Segunda-feira, Agosto 29, 2011

Cenas

Foto de Luís Rosa.

A Defesa durante uma semana em velocidade lenta.

CÂMARA TRATA DESNECESSARIAMENTE TEMAS COM POUCO VALOR


A Câmara Municipal de Faro, através de notas de imprensa, tem vindo a tratar temas com pouco valor na gestão da autarquia. Tem o feito com linguagem imprópria. O caso da acção contra a exploração do Clube Náutico da Ilha é flagrante. Camané não fugiu ao desconchavo. Não foi tornado público apenas o nome da empresa, também o do proprietário. Ora, Camané, com alguns defeitos que possua, é um cidadão de Faro de respeito, empresário da melhor restauração de Faro, que o Rei de Espanha não dispensava sempre que se hospedava na Quinta do Lago. Devemos isso a Camané. Quanto aos comerciantes do mercado Municipal, acho que também foram, continuam a ser, maltratados. Foram postas baias nas suas esplanadas, cortaram a luz exterior, encerraram os quartos de banho. Li algures que iam ser expulsos do mercado.
A Câmara procura a todo transe fazer cumprir a lei, com métodos pouco legítimos, com tiques de primarismo. Neste caso creio que vai pelo pior caminho. O Mercado podia ser um espaço atractivo para muitos outros comerciantes. Podia ser o espaço ideal para venda de produtos da agricultura biológica.
Preferiu-se absurdamente a Alameda. Podia ser espaço de excelência para venda, promoção, da nossa fruta subtropical. Ser local privilegiado para venda, promoção, do nosso artesanato (barro, cerâmica, cobre, esparto, cestaria, rendas). Podia ser o recíproco no Continente do Mercado dos Lavradores, no Funchal.
Culpa de quem? De uma administração que em vez de atrair mercado, opõe-se a quem lá está.
O Mercado é hoje por via disso força de rebaixamento, comum a gestão maníaca da viabilidade económica.
Ao Mercado falta-lhe sobretudo dirigentes, não resignados, mas que saibam ser simultaneamente gregários, úteis. As formas de acção utilizadas confundem-se em algumas circunstâncias com o gosto duvidoso, o código dos tiranos. Muitas das suas atitudes parecem mesmo promovidas das chamadas máquinas do poder.

Viegas Gomes

o comunicado da CMF
Tribunal de Faro condena Comida sobre Rodas, Lda. (Camané)Por Serviço de Atendimento e Relações Públicas

2011-8-22
O Tribunal Judicial de Faro proferiu, recentemente, sentença a condenar a empresa Comida sobre Rodas, Catering e Serviços, Lda (Camané), responsável pela exploração do Bar do Centro Náutico, na Praia de Faro, entre Setembro de 2007 e Dezembro de 2009, ao pagamento da quantia de € 42.803, 37, acrescida de juros de mora à AmbiFaro – Agência para o Desenvolvimento Económico de Faro, E.M, entidade concessionária do espaço.
Recorde-se que o incumprimento do contrato, decorrente da falta de pagamento das rendas em atraso reporta-se a Setembro de 2007, tendo o mesmo sido denunciado em Novembro de 2009, dada a insustentabilidade de manutenção da relação contratual e a necessidade de lançar novo concurso público para a exploração do bar.
Trata-se de um equipamento imprescindível para assegurar o apoio à prática desportiva, aliado à formação e ao lazer, razão pela qual era imperativa a sua rentabilização por uma entidade responsável e cumpridora das relações contratuais com o Município.
Nesse sentido, é com bons olhos que verificamos que foi feita justiça.

A Ilha o comentário do Ilhote


ILHA - Trailer from Livremeio Produções on Vimeo.

Para salvar o cordão dunar fala-se das casas quando foi tudo menos as ditas que impediram a areia de chegar á linha de costa provocando o aumento da profundidade junto á margem tornando o mar em tempestade de maré viva muito mais poderoso pela maior massa e peso das ondas que ao embaterem em terra magoam a duna.É lembrar o que se andava sem perder o pé na baixa mar há vinte e tal anos.Na praia mar viva o espaço de praia, no verão,é o mesmo há muitos anos sendo a área emersa a mesma (qualquer fotografia antiga comprova-o).O que aumentou foi a martelada oceânica em dias de temporal e como solução primeira o Pólis e os seus partneres escolhem demolir casas que apenas poderá eliminar as únicas estruturas que ajudaram,em muitos temporais de maré viva,á sobrevivência do mesmo cordão dunar.Sem casas já pouco haveria a considerar como praia.


