Com factos dramáticos a assombrarem de novo Albufeira, as autoridades remetem-se ao silêncio à excepção de desculpabilização do edil presidente, velho conivente da inacção e do silenciamento.
“O que mais posso fazer?”, rematou à imprensa perante o facto consumado da morte por violência de mais um inglês, perpetrada por mais um gang com rasto conhecido…
Os problemas não são novos, o seu crescimento no contexto de um concelho problemático do ponto de vista social, económico e financeiro, revela-se assustador e só contou com cartas e reuniões inócuas com o ministro da tutela.
Já escrevemos no passado, quando os números e a repercussão não eram tão aterradores, que as acções preventivas e a reorganização da prestação da GNR eram necessárias.
Se o número de efectivos é desde há muito insignificante para a dimensão e importância da defesa dos cidadãos, da imagem da região e do país, as condições de crise das finanças públicas estão a acrescentar mais dificuldades às missões policiais.
Em Albufeira temos vários acumulados na organização policial a serem analisados. Vão desde a insatisfação salarial e acomodações que afastam guardas mais experientes, carros degradados, racionamento de combustíveis com limitação do raio de patrulhas, quase total desaparecimento do policiamento de proximidade e a persistência em manter o velho posto da baixa que devendo ser dissuasor funciona como local de queixas com encerramento às 17 horas.
Durante o dia as patrulhas estão nos stop das rotundas e no controlo do estacionamento ilegal (continuando a ser a oferta deste serviço um grave problema estrutural) e há noite não se vêem nas ruas.
Se a noite está facilitada para os vários tipos de meliantes que se treinam, recreiam e abastecem, durante o dia os problemas crescem e assustam.
Na última crise de segurança com visibilidade sobre agressões a estrangeiros (as dos nacionais são notícia vulgar), o ministro veio ao Algarve prometer brigadas mistas cuja existência e eficácia desconhecemos em virtude dos acontecimentos.
Sabemos que o ministro mandou uma caixa com alguns aparelhos para um número diminuto de carros para detectarem matrículas falsas… e o resto…
O problema mostra-se insustentável, está a ter repercussões internacionais com os prejuízos que representa para uma região super dependente do Turismo.
Quando os números começaram a mostrar-se preocupantes e a associação de comerciantes local - a ACOSAL -, começou a elevar o tom, foi acusada pelo presidente do executivo local de prejudicar a imagem do concelho. Lamentavelmente as más políticas de gestão aumentaram os problemas sociais e económicos e por tabela a insegurança.
Tapar o sol com a peneira nunca foi boa solução e o presidente sempre esteve ao lado de Lisboa na desvalorização e agora queixa-se de não ser ouvido… claro, perde-se a autoridade, mas os problemas estão mais vivos do que nunca!
Luis Alexandre
Terça-feira, Maio 31, 2011
Algarve: Turista britânico morre depois de ser agredido em Albufeira.
Albufeira – Um turista britânico, de 50 anos, morreu na passada quarta-feira, vítima de agressões por parte de quatro indivíduos, em Albufeira, que obrigaram à sua hospitalização no dia 15 de Maio. O homem viria a sucumbir aos ferimentos.
Um turista britânico, Ian Haggath, 50 anos, morador na localidade de Dunston perto de Gateshead, encontrava-se a passar férias em Albufeira, quando no passado dia 15 de Maio, foi agredido numa rua da cidade algarvia.
De acordo com o jornal britânico The Guardian, o homem terá sido agredido por quatro indivíduos, estando ainda por apurar as causas da agressão, uma vez que não houve indícios de roubo.
Segundo o mesmo jornal, Haggath sofreu graves ferimentos na cabeça ao ser atacado por um gang, que poderá ser também responsável pela agressão de outros dois turistas britânicos, em Abril passado, sendo que um dos homens, Darren Lackie, de 22 anos também acabou por morrer.
A investigação deste caso tem estado a cargo da GNR, mas poderá passar para a alçada da Polícia Judiciária com a morte da vítima.
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Faro deu um sinal de protesto
Faro foi palco de um comício do PS, como passagem efémera pelo Algarve, que já todos perceberam não era um terreno fácil para banhos de multidão.
O comício de Faro, face a resultados anteriores, era uma prova difícil face ao elevado descontentamento instalado e nunca poderia passar pela indiferença ou a hostilidade popular das arruadas.
O PS Algarve organizou uma formalidade eleitoral sabendo contar com a estrutura ambulante contratada e claramente com todos os arregimentados pelas nomeações. A desconfiança sobre os resultados que se confirmaram de uma fraca mobilização era perceptível e até dava jeito qualquer bode expiatório.
A acção de uma dúzia de cidadãos sem bandeiras partidárias e apenas usando cartazes com palavras de ordem transversais aos sentimentos de contestação da sociedade, acabou por dar o mote necessário ao falhanço da capacidade de convencimento e mobilização da população.
Os cidadãos em protesto, cuja intenção de princípio foi a de contestação de políticas consideradas erradas e prejudiciais para a região, acabou por despertar sentimentos de ira de uma estrutura de segurança, que não agiu sem cobertura e se misturou com a exigência de actuação da polícia.
A polícia que manteve os cidadãos em protesto debaixo de apertada vigilância com descrição, acabou por ceder a um pedido quando nunca esteve em causa a ordem pública ou a segurança dos cidadãos, excepto a dos que protestaram e foram molestados e ameaçados.
Nas palavras de ordem escritas contra as portagens e contra o descontrolo das contas públicas ou mesmo no slogan gritado de “PS amigo, a dívida está contigo”, não estava contida qualquer ofensa pessoal ou inspiração partidária, como os responsáveis do PS quiseram insinuar, no extremo de uma conferência de imprensa tardia.
O desespero de uma fraca mobilização, reflectindo o afastamento da população em relação às políticas do PS, levou responsáveis nacionais do partido aos desideratos de substituírem as responsabilidades dos seus agentes de terreno no Algarve, com a insinuação de os manifestantes estarem ao serviço de um partido…
A situação ocorrida mobilizou as convicções dos outros partidos com assento parlamentar que, sensibilizados pela dor… do PS, se solidarizaram contra os “desrespeitadores” da democracia de pacotilha… não vá o mal tocar-lhes… uns por parcerias e outros por oposição faz de conta.
Nada mais hipócrita e desconhecedor dos factos e da vontade de manifestação do descontentamento popular, que se teve uma dúzia de elementos que seguravam cartazes e faixas, não deixaram de ter dezenas de outros populares por trás a gritarem o mesmo descontentamento.
O que é preciso dizer com todas as letras, é que o descontrolo das hostes do PS se explica nas largas centenas de cargos regionais que estão em risco por consequência de mais um possível desastre eleitoral…
O PS regional vai ter de se confrontar com o que ajudou a construir… e se o seu candidato a primeiro-ministro foi parco em palavras, é porque sabe não ter nada para dizer aos algarvios…
Em seis anos esta é a terceira passagem eleitoral e mais vale uma rouquidão silenciosa que enterrar-se pela repetição do que não concretizaram…
Luis Alexandre
O comício de Faro, face a resultados anteriores, era uma prova difícil face ao elevado descontentamento instalado e nunca poderia passar pela indiferença ou a hostilidade popular das arruadas.
O PS Algarve organizou uma formalidade eleitoral sabendo contar com a estrutura ambulante contratada e claramente com todos os arregimentados pelas nomeações. A desconfiança sobre os resultados que se confirmaram de uma fraca mobilização era perceptível e até dava jeito qualquer bode expiatório.
A acção de uma dúzia de cidadãos sem bandeiras partidárias e apenas usando cartazes com palavras de ordem transversais aos sentimentos de contestação da sociedade, acabou por dar o mote necessário ao falhanço da capacidade de convencimento e mobilização da população.
Os cidadãos em protesto, cuja intenção de princípio foi a de contestação de políticas consideradas erradas e prejudiciais para a região, acabou por despertar sentimentos de ira de uma estrutura de segurança, que não agiu sem cobertura e se misturou com a exigência de actuação da polícia.
A polícia que manteve os cidadãos em protesto debaixo de apertada vigilância com descrição, acabou por ceder a um pedido quando nunca esteve em causa a ordem pública ou a segurança dos cidadãos, excepto a dos que protestaram e foram molestados e ameaçados.
Nas palavras de ordem escritas contra as portagens e contra o descontrolo das contas públicas ou mesmo no slogan gritado de “PS amigo, a dívida está contigo”, não estava contida qualquer ofensa pessoal ou inspiração partidária, como os responsáveis do PS quiseram insinuar, no extremo de uma conferência de imprensa tardia.
O desespero de uma fraca mobilização, reflectindo o afastamento da população em relação às políticas do PS, levou responsáveis nacionais do partido aos desideratos de substituírem as responsabilidades dos seus agentes de terreno no Algarve, com a insinuação de os manifestantes estarem ao serviço de um partido…
A situação ocorrida mobilizou as convicções dos outros partidos com assento parlamentar que, sensibilizados pela dor… do PS, se solidarizaram contra os “desrespeitadores” da democracia de pacotilha… não vá o mal tocar-lhes… uns por parcerias e outros por oposição faz de conta.
Nada mais hipócrita e desconhecedor dos factos e da vontade de manifestação do descontentamento popular, que se teve uma dúzia de elementos que seguravam cartazes e faixas, não deixaram de ter dezenas de outros populares por trás a gritarem o mesmo descontentamento.
O que é preciso dizer com todas as letras, é que o descontrolo das hostes do PS se explica nas largas centenas de cargos regionais que estão em risco por consequência de mais um possível desastre eleitoral…
O PS regional vai ter de se confrontar com o que ajudou a construir… e se o seu candidato a primeiro-ministro foi parco em palavras, é porque sabe não ter nada para dizer aos algarvios…
Em seis anos esta é a terceira passagem eleitoral e mais vale uma rouquidão silenciosa que enterrar-se pela repetição do que não concretizaram…
Luis Alexandre
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Segunda-feira, Maio 30, 2011
Greve da CP pára comboios em quase todo o país esta segunda-feira.
