. Este
conjunto ocupou parte do eixo da Alameda que se viu interrompida por um inestético muro
ainda hoje inacabado. Na década de 90 foi ainda acrescentado um refeitório que prolongou a
muralha” de oficinas e limitou os acessos e a segurança de todo o edifício. (4) Actualmente a
escola tem problemas sérios em relação aos acessos e segurança. Tem os seus recursos
arbitrariamente distribuídos por todo o perímetro escolar. Tem espaços de aula incómodos e
desajustados da sua função. Tem serviços e acesso a pessoas deficientes muito limitados por
barreiras arquitectónicas. Tem um índice baixíssimo de eficiência energética. Tem elevados
custos de manutenção. Tem uma total ausência de lugares de estacionamento de veículos
numa zona da cidade extremamente carente desses espaços. Tem, por fim, uma má relação
com o meio envolvente e constitui-se como um sério obstáculo à requalificação de uma zona
urbana fundamental para a melhoria da qualidade de vida em Faro.
Consideramos que a escola, como lugar privilegiado do conhecimento, deve ser
também um exemplo de boas práticas. Impõe-se uma remodelação que, além de proporcionar
à população escolar um espaço educativo adequado e motivador, reconcilie a Tomás Cabreira
com a cidade e devolva o pleno usufruto do jardim da Alameda às populações.”

ADF- É notório que muitos farenses estão sensibilizados e revoltados com o facto de nos últimos anos terem assistido à descaracterização de muitas zonas da cidade, devido a uma política urbanística que não respeita a arquitectura do passado.
Não teria sido possível em vez de demolir aquelas estruturas, terem sido readaptadas às necessidades actuais?

DG - Pelo já exposto se depreende que os elementos arquitectónicos agora demolidos
não apresentavam qualidades que aconselhassem a sua recuperação. Esta seria
contraproducente e mais onerosa que a demolição e posterior construção de edifícios
adequados. A nossa proposta não foi tomada de ânimo leve e teve em consideração os
interesses da escola e do meio urbano envolvente. Cito o documento:

- a remodelação, obra necessariamente onerosa, só se justifica se resultar num
espaço escolar adequado às exigências das práticas pedagógicas, das novas tecnologias e
adaptável à mudança;
- o edifício deverá ser energeticamente eficaz e tendencialmente auto sustentável;
- as alterações deverão minimizar os danos ambientais motivados por sucessivas
alterações incompetentes que ignoraram a integração no meio urbano, nomeadamente a
relação privilegiada com a Alameda, existente na fase inicial da escola. Há que resolver os
sempre esquecidos problemas das acessibilidades e estacionamento de veículos;
- a escola deverá ser um parceiro activo na gestão racional dos equipamentos públicos.
Decorrentes dos princípios enunciados, os autores definiram as seguintes prioridades
funcionais:
- manter apenas o edifício principal existente que deverá ser melhorado na sua
funcionalidade, principalmente nos aspectos relacionados com acessibilidades e segurança;
- localizar a nova construção no topo norte do perímetro escolar para libertar a relação
com a Alameda;
- manter no conjunto a cércea do edifício existente;
- integrar no edifício estacionamento coberto, com índices previstos nos regulamentos
municipais;
- utilizar, para a prática de desportos colectivos, as instalações existentes na Alameda
que serão melhoradas (4);
- integrar no edifício um piso técnico com área adequada às necessidades energéticas
da escola e espaços verdes envolventes.”

ADF- A memória afectiva é um valor que, no frenesim dos tempos actuais, pouca importância lhe é dada. Contudo essa vivência tem uma importância decisiva para o equilíbrio social e para a preservação de uma identidade.
Não acha que uma escola deveria pugnar por esses valores dando o exemplo?

DG - O nome que escolhemos para esta proposta – Entre Dois Séculos – pretende
simbolizar esse compromisso com a memória e fazer a ligação harmoniosa entre o melhor do
passado e o futuro.

ADF- Várias pessoas apontam o exemplo da Escola de S Luís como a comprovação da legitimidade dos receios evocados.
Pelo menos, quando se olha de fora, verifica-se que a zona livre para recreio foi reduzida substancialmente devido à construção de um edifício que não prima pela integração, juntamente com um gradeamento, na zona central, que espartilha completamente o que resta de espaço livre. O resultado final é a de uma escola nitidamente atravancada.
Poderá acontecer o mesmo à Escola Tomás Cabreira?

DG - Toda a comunidade educativa foi chamada a participar no debate que esteve na
origem da nossa proposta. Com base nesta, apresentámos, já na fase de definição do projecto,
através dos vários órgãos de gestão, com destaque para o Conselho Geral onde está
representado o poder autárquico e a sociedade civil, inúmeras alterações aos projectos
realizados. Umas foram atendidas, outras não.
Como director da escola respondo pela proposta inicial e pelas alterações conseguidas
no projecto apresentado pela Parque Escolar EPE afirmando que contribuímos grandemente
para a melhoria de um projecto com o qual não nos identificamos totalmente mas que, estamos
convictos, melhorará substancialmente a escola Tomás Cabreira. Pelo projecto final
responderão os seus autores e o dono da obra, a Parque Escolar EPE.

ADF- Também há quem questione a transparência do processo a nível do concurso, do processo de financiamento, do contrato de construção, etc.
Pode-nos esclarecer estas situações?

DG – A escola não teve, nem terá, qualquer participação nestas áreas pelo que não lhe
compete esclarecer qualquer dúvida sobre estas matérias.

Entrevista realizada por Fernando Silva Grade