Invista-se tudo numa solução forte e coerente de defesa da margem avançando para o mar (molhe paralelo, enchimento de estruturas têxteis antecipando a margem,etc,os estudos deviam ter sido gastos nesta área...)e não actuando em cima do que,por bondade do mar,chegou até aos nossos dias.

Contornar esta realidade é partir de falsas premissas para objectivos facilmente decifráveis para quem mora num local em que o agente mais danoso foi sempre a câmara de Faro com as suas autorizações ou não que foram sempre o mais descricionárias possiveis.A história do fumo camarário de Faro está toda em cimento na Praia de Faro.Dito isto apresentarem-se como salvadores dos ilhéus que estão em risco de afogamento e que têm de ser transferidos para local mais alto é anedótico.O mar está ali desde sempre e a gente dorme o ano todo perto dele, e sim é verdade já tivemos á rasca em dias duros de mar poderoso , telefonámos a ver se nos ajudavam com uma areiazinha ou uma pedrinha mas nada, ninguém nos atendia.Agora tocou-nos o telefone e sem pedir desculpa de nunca nos atenderem avisam-nos que o mar está perto mas que eles nos salvam.

O maior problema é a falta de moral e descredibilização dos poderes públicos construida pelos mesmos pelas actuações ao longo de muitos anos de péssima gestão das situações na Praia de Faro e no Portugal.Bom senso e razoabilidade são fundamentais nesta situação.Já agora que o inverno vai chegando e como na praia do Barril e na Terra Estreita não mora lá ninguém podiam emprestar um bocadinho daquela areia nova lá carregada este ano,a gente no verão devolve...

Do Ilhote

Depois de 9 meses :" Arrumadores a actuar em Faro continuam sem licenças"




















cartoon calçadão de Quarteira
A Digital Mais Tv informa que se encontra disponível no seu site, a reportagem " Arrumadores de Faro continuam sem licenças".


"Os antecedentes criminais impedem os arrumadores de automóveis de Faro de conseguirem obter uma licença para o efeito. Macário Correia pede à população que não fomente a actividade e acusa a PSP de ter uma actuação pouco eficiente junto dos arrumadores."

Para ver, basta aceder ao seguinte link:

http://www.digitalmaistv.com/videos/1928.html


Quero lá saber se têm licença ou não, quando é que a PSP se dá ao trabalho de levantar o cú dos seus carros patrulha e ir chamar a atenção destes tipos, cara a cara? é o mínimo dos mínimos caramba! andam por ai a agredir pessoas, até com facadas, temos de aturar isto?


Sexta-feira, Agosto 26, 2011

governo vai acabar com metade das lojas do cidadão!


















A Loja do Cidadão instalada no mercado Municipal de Faro paga, anulamente, à empresa proprietária 146 470€ de renda e cobra das diversas empresas e organismos públicos ali instalados cerca de meio milhão de euros.


A revelação é feita hoje, na edição do Jornal "O Algarve", quando o governo tem em curso uma avaliação dos custos das 32 lojas do cidadão em funcionamento no pais.

O presidente do conselho de administração do Mercado Municipal de Faro confirmou ao “O Algarve” que a renda cobrada à AMA – Agência para a Modernização Administrativa é de 12 205€ mensais.

Francisco Paulino assegurou ainda não ter existido qualquer pedido de renegociação de rendas por parte do arrendatário, aquela que é “uma importante fatia da subsistência” da empresa pública que dirige, a juntar “às receitas de todos os outros

mais aqui


O Governo está a fazer uma avaliação dos custos de funcionamento das várias Lojas do Cidadão, admite mudar de sítio algumas delas, nomeadamente a dos Restauradores, em Lisboa, e não exclui mesmo a possibilidade de encerramento de outras.

Uma praia para alguns…?

A posição pública renovada por José Vitorino, na boleia do desmantelamento da Parque Expo SA, onde reitera a sua oposição às demolições, é coerente com o seu posicionamento autárquico.


José Vitorino fez-se eleger para a Câmara com o apoio e os fundos de uma camada de classe do concelho – a que sempre dominou os parâmetros da política e os seus benefícios – e que está bem representada em termos de “posse” e usufruto na ilha barreira em frente a Faro.