Esta é uma greve de 24 horas dos revisores e operadores de bilheteiras e que inicia já hoje. No entanto, os períodos de greve vão manter-se até ao dia 30 de Junho, com os diferentes serviços a serem afectados em diferentes dias.
Mais leituras:
Para nada
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Notas de campanha
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Domingo, Maio 29, 2011
" Património e Urbanismo em Faro"
Fernando Silva Grade, 55 anos, estudou biologia mas acabou por se dedicar exclusivamente à pintura em Faro, onde vive e trabalha. A natureza é a sua grande paixão. Blogger e contestatário, tem ao longo dos últimos anos dinamizado várias acções de sensibilização do público para o retrato da região e do país.
Dia 30 de Maio, pelas 18 Horas na Biblioteca Ramos Rosa em Faro,
mais uma sessão da FAARON - o Dr. Fernando Silvestre da Silva Grade (Biólogo) Dia 30 de Maio, pelas 18 Horas na Biblioteca Ramos Rosa em Faro,
membro da nossa Direção, apresentará uma comunicação sobre
"Património e Urbanismo em Faro".
A sessão é aberta a todo o público e será seguida de debate sobre o tema.
PSD regional: a fome de poder iludindo a verdade.
Como as sondagens indiciam, o aristocrata da política, Mendes Bota, poderá passar a ser a primeira voz do Algarve. A acontecer, acabará o limbo da segregação cavaquista que dirigiu o partido e o relegou para a menoridade das supostas capacidades…
Enquanto segundo e oposição passeou-se sobre os problemas, atacou e defendeu-se dos adversários, dividiu-se em propostas irrelevantes e retóricas de ocasião, queixou-se de promessas não cumpridas pelos outros, as mesmas que estiveram na agenda laranja.
Sem qualquer relevância nos seus mandatos regionais e deputado pela região, descontando a cobertura ao endividamento das Câmaras da cor e em nada diferente da linha do dito partido socialista, a matéria em destaque na sua postura é o seu posicionamento sobre as portagens.
Da transpiração de opositor de rua à aprovação “forçada” das portagens no parlamento, mediaram bons anos de emprego político. De oposicionista sem resultados para a população que o elegeu, uma das tábuas de salvação - a regionalização -, como primeiro subscritor do “Regiões Sim”, rapidamente passou estrategicamente à adaptação da nova vaga de poder no partido, em que este tema não era prioridade e poderia prejudicar a ânsia de ajudar o Algarve a ter uma voz ou até uma presença governativa, de preferência a dele.
Para salvar o essencial, a missão de serviço ao país pelo exercício do poder central, levou o futuro primeiro deputado a aceitar as cedências sobre duas matérias reivindicativas regionais – as portagens de larga contestação e a regionalização de que muitos desconfiam.
O PSD regional, eterno confidente do centralismo na história da democracia burguesa representativa (?!) manteve-se, com nuances, fiel aos interesses centrais do partido. A sucessão de líderes e o seu protagonismo condicionaram sempre os comportamentos regionais, incapazes de definirem um quadro de reivindicações próprias e alcançáveis. A Mendes Bota não faltaram oportunidades para protagonizar a revolta…, pondo os interesses dos algarvios acima de todos os outros. Fundamentalmente a questão das portagens, numa segunda fase do ciclo democrático e com as suas contradições em ascensão, é um tema de grande unidade transversal. Mendes Bota percebe-o mas não resistiu. Condenou-se e mostrou a face!
A sua eleição, na onda generalizada de protesto sobre as políticas de abandono do Algarve governadas pelo PS, o seu chefe Sócrates e quejandos regionais, garante-lhe um sucesso conjuntural e não alcançado! Mas não é de sucesso pessoal que os algarvios querem ouvir falar. Os problemas regionais estão ao rubro e exigem soluções, que a assinatura conjunta das exigências externas não contempla num futuro Governo
Mendes Bota, incorpore ou não um futuro Governo (cereja antiga no bolo do ego), sabe muito bem que os votos conseguidos são pedras de arremesso sobre as promessas de longo curso. O PSD não escapa ao crivo da sua gestão para interesses locais, goza da conjuntura e não da diferenciação… esperando voltar a ser a alternativa, conseguida de forma oportunista sobre o profundo descontentamento dos algarvios.
Sobre o seu substituto na direcção regional do partido, ainda não saiu (tantos são os problemas) do âmbito local… tirando a lealdade ao líder… e de novo os interesses de capela.
A felicidade do PSD e a pressa pelas capelinhas… ainda conta com uma grande falta de consciência política dos algarvios… e com custos agravados…
Luís Alexandre
Enquanto segundo e oposição passeou-se sobre os problemas, atacou e defendeu-se dos adversários, dividiu-se em propostas irrelevantes e retóricas de ocasião, queixou-se de promessas não cumpridas pelos outros, as mesmas que estiveram na agenda laranja.
Sem qualquer relevância nos seus mandatos regionais e deputado pela região, descontando a cobertura ao endividamento das Câmaras da cor e em nada diferente da linha do dito partido socialista, a matéria em destaque na sua postura é o seu posicionamento sobre as portagens.
Da transpiração de opositor de rua à aprovação “forçada” das portagens no parlamento, mediaram bons anos de emprego político. De oposicionista sem resultados para a população que o elegeu, uma das tábuas de salvação - a regionalização -, como primeiro subscritor do “Regiões Sim”, rapidamente passou estrategicamente à adaptação da nova vaga de poder no partido, em que este tema não era prioridade e poderia prejudicar a ânsia de ajudar o Algarve a ter uma voz ou até uma presença governativa, de preferência a dele.
Para salvar o essencial, a missão de serviço ao país pelo exercício do poder central, levou o futuro primeiro deputado a aceitar as cedências sobre duas matérias reivindicativas regionais – as portagens de larga contestação e a regionalização de que muitos desconfiam.
O PSD regional, eterno confidente do centralismo na história da democracia burguesa representativa (?!) manteve-se, com nuances, fiel aos interesses centrais do partido. A sucessão de líderes e o seu protagonismo condicionaram sempre os comportamentos regionais, incapazes de definirem um quadro de reivindicações próprias e alcançáveis. A Mendes Bota não faltaram oportunidades para protagonizar a revolta…, pondo os interesses dos algarvios acima de todos os outros. Fundamentalmente a questão das portagens, numa segunda fase do ciclo democrático e com as suas contradições em ascensão, é um tema de grande unidade transversal. Mendes Bota percebe-o mas não resistiu. Condenou-se e mostrou a face!
A sua eleição, na onda generalizada de protesto sobre as políticas de abandono do Algarve governadas pelo PS, o seu chefe Sócrates e quejandos regionais, garante-lhe um sucesso conjuntural e não alcançado! Mas não é de sucesso pessoal que os algarvios querem ouvir falar. Os problemas regionais estão ao rubro e exigem soluções, que a assinatura conjunta das exigências externas não contempla num futuro Governo
Mendes Bota, incorpore ou não um futuro Governo (cereja antiga no bolo do ego), sabe muito bem que os votos conseguidos são pedras de arremesso sobre as promessas de longo curso. O PSD não escapa ao crivo da sua gestão para interesses locais, goza da conjuntura e não da diferenciação… esperando voltar a ser a alternativa, conseguida de forma oportunista sobre o profundo descontentamento dos algarvios.
Sobre o seu substituto na direcção regional do partido, ainda não saiu (tantos são os problemas) do âmbito local… tirando a lealdade ao líder… e de novo os interesses de capela.
A felicidade do PSD e a pressa pelas capelinhas… ainda conta com uma grande falta de consciência política dos algarvios… e com custos agravados…
Luís Alexandre
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Sábado, Maio 28, 2011
Remodelação da Escola Tomás Cabreira - comentário
Obrigado ao sr Luis Rosa, pelas boas fotografias do mamarracho.
Vou seguir o conselho do comentarista que sugere que consultemos a documentação exposta no atrio, para ver até onde chega o mau gosto a pouca vergonha e a incompetência dos Ministros do Estado Democrático.
Se querem apagar de vez todos os sinais do Estado Novo, que o façam com equilíbrio e respeito pelo Património que é de todos nós, e a todos muito sacrifício e esforço exigiu.
O lema deste pobre País, devia ser o que vi à dias na placa de um edifício público recuperado pela Câmara Municipal de Almada:
AO MELHOR QUE O PASSADO NOS LEGOU
ESTAMOS A DAR UM BOM FUTURO.
E.S. Toufar Todeles
anónimo
Vou seguir o conselho do comentarista que sugere que consultemos a documentação exposta no atrio, para ver até onde chega o mau gosto a pouca vergonha e a incompetência dos Ministros do Estado Democrático.
Se querem apagar de vez todos os sinais do Estado Novo, que o façam com equilíbrio e respeito pelo Património que é de todos nós, e a todos muito sacrifício e esforço exigiu.
O lema deste pobre País, devia ser o que vi à dias na placa de um edifício público recuperado pela Câmara Municipal de Almada:
AO MELHOR QUE O PASSADO NOS LEGOU
ESTAMOS A DAR UM BOM FUTURO.
E.S. Toufar Todeles
anónimo
Sexta-feira, Maio 27, 2011
Protestos frente ao comício de Sócrates em Faro.
O comício do PS desta noite com José Sócrates, em Faro, está a ser marcado por protestos da população que se reuniu próximo do local onde se realiza a acção de campanha, ao ar livre.
Várias dezenas de pessoas fazem protestos distintos: alguns manifestam-se contra o alto desemprego da região, outros relamam da introdução de portagens na Via do Infante e outros ainda apresentam cartazes dizendo "Fartos de ser roubados".
Palavras de ordem como "Auditorias às contas públicas!" e "Portagens na A22 não!" são ouvidas dentro recinto, conseguindo mesmo perturbar as actividades do comício.