Não tendo que assumir culpas directas na invasão daquele espaço público de forma desordenada e avassaladora, José Vitorino continua a posicionar-se ao lado das linhas partidárias dominantes no concelho, que sem respeito pela lei e pelas consequências ambientais foram “legitimando” os investidores e arrecadando destes receitas proveitosas, que hoje funcionam como argumento para desvirtuar a questão central – a falta de legitimidade camarária para consentir o que ali foi plantado.

Para o ex-autarca José Vitorino, a ilegitimidade deve continuar e até propõe uma ponte nova (investimento público) como se naquele local houvesse direitos adquiridos, não sendo incorrecto levantar a questão do “direito” de outros cidadãos a ali procurarem uma nesga de paraíso… o que poderia ser visto como investimento e fonte de receitas para o buraco financeiro da Câmara…

Para José Vitorino e o seu movimento de cidadãos, as questões ambientais inerentes à ocupação de uma língua de areia cada vez mais estreita e os custos públicos para a sua defesa das investidas climatéricas, não são relevantes. Evidencia o apreço pela parte da propriedade privada em terrenos públicos e não a do senso comum – a recuperação do cordão dunar e o retorno às condições equilibradas dos jogos das forças da natureza.

A presença secular dos pescadores e da própria Armação do Atum feita sobre estacas (diz-se que o documento de contrato de concessão à CMF era explícito nesta condição) nunca intervieram neste jogo que começou a desequilibrar-se quando o homem desvirtua a linha de costa e as relações do mar com a terra, sempre em proveito de minorias abastadas.

Na Fuzeta (abstraindo-nos da estupidez Polis sobre a sabedoria dos pescadores quanto à barra), o mar ganhou retumbantemente a batalha e poupou a política da força da razão.

Sobre a ilha de Faro, enquanto o mar não escreve com mais força a verdade, uma corrente de opinião parece só ver razões e compromissos eleitorais que se querem sobrepor à defesa de um valor patrimonial que é de todos.

Dirão alguns circunspectos e outros com segundas intenções: há uma guerra jurídica que se pode arrastar (com que fundamentos?) mas as posições de princípio - dirão outras correntes de opinião -, são importantes serem marcadas no processo e no tempo.

Uma verdade universal muitas vezes atropelada pelas decisões políticas orientadas…, é que um espaço público não pode ser aprisionado…

Luis Alexandre

Ludo o comentário

foto - fotosblogue

Mas porquê que alguns teimam em dizer que o Pontal está abandonado?
São largas centenas as pessoas, sobretudo farenses, que utilizam este espaço semanalmente para correrem, passearem, andarem de bicicleta, para descontraírem e estar em contacto com a natureza. Serve também para fazerem concentrações de motas, para fazerem semanas académicas.
É isto que é ser abandonado? Ou para ser aproveitado tem de ter lá casas?

anónimo


Quarta-feira, Agosto 24, 2011

O Sinal



Os farenses e de uma maneira geral os algarvios, têm uma preocupação pendente, sobre uma das maiores manchas de coberto florestal - o Pontal -, que está protegido por lei.

Tal como está a coberto da lei, o que vale pouco neste país, sobretudo quando a congeminação político-partidária dominante encobre os apetites dos investidores que são premiados com situações acima de todos os interesses, também está comprado por uma frente de dinheiro russo que não veio para desperdícios.

O fogo posto no Pontal esta segunda-feira, poderá aparentemente não ter qualquer relação com os projectos para ali propostos (cabe ao NIC da GNR de Loulé apurar os intuitos do capturado autor e ao Tribunal divulgá-los como um acto de transparência numa matéria polémica e de grande impacto) mas, não deixa de trazer à tona o lume brando com que esta contradição - a protecção ambiental e a compra privada -, se conseguirá resolver.

Recentemente, um jornal da praça abordou este tema adiantando, sem revelar fontes, que os investidores se mexiam no sentido de viabilizar um projecto imobiliário de grandes dimensões, introduzindo-lhe a benevolência da vertente da recuperação de Saúde e áreas tecnológicas (?!), talvez um toque recomendado pelos seus aliados internos para a sublimação das intenções e amolecimento da vigilância dos cidadãos…

O despedido Governo P”S” não lhe deu forma, nem mesmo sob a fórmula mágica e insuspeita de PIN (Projecto de interesse Nacional), mas o dossier não está no fundo da pilha…

Como estamos a falar de dezenas de milhões de custos em terrenos e de outras tantas em concretização, as máquinas políticas não estarão de certeza distraídas com os proveitos que podem obter, sendo tudo uma questão de oportunidade, a que não será estranho o cada vez mais negro quadro social e económico do Algarve, frequentemente usado como álibi e necessitado de dinamização… como encobrimento da sua destruição.

Aos farenses e aos algarvios em geral, cansados de tantos atentados ao seu património ambiental e de linha de costa, que nos vêm fazendo perder qualidade e posição no concorrencial mercado turístico, cabe-lhes não perder a vigilância e a capacidade de reacção a quaisquer manobras dilatórias da política para nos empobrecerem ainda mais.

O Pontal queimado será sempre um bom argumento…, pelo que se exige das autoridades com jurisdição sobre a área, que exerçam a sua responsabilidade.

E fica o aviso: os farenses nunca irão aceitar que um qualquer presidente ou a assembleia municipal façam filmes de desculpabilização sobre a destruição do Pontal. Ali não há direitos adquiridos nem leis das calendas…


Luis Alexandre

LaranJèras Secas...























ilustração de Bê - Zê

Câmara oferece floreiras


Em 2003, o Município de Faro lançou concurso público para a Requalificação das Zonas Pedonais da Cidade de Faro, com a introdução de 850 floreiras, nas ruas e largos da cidade de Faro.

A colocação de laranjeiras nas floreiras representou um investimento de cerca de 430 mil euros. Muitas não chegaram a ser usadas. Outras foram votadas ao abandono em caminhos rurais.

Volvidos todos estes anos, verifica-se que o investimento efectuado não logrou alcançar os objectivos de requalificação do ambiente urbano da cidade, antes promoveu o seu desprestígio, sendo hoje notória a sua degradação e fraca utilidade para a cidade.

Nesse sentido, dado o assinalável custo de manutenção associado a este tipo de equipamento não mecanizável, pretende a edilidade lançar um procedimento de oferta de 250 floreiras, que na sua maioria não chegaram sequer a ser utilizadas, com vista a permitir uma melhoria dos jardins particulares, de estaleiros e outras instalações.

O material será fornecido para levantamento no Cais Comercial e no Montenegro, sendo o transporte por conta dos beneficiários. Excepcionalmente, poderá a carga ser suportada pelo Município.

Todos os interessados, poderão contactar directamente o Gabinete de Apoio ao Presidente, através do e-mail: gap@cm-faro.pt ou do telefone 289 870 036.

Com os melhores cumprimentos,

( de referir que as laranjeiras que existem na Baixa são tratadas por particulares, porque a CMF deixou de regar e tratar as plantas, é só conversa...política... assim fica uma pequena homenagem ao pessoal que carinhosamente trata as plantas todos os dias e que colabora para que o ambiente e o pouco verde em Faro se mantenham.) adf       

Segunda-feira, Agosto 22, 2011

FOLKFARO de 20 a 28 de Agosto

Festival Adentro em Faro invade zona histórica com músicas do mundo (dias 2 e 3 de Setembro)









Festival Adentro em Faro invade zona histórica com músicas do mundo


Os Claustros do Museu e o Largo Afonso III, na cidade velha em Faro, recebem a 1ª Edição do Festival Adentro, com um alinhamento musical que traz, gratuitamente, à zona histórica da cidade grandes nomes e revelações das músicas do mundo

Promover e revitalizar esta zona nobre da cidade, divulgar e dinamizar a cultura e contribuir para o aproveitamento da riqueza arquitectónica da Vila Adentro são os objectivos gerais da realização deste festival

A Cidade Velha de Faro, acolhe nos dias 2 e 3 de Setembro a 1ª Edição do Festival Adentro, numa celebração que promete despertar o encanto histórico e arquitectónico dos Claustros do Museu e do Largo Afonso III. Revitalizar esta zona nobre e histórica da cidade, divulgar e dinamizar a cultura, contribuindo em simultâneo, para o aproveitamento da riqueza arquitectónica da Vila Adentro, são as intenções da Autarquia de Faro que aposta num alinhamento musical multicultural, procurando proporcionar aos visitantes momentos de diversão, evasão e relaxamento.

A ampla programação inclui várias actividades a acontecer entre as 19h00 e as 02h00, de destacar, a Feira de Artesanato Contemporâneo e produtos reciclados, Sessões de Contos com os Piratas de Alexandria e a Orquestra de Ritmo do Algarve. O diversificado alinhamento musical trará exaltação e surpresa, com os Italianos Anónima Nuvolari a abrirem o Festival nos Claustros do Museu, 6ª feira, dia 2, às 22h00. A actuação deste grupo constituído por 5 italianos a residirem em Portugal, caracteriza-se pela boa disposição e pelo gosto comum de divulgar a herança musical italiana que resulta num “cabaret musical”, criando um ambiente amigável e relaxante.