Portugal precisa defender-se dele
A PSP fez esta quinta-feira à noite uma detenção e identificou alguns membros do grupo que se manifestou contra o Governo nas imediações do comício do PS em Faro, que terminou em ambiente de confusão
Sócrates: manifestantes desrespeitaram direito de reunião do PS
Quinta-feira, Maio 26, 2011
" Limpando o Algarve - sucatas: antes e depois" CCDR - por aqui não passaram!!!
Sucata da CMF no Cais comercial de Faro situado na Ria Formosa.
A apresentação dos resultados obtidos no plano de erradicação de sucatas no Algarve, a gestão dos veículos em fim de vida e a relação entre os resíduos e os recursos hídricos vão ser os temas do workshop de abertura da Semana do Ambiente no Algarve, marcado para 2 de junho.
“Os depósitos ilegais com veículos em fim de vida, compostos por materiais perigosos como plásticos, borrachas ou metais, não cumprem normalmente os requisitos para a salvaguarda do ambiente e para evitar a contaminação dos solos”, refere a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve.
O Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território e as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional desenvolveram uma campanha para a limpeza desses espaços ilegais que arrancou em 2008. Na região algarvia, as ações foram coordenadas pelos serviços de Ambiente da CCDR Algarve.
Para evidenciar os resultados finais, em paralelo com a realização do evento a CCDR Algarve convida o público a olhar para excertos das intervenções realizadas entre 2008 e 2011, na exposição fotográfica «Limpando o Algarve – sucatas: antes e depois», que abre dia 2 de junho e fica patente até 31 de julho.
No período da tarde o programa da Semana do Ambiente prossegue com um workshop organizado pela iniciativa Construção Sustentável subordinado ao tema «Cidades Inteligentes (Prosperidade Renovável)», onde serão abordados a eficiência energético ambiental do meio edificado, a descentralização da transformação de recursos renováveis, as redes inteligentes e a capacidade de armazenamento descentralizado de recursos à escala urbana, entre outros.
O evento conta com os apoios do PO Algarve 21, do QREN Quadro de Referência Estratégico Nacional, da Rede Enterprise Europe Network sediada na CCDR Algarve, da Construção Sustentável e de outros parceiros. Programa e inscrições em http://www.ccdr-alg.pt.
Os melhores lugares da sua cidade
Inspirado na iniciativa canadiana 'Great Places' (http://www.cip-icu.ca/greatplaces/en/finalists.asp?type=space) o 'Cidades pela Retoma' lança-vos o desafio de identificar os melhores lugares da sua cidade (na categoria de: ruas, bairros ou espaços públicos).
Envie as suas sugestões (foto e pequeno texto explicativo, com indicação do autor/email) para cidadespelaretoma@gmail.com.
Para mais informação consulte:
http://greatplaces.blogs.sapo.pt/
https://www.facebook.com/pages/Great-Places/199873613391449
“Campanha comer bem é mais barato”
Ora aqui está uma iniciativa a apoiar e aplaudir.
Pese embora no mundo animal o acto de se alimentar seja o mais instintivo e elementar, nós, os humanos urbanos e desnaturados, perdemos a capacidade de nos alimentar adequadamente.
E por isso, assistimos, hoje em dia, à situação de uma quantidade enorme de doenças advir de uma alimentação errónea. As doenças cardiovasculares, a diabetes e a obesidade são alguns exemplos e alcançaram dimensão epidémica.
Existem 2 frases antigas que caracterizam a importância da alimentação: “Tu és aquilo que comes” e “que a comida seja o teu remédio”, esta última da autoria do pai da medicina Hipócrates.
Mas hoje há outras frases que melhor caracterizam a alimentação: “o homem é o único animal que introduz tóxicos nos alimentos que vai comer”, por exemplo.
O processamento artificial dos alimentos atingiu tal dimensão que, a certa altura, duvido que possamos estar perante algo de comestível. Aliás, esse tipo de alimentos ganhou justamente o epíteto de “comida de plástico”.
E esta comida, artificializada, envenenada e pré cozinhada está a um click do botão do micro-ondas para satisfazer o imediatismo do “Homo faber”, enquanto agita o manípulo da televisão ou o rato do computador.
Há uns anos a refeição era um acto solene, ritualizado mesmo, que reunia toda a família e em que a consciência da preciosidade dos alimentos (de qualidade) era manifesto.
Mas neste mundo dessacralizado não tardará a haver gente que pense que os alimentos nascem nos supermercados.
E esta ignorância faz-nos escolher nespras da África do Sul, maçãs da Argentina, cenouras da Holanda, carne da conchinchina e jantar no Macdonalds.
É necessário regressar às 3 premissas fundamentais da alimentação que foram apanágio do homem durante os duzentos mil anos de existência: comer produtos naturais, produtos da região e produtos da época.
Saúdo, pois, esta iniciativa que visa reabilitar um dos pilares da cultura portuguesa: a gastronomia. E, também, para verificarmos como a comida mais simples é muitas vezes a mais saudável e como pode ser, simultaneamente, surpreendentemente barata!
Fernando Silva Grade
O que quer Sócrates de Faro e do Algarve?
Quando amanhã pisar o Largo da Pontinha, Sócrates deverá trazer na memória que há apenas dois anos perdeu metade dos deputados na região e que em dois anos do seu Governo nos levou ao limiar da perda da esperança e as suas políticas criaram os maiores constrangimentos de que há memória na actividade social e económica.
As promessas passadas que não se concretizaram estão na consciência activa dos cidadãos e nada faz acreditar que em mais um assalto a essas consciências, amanhã se repitam.
Sócrates, com seis anos de chefe de Governo e que conseguiu um considerável apoio na região para a primeira maioria absoluta do P”S”, sofreu o revés da ineficácia da sua retórica sem consequências na vida das pessoas. Os seus serventuários locais, que lhe servem de séquito, não gozam de qualquer prestígio demonstrado nas eleições autárquicas, onde foram de novo humilhados.
O comício de amanhã será mais um prolongamento do muro das lamentações de uma família política bem organizada, que se serviu do sistema político para engordar as fileiras e os grandes capitalistas nacionais e estrangeiros que deles se aproximaram olhando aos meios.
Sócrates vai discursar as fraquezas do seu competidor laranja, aliado dos PEC e do OE 2011, quando os dois estiveram lado a lado, mais o multifacetado partido muleta (CDS), na assinatura do programa de Governo da “troika”.
Se os programas de Sócrates no passado não serviram o Algarve e os números e factos estão à vista, (desemprego, falências, insegurança, endividamento privado e público) todos sabemos que os planos de pagamento da crise não vão trazer investimento e desenvolvimento.
Conhecendo as capacidades ficcionistas de Sócrates, amanhã na Pontinha, qual será o seu repertório?
Não creio que o Algarve o ouça…
Luis Alexandre
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Quarta-feira, Maio 25, 2011
seca!
Mais de dez milhões de pessoas afectadas por pior seca dos últimos 50 anos na China
25.05.2011
Helena Geraldes
Pelo menos dez milhões de pessoas já estão a ser afectadas pela pior seca da região Centro da China dos últimos 50 anos. O nível de água nos reservatórios está a baixar para níveis preocupantes, agravando a escassez de electricidade e paralisando o ciclo da plantação de arroz.
A Agência Meteorológica chinesa alertou hoje que nos próximos dez dias a chuva será escassa e as temperaturas chegarão aos 36ºC nas regiões Centro e Sul do país, noticia o jornal “China Daily”.
A precipitação nestas zonas é 30 a 80 por cento inferior aos anos considerados normais. As províncias de Anhui, Jiangsu, Hubei, Hunan, Jiangxi, Zhejiang e o município de Xangai sofrem a pior seca desde 1954.
Ainda de acordo com os dados oficiais, entre Janeiro e Abril, a bacia hidrográfica do rio Yangtzé – o maior rio da Ásia – recebeu menos 40 por cento de precipitação do que a média dos últimos 50 anos.
Até esta segunda-feira, a seca na província de Hubei já tinha afectado cerca de dez milhões de pessoas, mais ou menos a população de Portugal, e influenciado 1,2 milhões de hectares de solos agrícolas, causando perdas directas de 1,1 mil milhões de dólares (781 milhões de euros), avança ainda aquele jornal. Depois de mais de cinco meses sem chuva, nesta província, o nível da água em mais de 1300 reservatórios é tão baixo que já não pode servir para irrigar campos agrícolas, disse Yuan Junguang, director do instituto de gestão de recursos hídricos de Hubei, ao “China Daily”.
O Governo ordenou aos responsáveis da Barragem das Três Gargantas para aumentar as descargas de água entre dez e 30 por cento nas próximas semanas, a fim de tentar solucionar a carência de água potável e para irrigação.
“Sem água suficiente, não podemos plantar arroz a tempo”, lamentou Zhu Xingtao, agricultor de Hubei citado pelo jornal.
Além dos prejuízos na agricultura e das consequências no abastecimento de energia ao país – as hidroeléctricas representam a segunda maior fonte de energia da China, depois do carvão – os especialistas estão também preocupados com os efeitos nefastos para o golfinho de água doce do Yangtzé, uma espécie ameaçada de extinção.
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Campanha Comer bem é mais barato - dia 28 de Maio às 9 horas no mercado a partir das 11horas no Jardim Manuel Bivar.
Dia 28 de Maio :
9h00 - visita ao mercado Municipal de Faro
11h00 - confeção da refeição no Jardim Manuel Bivar
•Creme de cenoura
•Sardinha assada com batatas cozidas e brócolos
Divulgamos ementas saudáveis a 1 euro por pessoa.
A partir de abril, viajamos por 7 cidades para confecionar as receitas baratas ao vivo.
Criada pela Fundação Gulbenkian, Fundação EDP e SIC, com o apoio da DECO e da Associação Portuguesa dos Nutricionistas, a campanha “Comer bem é mais barato” pretende mostrar que é possível aliar o equilíbrio nutricional a um baixo custo. Dados revelam uma progressiva deterioração dos hábitos alimentares dos portugueses, que a crise económica e social agravou.