Às 23h00 entram em acção e pela 1ª vez em Portugal no Palco Afonso III, os tão aguardados colombianos La Chiva Gantiva. Este grupo radicado em Bruxelas tem sido amplamente elogiado pela crítica estando o seu último trabalho a ser produzido pelo produtor Richard Blair, que trabalhou com Peter Gabriel. Os La Chiva Gantiva misturam os ritmos da Cumbia e da salsa com outros ritmos quentes menos conhecidos como a Champeta, Chirimia e Mapalé. Levados pelo desejo de elevarem as suas raízes e de reproduzirem o melhor que podiam o folclore Colombiano, bem como de mudarem a imagem generalizada dos "Latinos", os La Chiva Gantiva usam instrumentos tradicionais como a Tambura, o Alegre e Maracones. As suas influências não passam apenas pela música tradicional colombiana e podemos ouvir nas suas canções um pouco de Funk, jazz, Afro beat e claro, o rock.

No Sábado pelas 22h00, os Claustros do Museu recebem a maior revelação de 2011 do actual panorama musical português, Frankie Chavez. A música de Frankie Chavez conjuga diferentes tipos de sonoridades, reflectindo as influências musicais que ficam das suas viagens. O resultado é um Blues/Folk composto por ambientes limpos e por outros mais crus e psicadélicos. Apesar de se identificarem diferentes influências musicais, (Robert Johnson, Jimi Hendrix, Kelly Joe Phelps, Ry Cooder) é difícil encontrar num único termo a definição para a sua música.

Os espanhóis La Selva Sur fecham o Festival às 23h00 no palco do Largo Afonso III, com a apresentação do seu 1º Cd “La Gran Orquesta Kamástronica de la Zanfoña Galáctica”. A actuação propõe uma viagem por Havana, New Orleans, Londres, Belgrado, Bucareste e Jerez, um concerto de festa ao ritmo do swing, reaggea, ska, salsa, rap e tudo o que mais se possa imaginar. Os Dj’s Pargana e NoWay DJ completam o programa do Festival. A organização do evento está a cargo da Câmara Municipal de Faro e da Blind Note, Lda.


Mais informações:


Departamento de Cultura da CMF: 969457580
dc@cm-faro.pt ou dct.dc@cm-faro.pt


Pedro Bartilloti – 91 9192090
info@blindnote.pt

limpar a gordura acabar com as loucuras..















«Transformada em Parque-Expo, [a Expo] teve tempo para produzir uma ninhada de empresas (no mínimo, sete e quase sempre deficitárias), para se meter indevidamente no domínio do Estado e para se afundar numa dívida directa de 225 milhões de euros. Não vale a pena falar da idiotia seguinte, o Euro 2004 de futebol, que fora afervorar o patriotismo, normalmente calmo, de meia dúzia de loucos, não nos trouxe qualquer forma de benefício e nos deixou quatro ou cinco estádios, que ninguém quer e se arriscam hoje a apodrecer ao sol, sem uso ou propósito. Depois desta viagem por uma loucura colectiva que durou 20 anos, só agora a ministra Assunção Cristas nos tenta devolver a um módico de realismo e de sensatez, dissolvendo a famigerada Parque-Expo e privatizando o que puder privatizar das sete empresas que ela entretanto acumulou. Não é com certeza a nossa salvação. Mas talvez convença os portugueses que o respeito da Europa e do mundo não se consegue disfarçando a desordem da sociedade com fantasias sem sentido.»


Vasco Pulido Valente, Público

Remodelação da Escola Tomás Cabreira - Agosto

fotografia de Luís Rosa

A praia a ANA o parque de campismo... o comentário do Ilhote!

1.43 Se o provedor se informasse melhor descobriria que há mais de 30 anos que o tribunal mandou encerrar o parque de campismo por falta de condições de toda a ordem,sentença que nunca foi cumprida nem revogada...nem as condições negativas alteradas.


Mas o record da necessidade ou não das coisas é a construção duma multipassadeira metálica por cima do local de descanso de caranguejos e bocas e a 100 metros os peões ,depois de estacionarem o carro no suposto parque alternativo ao interior da praia de Faro, fazem o caminho até á praia num beiral de estrada esburacado e sem segurança corendo o risco de atropelamento ou queda.Para quem como a A.N.A. vai aterrar salinas em Olhão para embelezamento do quintal frente á sede da Soc. Pólis e para a praia de Faro nem um pau de bandeira e isto como contrapartida da expansão do aeroporto,está tudo dito.Estamos estilo cornos mansos até ver.pode ser que o espírito mude para nosso bem e mal duns quantos que com estas acções só têm desvalorizado Faro.

Do Ilhote.

Os iludidos

Por relação directa, a falência do país, desnudou e projecta o somatório das suas partes. O apodrecimento das instituições nacionais encerra o vasto encobrimento do clientelismo, do desperdício e da irresponsabilidade que vagabundeou no país.


O estado comatoso da cidade de Faro é um exemplo vivo (ou morto?) da vacuidade e do aproveitamento político com propósitos confinados. Quando assumimos a desilusão é porque fomos iludidos ou fizemos parte da ilusão. Os prejuízos ficam com os iludidos e os proveitos com os vendedores de ilusões e os seus compadrios.

Os cidadãos do concelho de Faro dormiram décadas com as ilusões direccionadas e produzidas em centrais que não descuraram os pormenores das intervenções. Cada central destila o seu tipo de ilusões com propósitos concretos. As ilusões são uma obra.

Para percebermos a nossa responsabilidade, temos de avaliar como e quem nos iludiu. Os interesses dos ilusionistas estiveram virados para as redondezas e não para o mar. Os solos firmes produzem rendimentos mais rápidos numa base mais alargada de procura. O mar é sazonal, como a procura e o retorno não se faz por grosso. A terra é privada, tem bolsa de valores e o mar é público.

Os propósitos que governaram Faro estão em exposição e as mãos escondidas. Os iludidos, confessos ou hipócritas, enquanto não entranharem quem vende ilusões, estarão sempre no mercado.

Agora dizem-nos que não há dinheiro não há ilusões. Não se iludam. Então porquê tanto frenesim pela cadeira de onde se concretizaram as ilusões?

Quando um ilusionista sucedeu a outro, nem os rumos nem os resultados se alteraram. O que aconteceu foi o aumento do buraco e o incumprimento das renovadas ilusões.

Onde estão as ilusões (políticas e económicas), não há lugar para a criatividade. As ilusões estão mais ligadas à mediocridade e ao oportunismo. Os factos falam por si.

Os apoios que sentaram os ilusionistas não gostam e não gastam em criatividade, sobretudo quando não a controlam. Esperam que os seus eleitos rentabilizem novas ilusões ou simplesmente substituem-nos.

Quem investe nos ilusionistas também não se compadece com queixas dos iludidos. Para os últimos, a questão está em se preferem subsistir na ilusão, porque candidatos a ilusionistas não faltam, nem apoiantes que ganham com as ilusões das maiorias, como as escolas de produção não encerraram.

Para os ilusionistas, por trás do nós “ estão os vários “eu”, que dão nós que Faro tem dificuldades em desatar. Quando uma casa cai por abandono, uma rua não é limpa, os símbolos da cidade definham, mais um pobre morre solitário, a sombra não cobre um utilizador ou um pequeno empresário ou trabalhador caem na amargura, estamos a pagar o preço das ilusões. Mas os ilusionistas permanecem! Os seus criadores também! Explorando gerações…



Luis Alexandre

Sexta-feira, Agosto 19, 2011

FARO MERECIA MAIS, ESTOU DESILUDIDO.



















Fui ver para crer. O que o Correio da Manhã dizia a respeito das carreiras fluviais para as Ilhas com partida da Portas do Mar. um triste espectáculo que há muito já previra.