Até meados de abril, o canal de televisão SIC transmite 7 ementas equilibradas, compostas por sopa, prato e sobremesa, com o custo de € 1 por pessoa cada, calculado pela nossa equipa. Recolhemos os preços dos ingredientes para as ementas a nível nacional, em hiper e minimercados, em fevereiro de 2011. Consulte as receitas no menu ao lado, com ingredientes para 4 pessoas.
Pode também imprimir a brochura em Documentos adicionais: além das 7 ementas, destaque para as nossas dicas sobre comprar e conservar os alimentos.
Numa segunda etapa, vão ser confecionadas as receitas da campanha ao vivo. Formas de cozinhar gastronomicamente apetecíveis, com alimentos ricos em nutrientes essenciais e a preço reduzido, e sugestões para organizar as compras e as refeições
Portugal e a crise internacional!
Os dados da Organização mostram que Portugal será o único país da OCDE em recessão em 2012.
A economia portuguesa deverá contrair-se 2,1% este ano e 1,5% no próximo, estima a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que está mais optimista que Bruxelas também quanto à taxa de desemprego.
A organização, que divulgou hoje as suas mais recentes previsões macroeconómicas para os países membros, apresenta previsões menos pessimistas que as recentemente divulgadas pela Comissão Europeia, que apontavam para uma queda do PIB na ordem dos 2,2% em 2011 e 1,8% em 2012.
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"Vandalismo" (logo a CDU coligada com os verdes!!)
Estudantes em Coimbra em protesto contra comício do PCP
“Limpa, limpa, camarada limpa”
“Limpa, limpa, camarada limpa”
A CDU teve terça-feira o seu comício mais agitado da campanha, com um grupo de estudantes a reclamar a limpeza das Escadas Monumentais com palavras de ordem e assobios que levaram Jerónimo de Sousa a dizer: "não nos calarão". No palco montado no fundo das escadas pintadas desde domingo com mensagens da CDU, sobrepondo-se aos assobios, o secretário-geral comunista começou por lembrar que o PCP conheceu ao longo da história "o silenciamento, a provocação, a proibição".
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Espetáculo de Solidariedade “SOM.MOVIMENTO.AFECTO”
Vai realizar-se no próximo sábado, 28 de Maio, pelas 21h, no Auditório Pedro Ruivo (Conservatório) com o objetivo de angariar fundos para apoiar a escola Ngoanine de Moçambique. A iniciativa e organização está a cargo da ES Tomás Cabreira e o espetáculo conta com a participação de alunos de várias escolas de Faro.
A escola de Nogoanine, que existe desde 2001, é muito pobre. Tem presentemente seis turmas mas as “salas” não têm cadeiras nem mesas. Também não tem energia e as crianças têm uma alimentação bastante deficitária.
Por todos estes motivos dê o seu APOIO e o seu CONTRIBUTO!
Compre um bilhete para o espetáculo… 6 euros – estudantes/ 7,5 – adultos… e estará a AJUDAR!
Terça-feira, Maio 24, 2011
Ecos de Coimbra no Pátio Bar
Fado de Coimbra com o grupo
Ecos de Coimbra
4ªfeira 25 Maio às 21:30
opatiobar.faro@gmail.com
Rua Dr. Cândido Guerreiro 28
289 049 330
Ecos de Coimbra
4ªfeira 25 Maio às 21:30
opatiobar.faro@gmail.com
Rua Dr. Cândido Guerreiro 28
289 049 330
Passos é sério, Sócrates é fixe.
Com o regime de calças na mão, um dos seus patriarcas e velha raposa da montagem política, apercebendo-se mais a fundo da delicadeza da situação, é uma voz adocicada de recurso para influenciar o povo a aceitar as medidas de severidade.
Para ele, os dois homens são de confiança, tal como ele o foi, para depois da degenerescência financeira e económica do país em favor das potências e capitais exploradores, as endireitarem a todo o custo.
O velho Mário Soares, quando assinou a adesão europeia e sobretudo quando a negociou sabia ao que ia e os riscos. Como contrapartidas da exploração e destruição da nossa economia, entrariam os abençoados fundos e ele obrigava-se a uma linguagem mais europeia e a por o “socialismo” na gaveta.
Ninguém melhor que o negociador para perceber que a receita que estava sobre a mesa, era a de construção de uma União económica e financeira e que retirava valores sociais e de independência nacional. Sem referendo, o país deu o passo, os políticos intermediaram caninamente o vai-vem dos capitais especuladores e em 25 anos de “União” e menos de dez de moeda única, estamos de novo na bancarrota.
O circo montado para o dia 5 de Junho, com as mesmas escolas de palhaços e até repetição dos artistas, prometem fazer-nos rir antes de chorarmos as mágoas prolongadas de uma dívida astronómica para uma economia sem recursos.
Os gregos já estão mais gregos e sem luz no túnel, os belgas e italianos entraram no carrossel, os irlandeses estão isolados, os espanhóis na rua e os portugueses alumiados em campanha, diz o velho manhoso, pelo sério e pelo fixe, que os tramaram e aceitam a expiação no poder.
Com a UE desorientada e uma clara divisão entre nações ricas e pobres, com os dinheiros dos pobres dos países ricos a arder na especulação sobre as economias dos países empobrecidos e os grandes lucros a salvo nos paraísos, o futuro, por primazia da subversão sobre a União Social é de fortes traços de desagregação.
Como escrevi recentemente, a Alemanha e a França foram surpreendidas na alegria do saque pela crise mundial que colocou o euro em estado de choque, com vantagem para o dólar cujo país responde politicamente em bloco, ao contrário da UE. A Alemanha e a França, em especial a esperteza da primeira, não tinham planos alternativos para a queda do euro. Os planos já começaram porque os cenários de crises políticas e sociais prolongadas nos países em dificuldades e cujo leque se vai alargando, estão longe de se dissiparem e até constroem reacções inovadoras de profunda revolta.
A UE reage com os seus velhos aclaramentos eleitorais e os socorros financeiros em planos de austeridade, que estão debaixo de profundas suspeitas populares. Não há só vulcões na Islândia.
Portugal é mais um exemplo deste socorro aflitivo onde os candidatos ao Governo sabem dos papeis de carrascos a soldo, receberam um plano de exploração intensiva do trabalho e das pequenas e médias empresas sem que os privilégios dos políticos e os do grande capital tenham sido beliscados.
Não nos deixemos enganar… na sociedade portuguesa não há diferenças sobre o Estado Social… porque ele não existe. O que nos querem fazer perder… foi conquistado e não concedido!
Portugal é outro vulcão do sul… ainda sem explosões e curiosamente com as poeiras da direita a saltarem mais alto que as da falsa esquerda parlamentar…
Luis Alexandre
Para ele, os dois homens são de confiança, tal como ele o foi, para depois da degenerescência financeira e económica do país em favor das potências e capitais exploradores, as endireitarem a todo o custo.
O velho Mário Soares, quando assinou a adesão europeia e sobretudo quando a negociou sabia ao que ia e os riscos. Como contrapartidas da exploração e destruição da nossa economia, entrariam os abençoados fundos e ele obrigava-se a uma linguagem mais europeia e a por o “socialismo” na gaveta.
Ninguém melhor que o negociador para perceber que a receita que estava sobre a mesa, era a de construção de uma União económica e financeira e que retirava valores sociais e de independência nacional. Sem referendo, o país deu o passo, os políticos intermediaram caninamente o vai-vem dos capitais especuladores e em 25 anos de “União” e menos de dez de moeda única, estamos de novo na bancarrota.
O circo montado para o dia 5 de Junho, com as mesmas escolas de palhaços e até repetição dos artistas, prometem fazer-nos rir antes de chorarmos as mágoas prolongadas de uma dívida astronómica para uma economia sem recursos.
Os gregos já estão mais gregos e sem luz no túnel, os belgas e italianos entraram no carrossel, os irlandeses estão isolados, os espanhóis na rua e os portugueses alumiados em campanha, diz o velho manhoso, pelo sério e pelo fixe, que os tramaram e aceitam a expiação no poder.
Com a UE desorientada e uma clara divisão entre nações ricas e pobres, com os dinheiros dos pobres dos países ricos a arder na especulação sobre as economias dos países empobrecidos e os grandes lucros a salvo nos paraísos, o futuro, por primazia da subversão sobre a União Social é de fortes traços de desagregação.
Como escrevi recentemente, a Alemanha e a França foram surpreendidas na alegria do saque pela crise mundial que colocou o euro em estado de choque, com vantagem para o dólar cujo país responde politicamente em bloco, ao contrário da UE. A Alemanha e a França, em especial a esperteza da primeira, não tinham planos alternativos para a queda do euro. Os planos já começaram porque os cenários de crises políticas e sociais prolongadas nos países em dificuldades e cujo leque se vai alargando, estão longe de se dissiparem e até constroem reacções inovadoras de profunda revolta.
A UE reage com os seus velhos aclaramentos eleitorais e os socorros financeiros em planos de austeridade, que estão debaixo de profundas suspeitas populares. Não há só vulcões na Islândia.
Portugal é mais um exemplo deste socorro aflitivo onde os candidatos ao Governo sabem dos papeis de carrascos a soldo, receberam um plano de exploração intensiva do trabalho e das pequenas e médias empresas sem que os privilégios dos políticos e os do grande capital tenham sido beliscados.
Não nos deixemos enganar… na sociedade portuguesa não há diferenças sobre o Estado Social… porque ele não existe. O que nos querem fazer perder… foi conquistado e não concedido!
Portugal é outro vulcão do sul… ainda sem explosões e curiosamente com as poeiras da direita a saltarem mais alto que as da falsa esquerda parlamentar…
Luis Alexandre
Faro - Montenegro : crianças falam com astronauta no espaço.
A ideia surgiu há mais de um ano, quando a professora de Físico-Química Patrícia Raposo, da Escola EB 2,3 de Montenegro, em Faro, participava numa conferência internacional em que se apercebeu da existência de contactos regulares dos astronautas da ISS, a Estação Espacial Internacional, com alunos de vários países.