De que falta apoio logístico a uma actividade turística em que Faro mostra potencialidades. Centenas de pessoas esperavam ao sol a chegada do barco. Muitas procuravam um pouco de sombra nos beirais das casas de madeira colocadas há anos como apoio aos mariscadores. Esta Câmara, como outras, não é capaz de apoiar o turismo de natureza, náutico, em que Faro mostra potencialidades. Algumas carreiras, alguns horários, terão já por via disso desaparecido. Esta Câmara justifica a inacção, o pouco ou nenhum investimento, com a crise da construção, genérica a todas as cidades algarvias, mas mostra-se incapaz de criar a base de uma nova economia, a do turismo de natureza, náutico, em que Faro mostra aptidões indesmentíveis. Sempre preconizei a valorização do chamado Passeio Ribeirinho nesse sentido. Que a antiga sede dos Bombeiros Voluntários desse lugar a esplanadas voltadas à Doca. Que nas instalações, desmesuradas, do Centro de Ciência Viva houvesse espaço para um Centro Interpretativo da Ria Formosa, onde os visitantes fossem elucidados, escolhessem o roteiro que quisessem. Que a sede da Vivmar, fosse para outro lugar, dando lugar a uma gare marítima de apoio aos roteiros e carreiras fluviais na Ria. Que o tapume que o José Vitorino mandou lá pôr, mais adiante, desse lugar a outra esplanada, abrindo-se a porta barbacã, tão importante como Arco da Vila, da muralha. Nada se tem feito. Esta Câmara é tão insensível como as anteriores. Tanto ou mais agiota que as demais, perseguindo a dívida pública única e exclusivamente, mas sem uma ideia futura da cidade, de como tirar a cidade da estagnação em que a recebeu e a tem conservado.
Faro merecia mais. Mais iniciativa. Esperei mais. Estou desiludido. Não se trata de pedir, exigir, investimento. Simplesmente de pôr alguma criatividade na gestão comum.

Ser menos monolítica, burocrática. Ouvir a cidadania activa. Explorar as tendências virtuais da cidade.

Viegas Gomes

Nem tudo está parado! (ou a dormir)

Beja: obras de requalificação das Portas de Mértola vão começar, ver aqui


António Eusébio (próximo candidato à CMFaro) o comentário














É curioso analisar alguns dos comentários aqui publicados sobre o putativo candidato à câmara, António Eusébio. Constata-se que as críticas mais maldizentes e ferinas são oriundas do seu partido. E porquê? Porque os outros possíveis candidatos, nomeadamente, o Miguel Freitas e o imberbe João Marques (o descendente) sabem de antemão que a candidatura de António Eusébio lhes iria criar imensos obstáculos no apoio às suas candidaturas. O António Eusébio evidencia traços na sua personalidade como a seriedade, a honestidade, a flexibilidade, a simpatia, a competência e sobretudo algum distanciamento do aparelho partidário e das suas lutas, características que nenhum dos outros mostra possuir, nem de perto, nem de longe, de igual forma.


Ser farense não é condição sine qua non para se desenvolver sentimentos de pertença a sítio, (embora eu como farense gostasse de ver alguém de Faro a desempenhar bem o cargo) e por ele fazer o melhor que souber e puder. O que interessa realmente é o carácter, coisa tão arredia nos dias de hoje, em que tudo se compra e se vende, sem pejo, nesta era do mercantilismo puro e duro.

Por isso, entre os atuais potenciais candidatos (ainda não se vislumbra uma candidata, o que é feito das mulheres farenses do PS?) darei o meu voto ao António Eusébio, caso ele tenha a coragem de se candidatar à autarquia.

Rainha de Copas

Diziam que eram eles que iam reiventar Faro...pois acabaram!!!













Em 2008 venderam isto,Parque Expo vai reinventar Faro.

Governo acaba com a Parque Expo




A decisão da ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, já foi ontem comunicada à gestão da empresa.

"A Parque Expo é um mau exemplo que não pode continuar. Foi uma empresa criada para determinado fim e foi acumulando competências para autojustificar a sua manutenção", disse ao SOL a ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento, Assunção Cristas, que comunicou ontem a decisão à gestão da empresa.

mais aqui


os portimonenses pelos vistos não têm problemas com marinas e portos!!

Homenagem


A UM GRANDE MESTRE TAVIRENSE


Ah homem do arco da velha!
há muito não via igual:
vem do Monte da Cortelha...
...ganha a Volta a Portugal!!


Na xuxa que tráz ao peito,
revela amor e carinho.
Na sua força e seu jeito,
lembra o Joaquim Agostinho.


Gesto desportivo e honrado,
num herói, feito menino:
a vitória ter partilhado,
com o companheiro Vitorino.


Cortelha, flor silvestre,
esteva da Serra...cheirosa,
Teu filho Ricardo Mestre,
fez-te mais rica e famosa.


Tavira, Pérola Algarvia,
gosto de ti sem cinismo,
tu és para nossa alegria,
A raínha do ciclismo.

José Elias Moreno

A sopa para esconder o roubo

Consciente da gravidade da situação social criada pela crise e a injustiça das medidas para a sua debelação, o Governo PSD/CDS apoiado pelo P”S”, depois de arrumar a estratégia para a macro-economia e finanças em favor do grande capital opressor, destinou 400 milhões para a caridade da sopa.