A partir daí, com contactos com a NASA e a ESA, a Agência Espacial Europeia e também com a Associação de Rádio-Amadores de Portugal, Patrícia organizou-se com os alunos, que tiveram a oportunidade única de colocar várias questões à astronauta americana Catherine Coleman, a viajar a 7.700 quilómetros por segundo e a uma distância de 351 quilómetros de altitude.
"I hear you loud and clear", alto e bom som, respondeu Catherine, depois de cerca de um minuto de chamadas a partir da Terra, sem qualquer resposta.
mais aqui
e aqui
1ª foto é do "Barlavento"
A partir daí, com contactos com a NASA e a ESA, a Agência Espacial Europeia e também com a Associação de Rádio-Amadores de Portugal, Patrícia organizou-se com os alunos, que tiveram a oportunidade única de colocar várias questões à astronauta americana Catherine Coleman, a viajar a 7.700 quilómetros por segundo e a uma distância de 351 quilómetros de altitude.
"I hear you loud and clear", alto e bom som, respondeu Catherine, depois de cerca de um minuto de chamadas a partir da Terra, sem qualquer resposta.
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1ª foto é do "Barlavento"
Segunda-feira, Maio 23, 2011
Diálogos na Cidade com o Sr. Chumbinho - Apicultor (a entrevista foi baseada na gravação efectuada na Feira do Artesanato e de Produtores, em Faro, no dia 15 de Maio) 2ª Parte
1ª parte da entrevista pode ler aqui.
ADF - Gostaria agora, Sr. Chumbinho, que se referisse, também, às espécies arbóreas e também aos produtos de qualidade que dantes eram produzidos, desde o mel ao medronho, o azeite, etc. O que aconteceu ao Algarve, nos últimos anos, relativamente a essa produção de grande qualidade?
Pbinho - Tal como aconteceu com algumas espécies autóctones e com a espécie bovina da raça algarvia aqui no Algarve, aconteceu com outras espécies vegetais.
Os nossos excelentíssimos e incompetentes governos, sucessivamente têm promovido os projectos da comunidade europeia para a implementação de novas agriculturas. Mas é uma coisa muito engraçada, toda a gente se queixa que o Algarve está a ficar deserto e que as chuvas são diferentes e os climas são diferentes, mas ainda ninguém pensou que a natureza não se altera normalmente, é o homem que a altera. Ora, se antigamente havia tudo a rodos, tudo, como deve ser e a tempos e a horas na altura devida, porque é que agora não existe e porque é que se está a instalar um clima desértico no Algarve? È tão simples, não querem ver? Reparem, as árvores que predominavam no Algarve, eram a alfarrobeira, a amendoeira e a figueira. O que é que lhes está a acontecer? Estão a ser retiradas para plantar laranjeiras e outras árvores, casas de férias, vivendas e aldeamentos, sim isso mesmo, (pois que o vulgar e necessitado cidadão não pode construir “um buraquinho para abrigar as orelhas, pois os PDMS não permitem”! É claro que para grandes empresas o PDM já é permissivo e os terrenos a ocupar já estavam destinados à tal construção e também “são terrenos de interesse público e blá blá blá e mais outros etctras”.
Estão a esquecer propositadamente a azinheira e a sobreira, não sei para quê? (quer dizer: todos nós sabemos! O seu rendimento será a longo prazo e “aqui para nós que ninguém nos ouve, dão pouco rendimento a curto prazo”). Estão a colocar pinheiros aos milhões com projectos megalómanos que não interessam a ninguém.
Ora se tudo isto, for bem analisado e em profundidade, reverte a favor ou contra o clima?
Porque se a natureza se encarregou durante milhões de anos de distribuir esta vegetação no Algarve, com certeza que não é o homem que vai corrigir ou melhorar o clima. Portanto, se põem a laranjeira e arrancam a alfarrobeira, se põem abacateiros e tiram amendoeiras e por aí fora, alguma coisa há-de acontecer, se não é a curto, é a longo prazo. E está-se a verificar que realmente o clima do Algarve está a ser totalmente alterado. Porquê? Por causa destas histórias da modificação vegetal da zona, porque o Algarve é dividido em 3 regiões distintas: o litoral, o barrocal e a serra. A serra, mais ou menos, ainda continua com os mesmos índices de pluviosidade que tinha antigamente. O barrocal já se vai modificando e o litoral, então, nem se fala.
No que diz respeito ao medronho, não será demais recordar que ninguém tem interesse nisso, pois as bebidas importadas pelas grandes empresas, “têm mais garantias de qualidade”; não dizem que dá mais dinheiro.
É claro que com a carga de impostos malucos com que “brindam” este nosso excelente e genuíno produto, quem é que tem vontade de estar legal?
Com tanta parvoíce que inventam, obtêm exactamente o contrário do que pretendem e assim fomentam cada vez mais a ilegalidade, desobediência e falta de civismo de alguns que se esforçam tenazmente para poderem viver condignamente com a sua família; sim! Os pobres e produtores do sector primário, também têm família, sabiam?
No que diz respeito ao mel e à apicultura, direi que foram feitas leis para a regulamentar e para fim de “festa”, foram criados os PAN ( Programas Apícolas Nacionais ). Cada um pior que o outro e inventados por um Gabinete de planeamento em conjunto com uma Direcção Geral de Veterinária. Estas duas entidades, o que têm feito na realidade é desestabilizar a apicultura nacional e os apicultores, tratando-os como ignorantes. Interpretam a Legislação a seu belo prazer e cada vez apertam mais os apicultores que querem cumprir. Aos incumpridores “nem lhes passam cartão”, nem os obrigam a cumprir a Legislação, e muito menos o PAN (perdão! O ABORTO, pois não é mais que um aborto este PAN que foi feito para satisfazer os orgasmos políticos) de gente que se quer armar em poderosa, mas não sabe como lá chegar, a não ser fazendo mal a quem honestamente produz produtos de alta qualidade.
Aqui onde nós estamos neste momento, podemos ver aquele engenho da nora e aquela casa ao lado, que era uma vacaria onde eu muitas vezes ia vacinar vacas e que faziam parte de uma riquíssima horta que produzia abundantemente.
Agora o que é que o Sr. vê na horta? Vê um parque de estacionamento, vê o teatro das Figuras, vê tudo e mais alguma coisa, mas comida a ser produzida não vê nenhuma! A comida vem da China e doutros países e a que preço? Quase zero, porquê? Porque têm lá a escravidão que nós aqui não temos.
ADF - E a qualidade também deixa muito a desejar…
Pbinho – Há muita coisa para dizer da qualidade, mas o principal direi noutra oportunidade.
A qualidade, lógico, deixa muito a desejar, porque quer aqui, quer no estrangeiro, fazem hidropónicas em estufas, mas não têm nada a ver com o que o Algarve pode produzir no seio do seu clima mediterrânico.
Não brinquem comigo e não brinquem com os restantes algarvios e muito menos com os portugueses, não nos gozem mais, pois “este fartar vilanagem” faz com que estejamos a ser colonizados e governados por pessoas que nunca foram algarvias, ou se são algarvias são algarvios incompetentes, que nunca na vida sofreram na pele as consequências nem a tradição do algarvio, ou se o sabem, fizeram por esquecer.
É indecente que o nosso Presidente da República como algarvio que é, continue a ocultar e a não divulgar a série de porcarias que se estão a fazer no Algarve e no restante deste nosso País.
Ele sofreu na pele aquilo que o vulgar algarvio trabalhador sofre. Assim, porque não abre a boca? Será que já esqueceu o que passou? Se calhar achou por bem acomodar-se e lavar as mãos…
ADF - Não há dúvida que a descrição que fez é realmente mais do que preocupante, é apavorante. E para terminar vou-lhe pedir, embora o pessimismo que transmitiu seja bastante ilustrativo, o que é que pensa que vai ser o futuro das zonas rurais do Algarve, nomeadamente de que forma é que as novas gerações poderão integrar actividades nessas regiões?
Pbinho - Em primeiro lugar não me chame pessimista, porque eu nunca o fui, sou optimista! Mas também sou realista. Portanto, para que estas coisas voltem absolutamente ao normal, é na minha óptica necessário fazer o seguinte:
Ponham todos os políticos existentes em Portugal no olho da rua! Fundos Monetários Internacionais e outros que tais, no olho da rua! Deixem as pessoas do sector primário, trabalhar como trabalhavam antigamente. Deixem as pessoas ter as suas micro empresas a trabalhar e “ estenderem-se á medida do lençol” porque, legalmente ou ilegalmente, criam muitos postos de trabalho. Apoiem essas micro e pequenas empresas e deixem-nas funcionar durante 4 ou 5 anos com “micro impostos” e não as afoguem á nascença com impostos parvos que só causam desemprego e desolação. Não é com imposições e impostos malucos que se levanta um país devastado por consecutivos governos parvos que têm existido “e que têm enchido a barriga de muitos”. Deixem as pessoas trabalhar, como trabalhavam normalmente e as pessoas sentirão motivação para pagarem alguns Impostos justos, pois os trabalhadores portugueses não são parvos e analfabetos como uns certos srs. querem fazer crer. Estes srs., passam o tempo a apregoar a “qualificação profissional” e após isso, os trabalhadores ficam na mesma - desempregados.
E, quando estes trabalhadores começarem a ver lucro e sentirem que não estão a ser violentamente espoliados do seu suor, sentirão vontade de colaborar e pagar alguns impostos justos, desde que não trabalhem só para energúmenos que os estão a subjugar e a obrigar a pagar injustamente os roubos feitos por alguns políticos em quem confiaram e deram o seu voto (sejam eles de que cor forem).
Desde que estes trabalhadores trabalhem pura e simplesmente com vontade e que vejam proveito dos seus esforços de produção, de certo irão ter vontade de pagar alguns impostos para ajudar este país a erguer-se.
Porque qualquer país é país, em função das suas pequenas e micro empresas que dão milhões de postos de trabalho e não essas anormalidades que andam aí ligadas a políticos.
Essas “anormalidades gigantes que dizem criar postos de trabalho e que na realidade têm criado mais desemprego que emprego” e que mandam na política, “sujeitam a maioria dos políticos pelo rabo que alguns deixam a jeito de puxar”.
Portanto, deixem as pessoas trabalhar normalmente, não os chateiem, que as pessoas nunca mataram ninguém com os produtos que produzem, nem vão matar pois existe felizmente uma ASAE para fiscalizar como deve ser, embora devesse ser mais pedagógica e compreensiva dentro das normas e não dentro das normas europeias, normas parvas que nunca foram a nossa realidade e que os nossos políticos não quiseram ou não souberam discutir na Comunidade Europeia.
Aos políticos ordinários, malucos, ladrões, vigaristas e corruptos faço a pergunta: será que é necessário um novo 1º de Dezembro igual ao de 1640? Se não sabem, estudem a História de novo! . . .
entrevista realizada por Fernando Silva Grade
rupturas!
El tsunami del 22-M ahoga al PSOE y otorga un triunfo histórico a los populares, que pueden gobernar en 11 de las 13 autonomías que se disputaban.- Los socialistas sufren su peor resultado de la democracia en unos comicios locales, con casi dos millones de votos menos que el PP
Serviços já em ruptura financeira pedem mais dinheiro ao Governo
Serviços em dificuldades pediram para usar cerca de dois mil milhões de euros que sobraram do Orçamento do ano passado.
As dificuldades financeiras obrigaram vários serviços do Estado a pedir ao Ministério das Finanças cerca de dois mil milhões de euros das verbas que sobraram do Orçamento do ano passado. Esta possibilidade está muito limitada pela lei, mas o Governo pondera criar uma excepção para atender aos casos mais graves.
O FIM DE UM FENÓMENO DO ENTRONCAMENTO
O FIM DE UM FENÓMENO DO ENTRONCAMENTO
O PSOE do sr. Zapatero, nas palavras de Sócrates, o seu melhor "amigo" político lá fora, foi valentemente sovado nas eleições regionais e municipais espanholas. Rajoy, um tipo que nem sequer é particularmente brilhante, obteve um excelente resultado nacional para o Partido Popular (não confundir com o nosso pequenino PP cujo líder, com 12 % nas sondagens, imagina poder ser 1º ministro). Zapatero, à semelhança de Sócrates, revelou-se um fenómeno do Entroncamento que soube cavalgar, até dada altura, as parvoíces de última hora de Aznar. Todavia, e como todos estes fenómenos, impotente perante a crise interna e mundial, Zapatero, aos poucos, foi revelando o estofo de que era feito: de nenhum. A Europa das más lideranças está a sofrer fortes abanões. A senhora Merkel também perdeu uma eleição doméstica, Berlusconi é o que se sabe e a França - agora mais "livre" para repetir Sarkozy depois da eliminação sumária de DSK e com aquele horrível friso de socilaistas - não augura melhores tempos. São todos mais ou menos parecidos uns com os outros, mas sempre há uns melhores do que os outros. Zapatero pelo menos teve o bom senso de, antes deste desastre, ter anunciado que não ficava para as eleições gerais de 2012. Nós ainda temos de esperar uns dias para despedir o transtornado e contumaz homólogo do espanhol.
João Gonçalves
Domingo, Maio 22, 2011
Passeio a Lisboa
O O dono dos grandes armazéns Dinfer, em Lisboa, era tio do meu pai. Todos da família eram do Coelhal, Figueiró dos Vinhos, e tinham abandonado o local de nascença por falta de mercado de trabalho. Era um meio rural de fracos recursos. Esse tio, Manuel José, fixou-se em Lisboa estabelecendo-se com sucesso, criando esses armazéns onde trabalhava com os cinco filhos.
O Alberto vinha muito a Faro como viajante representando a casa, vendendo às lojas os seus múltiplos artigos.
Muitas vezes prometeu levar-me a conhecer Lisboa. Ir a Lisboa era uma ambição minha… desmedida. Lá, até se falava dizendo correctamente “ei”…leite, dei-te, manteiga…
Num dia de férias de verão surgiu a oportunidade e abalei de carro, com o primo Alberto, até à capital; tinha 12 anos.
A viagem foi longa porque a Serra do Caldeirão, com as suas curvas, era uma barreira que separava o Algarve do Alentejo e o primo ia parando, a fazer venda e promoção dos seus artigos. Os armazéns Dinfer, além de retrosaria, vendiam tecidos, calçado, chapelaria, roupa interior e tinham-se lançado, na altura, na confecção. Como pioneiros do “pronto-a-vestir”, a tarefa era árdua pois obrigava a convencer os consumidores, à mudança de hábitos.
Saímos de Faro pela manhã e iniciámos a travessia do Tejo ao anoitecer.
Lembro-me de ter frio, de procurar um casaco para me agasalhar e ficar extasiada com as luzes que via brilhando ao longe, intensamente, e em grande quantidade.
- Ali é Lisboa – disse meu primo Alberto.
Compreendi, nesse momento, porque me disseram várias pessoas ao saberem que ia de visita à capital:
- Vais a Lisboa, leva um calhau para meteres na boca.
No barco ia imensa gente, havia pouca luz, comecei a sentir-me perdida no meio dos carros…
O primo levou-me até à amurada e durante a travessia não despeguei os olhos daquelas luzes, no meio do escuro, e que iam tomando forma à medida que o barco se aproximava.
- Vamos para o carro, estamos a chegar.
Já no carro, tentava a todo o custo ver o que me rodeava. Tudo era novo, tudo me espantava.
O primo abrandou no Terreiro do Paço para eu poder apreciar toda a amplitude do local. A seguir estacionou no Rossio e saímos do carro.
Não conseguirei descrever o espanto que me causaram todos os anúncios luminosos que circundavam a praça. Levei imenso tempo extasiada, percorrendo-os com os olhos, um a um, e reparando nos mínimos pormenores.
Saboreei até à última gota aquele aperitivo do” jantar” que seria Lisboa.
O primo Alberto teve que me forçar a sair do local.
Ao chegar, apanhada de surpresa, com os anúncios luminosos, emudecera, e agora não parava de falar:
- Olha aquele com um coche que anda…
- E aquele outro que muda, constantemente, as frases…
- E… aquele!…
Não despegava, nunca tinha visto na minha cidade, capital de distrito, uma coisa igual com tanta luz e cor.
O primo foi levar-me, como combinado, para casa de outro primo, o Cesário, casado com a Ermelinda. Eles tinham assumido a educação da Madalena, irmã da Helena, mulher do Alberto.
Não os conhecia e temia ficar com desconhecidos, embora parentes. Revelaram-se um casal já de meia-idade, velhos para mim, agradados com a minha visita. A Madalena era pouco mais velha do que eu. Prepararam-me umas torradinhas e um copo de leite quentinho e trataram de encaminhar a minha bagagem para o que disseram ser o meu quarto.
Mal me deitei ferrei a dormir tão cansada estava.
Ao outro dia ao acordar, dei conta do local onde me encontrava e nem queria acreditar que estava em Lisboa para passar férias, um mês inteiro!!!!
O meu quarto era enorme, com uma grande janela para a rua. Tentei abri-la mas era complicado. Tinha uma cortina pesada, outra transparente por baixo, os vidros fechados e os estores corridos.
Não sabia o que fazer e ao vasculhar melhor vi que tinha uma porta entreaberta. Espreitei temendo encontrar alguém e vi que era um “salão” com banheira, uma verdadeira casa de banho. Corri logo para a sanita pois estava aflitíssima.
Lavei-me e vesti-me (a mesma roupa de véspera). Ouvi baterem à porta, respondi e apareceu uma rapariga com uma touca na cabeça, um avental branco com rendas:
- A menina quer o pequeno-almoço no quarto ou vai à sala de jantar?
Tudo para mim era motivo de espanto.
Em casa, embora tivesse uma criada, a tempo inteiro, como se dizia na época, esta não tinha farda e nunca tomara o pequeno-almoço no quarto.
Saí do quarto e fui dar com os primos sentados a um enorme mesa recheada de variadíssimos acepipes. Havia de tudo, principalmente aquilo a que não estava habituada – sumos, compotas, manteiga, fiambre… era uma mesa de casamento!...
Senti-me muito pequenina e vi que tinha de aprender depressa.
Sentei-me com alguma dificuldade (a cadeira era enorme e pesada), endireitei o corpo e comecei a espreitar o que os outros faziam. A empregada/criada tomou conta de mim e lá fui seleccionando o que desejava.
A casa de jantar era enorme e ao fundo viam-se os sofás. Móveis cheios de louças lindas e utensílios de prata que brilhavam. Nunca tinha visto tanta coisa em prata e não percebia qual a utilidade.
O apartamento tinha, além do salão, 5 ou 6 quartos com casa de banho individual, a cozinha, com um anexo onde passavam a ferro e lavavam a roupa. Tinha ainda, para a criada, outra porta de entrada na casa e um quarto com uma casinha de banho.
A casa ficava na Avenida João XXI, 5º andar. As janelas que davam para a rua tinham umas grandes sacadas corridas e espaçosas. Ao espreitar para baixo, precisei de novo do tal “calhau” que me aconselharam a levar.
Tantos carros a circular, parecendo tão pequeninos, vistos de cima…
- Ali à esquerda é o Areeiro, está ainda com muitas casas em construção – explicaram-me.
- Há algum casamento ali em baixo? Vejo tantos carros! – desabafei.
Fartaram-se de rir com a minha observação.
De futuro seria melhor ver e calar… pensei para com os meus botões…
Na casa vivia a mãe da prima Ermelinda, já velhota e com cara de poucos amigos. Apresentaram-me a senhora mas ela pouco se importou comigo.
Passámos a ir todas as manhãs à praia. Íamos de carro ou de comboio para Carcavelos, Oeiras, Cascais, Estoril. Encontrávamo-nos com outros primos e todos me vinham cumprimentar e perguntar pelos meus pais.
Aos sábados à noite era a reunião de família. Não sei se a faziam durante todo o ano, mas enquanto lá estive todos se reuniam, semanalmente, rodando pelas casas de cada um. Eram tantos que perdi a conta e via-se pela roupa, pelas jóias e postura, que era gente de “bago”, como diríamos na minha “aldeia”.
Esses primos de Lisboa, após a primeira abordagem esqueciam-se de mim. Ali ficava, sozinha, observando e notando todas as diferenças. Entre nós não existiam pontos comuns. Éramos primos mas divergentes na maneira de vestir, na capacidade de diálogo, na experiência de vida…Não me sentia bem, faltava-me segurança, não compreendia as conversas e a Madalena não colaborou, não deu uma ajudinha amiga…
Ouvi uma vez a prima Ermelinda comentar com a Madalena, uma manhã que faltámos à praia e fomos à baixa, às compras:
- Comprava roupa à Lina, mas tenho receio que a Emília se ofenda. Ela tem tão pouca e tão fraquinha…
Quando entrávamos nas lojas os empregados disputavam, entre si, qual o que nos atenderia. Era oferecida uma cadeira na qual se sentava a prima Ermelinda e iam desfilando tecidos e mais tecidos desembrulhados ali, à nossa frente, com salamaleques e vénias infindáveis. Olhando à volta, via que os outros empregados procediam de igual modo com os outros clientes, chegando a convidá-los para irem até à porta da loja para verificarem bem a tonalidade do tecido.
Parecia que queriam despejar a loja aos pés da prima Ermelinda!...
Efectuadas as compras, o motorista levava-as para o carro.
Às vezes íamos lanchar a uma pastelaria da baixa, a Suissa. Levávamos lá a tarde. Aborrecia-me ficar ali sentada. Dava para me aperceber de todo o movimento de carros e pessoas. Para atravessar a rua, de um lado para o outro, tinham de esperar que o policia desse passagem. Então, vinham uns e iam outros e quase se chocavam nas passadeiras. Os carros circulavam sem intervalos, uns atrás dos outros. Que cansaço só de ver…tudo tão diferente de Faro!!!!!!!
As férias acabaram mais cedo do que o previsto. A mãe da prima Ermelinda caiu na casa de banho e poucos dias depois faleceu.
O meu avô, como representante da família do Algarve, foi ao enterro e eu regressei a Faro com ele.
Acabaram-se as férias que prometiam ser longas.
À despedida ofereceram-me um relógio de pulso. Na minha terra, em Faro, as moças da minha idade e relação não tinham relógio, isso era artigo de luxo!
Não cheguei a ir ao Jardim Zoológico, ao castelo, a um museu…a sítio nenhum dos que havia sonhado! Esqueceram-se que seria essa a minha ambição!
Trazia de regresso uma mala quase vazia…
Trazia a sensação de ser uma desprotegida da sorte, resignada a aceitar a esmola de uns primos benfeitores que me mostraram como é viver na abastança!
Ao chegar a casa abracei a mãe e respirei paz!
Voltei a sentir vontade de sonhar e de construir os meus castelos… Renasceu em mim a esperança e passei a valorizar tudo o que me rodeava…
Lembrei um conto tradicional intitulado “O rato do campo e o rato da cidade”que nos ensinava:
- “Quem tudo quer tudo perde”.
Mas acima de tudo:
- “Antes magro, cá no mato, que gordo, na boca do gato…
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«José Sócrates não gosta da palavra ‘bancarrota’. Considera que o termo é um insulto para Portugal. Eis o melhor retrato da cabeça de Sócrates, por ele próprio: um político que prefere negar a realidade e confunde uma crítica ao governo com uma crítica ao país.Foi este tipo de ‘raciocínio’ que nos atirou para o abismo inominável. E foi essa cegueira que o enterrou ontem à noite. Verdade que havia sinais: com a provável excepção do debate com Jerónimo de Sousa, um homem gentil e pouco preparado, Sócrates levou tareias atrás de tareias. Mas, com Passos Coelho, a coisa foi penosa de ver: como é possível confiar um voto que seja num homem sem uma única ideia realista ou consequente na cabeça? Como é possível acreditar que o grande defensor do Estado Social foi precisamente o mesmo que o amputou e faliu? E como é possível engolir a responsabilidade dos outros na crise quando os últimos dois anos foram uma crise permanente que o governo não soube estancar? Sócrates já não é assunto racional; é para consumo exclusivo de fanáticos. Dia 5 de Junho saberemos, enfim, quantos existem em Portugal.»
João Pereira Coutinho, CM
João Pereira Coutinho, CM
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Portugal 2011
Movimento sindical que respostas?
Os palcos sociais estão entregues à maior operação de cosmética política jamais desenvolvida em Portugal. Depois da fase do embaraço e das trocas de acusações para consumo, segue-se a aplicação do convénio assinado. Os resultados eleitorais estão a ser trabalhados em força a três, sendo secundário para o novo empréstimo dos credores a ordem dos factores.
O centro de gravidade da política procura sair da dívida e dos seus responsáveis para, pela lavagem do 5 de Junho, se centrar na autoridade do próximo Governo.
Há uma dívida para pagar, que antes de Sócrates estava nos 84 mil milhões (para um PIB inferior), com este subiu para mais de 170 mil milhões, mas nenhum dos partidos do arco da governação e o parlamento fiscalizador assumem responsabilidades. O FMI/UE/BCE, assentes no passado, sabem a quem emprestaram, conferindo-lhes o voto de se obrigarem a levar a tragédia do pagamento por diante. Nenhum dos partidos que assinou o contrato contestou a dívida, assumindo-a. A 5 de Junho querem que o povo também assine. Será suficiente?
Todas as governações passadas prometeram o que não foi cumprido. Governaram contra o país e para interesses obscuros – os que lhes dão ordens.
Enquanto os capitalistas dispuseram de meios e condições arrancadas à custa das poupanças e do endividamento do país e os rendimentos do trabalho foram sendo aliciados ao consumo, os Governos, o Banco de Portugal e os partidos nem faziam contas. Com o soar do gonzo para o fim do sonho e o começo de novo pesadelo noutros países, o chão fugiu debaixo dos pés da alta finança e dos políticos portugueses que sacodem a água. Era chegado o acerto de contas. Que contas afinal?
Não se sentindo o povo português responsável apenas porque deu o seu voto em muitas ocasiões eleitorais menos graves que a actual e vinha trocando a força de trabalho pelo direito de gerir os rendimentos, com a fuga dos patrões e a destruição da economia, querem imputar-lhe as responsabilidades. Com os partidos da ordem apenas divididos no valor e formas de pagamento, não caberá ao movimento sindical, principalmente às suas direcções, demonstrarem a evidência dos factos? Claro que sim!
Reduzindo a situação política actual a termo simples, temos de um lado todos os que fizeram a dívida e se propõem pagá-la e, do outro, todas as camadas da população, com destaque para o papel dos trabalhadores activos que pela sua intervenção directa na economia, têm um papel a desenvolver.
Se deixarmos que os processos eleitorais funcionem por si e a mando dos que sempre mandaram, não tenhamos dúvidas que por via de lei e se necessário de cassetete, nos farão pagar o acordado e o que vem a seguir.
A solução imposta em cima da mesa e aceite pela nomenclatura, recebe contestação de eficácia nas áreas do conhecimento e sabe-se que é insuficiente. A prescrição sobre a dor do povo vai ser administrada por doses. Mas o povo deve responder que é por operação e de fundo.
Cabe ao movimento sindical dar as devidas respostas, com acções de contestação e a convocatória de uma Greve Geral que imponha os termos para a governação do país e um programa que ataque os problemas e os resolva, não a favor do grande capital como está em ordem, mas dos que tudo produzem e não recebem a sua retribuição.
Luis Alexandre
O centro de gravidade da política procura sair da dívida e dos seus responsáveis para, pela lavagem do 5 de Junho, se centrar na autoridade do próximo Governo.
Há uma dívida para pagar, que antes de Sócrates estava nos 84 mil milhões (para um PIB inferior), com este subiu para mais de 170 mil milhões, mas nenhum dos partidos do arco da governação e o parlamento fiscalizador assumem responsabilidades. O FMI/UE/BCE, assentes no passado, sabem a quem emprestaram, conferindo-lhes o voto de se obrigarem a levar a tragédia do pagamento por diante. Nenhum dos partidos que assinou o contrato contestou a dívida, assumindo-a. A 5 de Junho querem que o povo também assine. Será suficiente?
Todas as governações passadas prometeram o que não foi cumprido. Governaram contra o país e para interesses obscuros – os que lhes dão ordens.
Enquanto os capitalistas dispuseram de meios e condições arrancadas à custa das poupanças e do endividamento do país e os rendimentos do trabalho foram sendo aliciados ao consumo, os Governos, o Banco de Portugal e os partidos nem faziam contas. Com o soar do gonzo para o fim do sonho e o começo de novo pesadelo noutros países, o chão fugiu debaixo dos pés da alta finança e dos políticos portugueses que sacodem a água. Era chegado o acerto de contas. Que contas afinal?
Não se sentindo o povo português responsável apenas porque deu o seu voto em muitas ocasiões eleitorais menos graves que a actual e vinha trocando a força de trabalho pelo direito de gerir os rendimentos, com a fuga dos patrões e a destruição da economia, querem imputar-lhe as responsabilidades. Com os partidos da ordem apenas divididos no valor e formas de pagamento, não caberá ao movimento sindical, principalmente às suas direcções, demonstrarem a evidência dos factos? Claro que sim!
Reduzindo a situação política actual a termo simples, temos de um lado todos os que fizeram a dívida e se propõem pagá-la e, do outro, todas as camadas da população, com destaque para o papel dos trabalhadores activos que pela sua intervenção directa na economia, têm um papel a desenvolver.
Se deixarmos que os processos eleitorais funcionem por si e a mando dos que sempre mandaram, não tenhamos dúvidas que por via de lei e se necessário de cassetete, nos farão pagar o acordado e o que vem a seguir.
A solução imposta em cima da mesa e aceite pela nomenclatura, recebe contestação de eficácia nas áreas do conhecimento e sabe-se que é insuficiente. A prescrição sobre a dor do povo vai ser administrada por doses. Mas o povo deve responder que é por operação e de fundo.
Cabe ao movimento sindical dar as devidas respostas, com acções de contestação e a convocatória de uma Greve Geral que imponha os termos para a governação do país e um programa que ataque os problemas e os resolva, não a favor do grande capital como está em ordem, mas dos que tudo produzem e não recebem a sua retribuição.
Luis Alexandre
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Sexta-feira, Maio 20, 2011
"Los indignados" o Movimento 15-M, (ou como silenciar uma campanha eleitoral)

. En este mapa se pueden rastrear las "acampadas" convocadas a partir del Movimiento del 15-M. En este momento, registran 166 ciudades en las que hay convocado algún tipo de manifestación
Mles de ciudadanos anónimos, sin siglas ni líderes, concentrados en diversas plazas de ciudades españolas han desbaratado la campaña de PSOE y PP. Los indignados o Movimiento 15-M, en su mayoría jóvenes, han irrumpido en la recta final de la carrera electoral acaparando la atención de los medios de comunicación, y obligando a los partidos a reaccionar ante unas manifestaciones sin etiqueta política clara. En Madrid, miles de personas abarrotaron la Puerta del Sol con la intención de mantener la protestas hasta la jornada electoral del 22-M.
Aniversário do Taco D´ Ouro
No Sábado dia 4 de Junho a equipa do João faz 10 anos à frente do Taco D´Ouro,
estão de parabéns, o taco é uma referência da Cidade de Faro, com
um ambiente entre o futebol café, mesas de bilhar e uma esplanada
na principal avenida de Faro é um importante ponto de encontro de
todas gerações de Faro e essa é talvez a mais importante característica
do Taco.
Diálogos na Cidade com o Sr. Chumbinho - Apicultor (a entrevista foi baseada na gravação efectuada na Feira do Artesanato e de Produtores, em Faro, no dia 15 de Maio)
1ª parte da entrevista
ADF - Participei há uns tempos num debate em que o Sr.Chumbinho estava presente. Nesse debate o Sr. Chumbinho referiu-se a inúmeros aspectos que caracterizam a vida no campo e a actividade na agricultura e na pecuária nos dias de hoje.
Para começar, gostaria que me fizesse uma descrição do seu passado e das actividades a que se tem dedicado.
Pbinho - A descrição do meu passado e das actividades a que me tenho dedicado, é simples; Eu escolhi a minha profissão futura a partir da minha adolescência; escolhi-a em função da actividade que eu mais gostava e que era a actividade pecuária.
A minha profissão ao longo dos tempos, foi pura e simplesmente sendo degradada abusivamente pelos políticos insensíveis desonestos e incompetentes deste país e, numa fase mais tardia, eu e outros colegas por esse país fora, fomos colocados atrás dum computador no qual só introduzia-mos dados e levantava-mos autos de transgressão que dariam origem a multas aplicadas a diversos cidadãos, quando a nossa actuação na maioria dos casos, deveria ser mais pedagógica que repressiva.
Nós, funcionários públicos, recebíamos o nosso ordenado extraído do “bolo” geral proveniente dos contribuintes do dia-a-dia, pessoas e empresas que faziam os possíveis para viver e manter as tradições do nosso país e as quais contribuíam para ajudar a equilibrar a economia do nosso país.
ADF - Neste momento o Sr. Chumbinho, embora reformado, continua activo e a viver no campo.
Qual é a sua actividade actualmente?
Pbinho - A minha actividade é a actividade agrícola e apícola, portanto, relacionado com as abelhas, não podendo ser de pecuária porque não vou ter condições para ter animais de outro tipo. Continua a ser exactamente a mesma, e mesmo depois de reformado, sou convidado a colaborar com associações de criadores daqui do Algarve e que me pedem para ajudar em tarefas de recuperação de raças de animais praticamente extintas pelo desleixo do nosso estado que acabou com elas aqui no Algarve. COLABORO GRACIOSAMENTE E COM ESPERANÇA NA RECUPERAÇÂO DAS NOSSAS RAÇAS AUTÓCTONES DE ANIMAIS que há mais de 30 anos que estão consideradas extintas mas que persistem em existir. Eu continuo a afirmar, que ainda conheço estas raças e há também outras pessoas que as conhecem, mas não têm tido voz suficientemente forte para se imporem e dizerem que esta raça ou aquela ainda existe.
ADF - Está a falar de que raças, especificamente?
Pbinho – Havia no passado o nosso porco algarvio que era comum ao Algarve e ao Baixo Alentejo e que actualmente está extinto no Algarve; mas aqui há algo de novo a dizer.
Os nossos alentejanos, posso dizer, os nossos alentejanos do coração, têm defendido e conservado o porco a que o nosso estado nunca ligou, nem existe nada escrito sobre ele. Esses porcos existem no Alentejo, existem bem, estão de saúde, mas são poucos.
Mas no Alentejo continuamos com as nossas raças, a vaca algarvia e o porco algarvio.
ADF - Um dos aspectos que mais me impressionou, no debate referido, foi a descrição das mudanças drásticas que ocorreram nos últimos anos nas zonas rurais do Algarve.
Gostaria que me especificasse as principais alterações que ocorreram nos sistemas e métodos de produção agrícola tradicionais, nomeadamente no que se refere às espécies autóctones.
Pbinho - Não se pode dizer que existiram alterações significativas; existiram sim alterações totais e globais. Os nossos governantes, os nossos incompetentes e desleais governantes, fizeram empresas particulares de importação de produtos alimentares e aí importaram tudo. Os nossos agricultores e os nossos criadores tiveram que fechar portas e tiveram que fechar portas porquê? Porque graças a essas parvoíces que lhes fizeram, essas irresponsabilidades que ainda ninguém resolveu incriminar, os chamados crimes de lesa pátria, deram origem a muitas aberrações sem nexo e por certo para favorecer alguns amigos e com fundamentações parvas e à revelia dos seus futuros utentes; refiro-me em especial à rede de matadouros que substituíram os matadouros municipais.
Foram criados matadouros megalómanos e acabaram com os matadouros municipais, que realmente não reuniam condições higiénicas. No Algarve também foi criado um matadouro megalómano chamado Matadouro Regional do Algarve, o qual foi encerrado compulsivamente (não se sabe com que intenção, se para servir os interesses de alguém), com a desculpa de que não reunia as condições higiénicas necessárias. Assim os criadores que se deslocavam umas dezenas largas de Kms diariamente para abaterem os seus animais, repentinamente ficaram sem local de abate.
Como consequência e progressivamente os criadores tiveram que acabar com a produção porque as mais valias provenientes da criação dos seus animais quase não justificavam a criação e tudo por culpa das políticas incompetentes e desajustadas que se fizeram. Políticas de criação de animais que obrigavam a que os abates teriam que ser realizados no matadouro de Beja ou outro em qualquer parte do país. É de salientar que todos os criadores de animais do Algarve, afirmam que além das centenas de Kms que passaram a percorrer para se deslocarem ao referido matadouro de Beja, ainda afirmam, que o referido matadouro tem menos condições higiénicas que o matadouro regional do Algarve tinha. Esta região do Algarve, “foi fechada” a nível de pecuária e agricultura, graças à imposição arbitrária de alguns políticos incompetentes e desonestos que nem para ajudantes de tratadores dos animais serviam. Não posso dizer de outra maneira, porque é verdade e estou disposto a ir a todas as instâncias dizer e afirmar que são mentirosos, vigaristas, ladrões disfarçados, corruptos e incompetentes esses alguns políticos, porque não foram capazes ou não quiseram fazer mais em proveito dos contribuintes, mas sim em proveito próprio de amigos e/ou familiares. Não me venham responder que são imposições da UE, porque não é totalmente verdade; em qualquer decisão e/ou regulamento da UE, existe quase no fim dos textos, uma alínea que contém mais ou menos isto: - Todos os estados membros deverão e poderão adaptar ao seu país, a presente decisão e/ou regulamento.
Continuarei a afirmar isto em todo o lado e sempre que a oportunidade se proporcione, pois fizeram-se dezenas e centenas de empresas à conta dos criadores de gado do Algarve e do resto do país.
Uma delas, foi uma empresa de recolha de cadáveres, que é a coisa mais disparatada e aberrante que existe, se continuar a funcionar da maneira como funciona.
Não se entende qual é o lucro que essa empresa de recolha de cadáveres de animais proporciona, nem como é financiada nem qual é o retorno do seu funcionamento.
Em algumas ocasiões, esta empresa não consegue atempadamente recolher esses animais mortos e tem chegado a levar 3 ou mais dias para efectuar essa recolha.
Muitas vezes estes já estão em decomposição há algum tempo.
Quando isto acontece obrigatoriamente os criadores terão que recorrer às delegações regionais do Ministério da Agricultura e do Ambiente e após uma parafernália de telefonemas infrutíferos e papéis, recebem como resposta, instruções para enterrar esses cadáveres em locais que não afectem os lençóis freáticos, como se o vulgar criador soubesse onde existem lençóis freáticos. Neste tipo de actuação, não existe nada de palpável que possa realmente defender os interesses do vulgar criador e igualmente contribuinte e o ambiente real, pois é a forma antiquíssima e natural de resolver este eterno problema.
Os actuais “defensores do ambiente” herdaram-no bem preservado dos seus antepassados que empiricamente e sem políticas manhosas o conservaram na sua mais pura essência.
Actualmente o que é que estas políticas agrícolas pecuárias e monetárias nos dão?
Na realidade, nada, nada, nada, absolutamente nada! Existe sim, interesses em favorecer empresas ligadas directa e ou indirectamente a alguns políticos corruptos, amigos dos políticos, familiares dos políticos, familiares dos familiares dos políticos, para disfarçar aquilo que é uma realidade.
É a velha história de “o rei vai nu”. O rei vai nu, mas vai tapado com uma rede, só o miudinho é que conseguiu dizer que o rei ia nu. Parece que neste país não há ninguém com coragem suficiente, ou que os tenha suficientemente pretos, para ver que o rei vai nu.
continua amanhã...
entrevista realizado por Fernando Silva Grade.
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