Até ao momento e numa estratégia de ocultação, o Governo fala de deficit e bombas ao retardador, mas não quantifica o valor astronómico de que necessita roubar ao suor dos trabalhadores, dos reformados e dos pequenos e médios empresários. O único número real e assustador conhecido (o que não acontecerá com os patrões da “troika”) é o do valor global do empréstimo de 84 mil milhões de euros que vão avisando ser para tapar buracos de curto prazo, isto é, voltar para os bolsos dos credores acrescidos dos juros.

O Governo e os seus apoios no parlamento não falam claro nem verdade porque sabem que as medidas anunciadas ficam muito aquém do que os buracos das finanças do Estado e da Banca precisam.

Desde a preparação da queda do anterior Governo aos dias de hoje, a troica nacional formada por PSD, CDS e P”S”, que assinou o acordo para o pagamento da dívida que provocaram, sempre teve ao seu lado e com voz sonante, os capitalistas nacionais, os banqueiros e todo o rol de esqueletos da vida política burguesa do pós-25 de Abril. Não se cansam de propor, de apoiar o decidido e pressionar na sua direcção, com inegável… mas aparente sucesso.

Depois dos jogos sujos da Banca com o patrocínio do Banco de Portugal, das políticas de obras públicas pagas sobre multiplicação dos preços reais, do esbanjamento generalizado da pesada máquina do Estado e do endividamento desregulado dos sectores empresariais públicos e privados, o novo Governo contrata empréstimos para curar as chagas cancerígenas que as famílias político-partidárias e conhecidas castas do empresariado foram criando e lança o ónus sobre o povo.

O dinheiro contratado tem objectivos determinados e as “sobras” são para um dos maiores espectáculos de propaganda, um tal plano de intervenção social em benefício de 3 milhões de portugueses (afinal o Governo conhece a extensão da miséria…) que na sua divisão por dia em muitas partes do país não chega para acrescentar o caldo da sopa…

O recente plano social apresentado com circunstância revela a suprema hipocrisia que gere o país, supondo que domina as consciências dos trabalhadores espoliados, dos desempregados, dos reformados, dos jovens com o futuro adiado e das famílias que passam privações.

O presidente da República exulta interiormente por ter um Governo que aplique o pensamento liberal do núcleo duro dos seus apoiantes e reponha a fero e fogo as finanças públicas, aceita que as urtigas tomem conta das promessas eleitorais, que a falta do investimento público deixe o país em envelhecimento das suas estruturas para que se transformem no futuro… (não há fome entre os capitalistas) em bons negócios.

O pior que está para vir e que vão avisando em pequenas doses, sem que conheçam do quanto e até quando vão precisar de roubar as condições de vida da imensa maioria da população, são mais um aspecto da desconstrução social e económica, à custa de sacrifícios que adivinham perturbadores da ordem pública e da qual têm fundado medo.

O Governo segue um caderno escrito que os autores, a julgar pelos recuos e avanços dos líderes europeus, não têm certeza para onde levará.

A Comunidade Europeia actual, onde a desautorização e a confusão instalada são evidentes, deixa o caminho para as transformações sociais… e não faltam sinais…



Luis Alexandre

Terça-feira, Agosto 16, 2011

FÉRIAS EM VILA DE FRADES
















Estamos em Julho de 2007.


Como é possível ter conseguido reter na memória umas férias passadas no Alentejo em 1946/47?

Claro, desse passeio a Vila de Frades, Cuba, existem lacunas, pontos completamente apagados. No entanto, há episódios que permanecem, tão nítidos, que me dão a sensação de terem acontecido ontem. Sei que o passeio foi em tempo de Verão e que na casa para onde fui circulavam pessoas, todas mais velhas do que eu. Não sei porquê e como fui para lá, quanto tempo lá estive, o nome e a cara das pessoas que me receberam, e como regressei.

Tinha 6 ou 7 anos.

Sempre vivi em Faro, que na altura mais parecia uma vila (embora capital), com pequenas habitações, trânsito automóvel quase nulo e todos a conhecerem todos.

Nunca saíra da casa dos pais, e talvez por isso, a absorção de todas as vivências foi integral.

Vila de Frades era um local pacato, tranquilo, totalmente diferente de Faro.

A primeira imagem que guardei, religiosamente, é de uma rua que subia e curvava à esquerda, com casas térreas, alinhadas, muito branquinhas, com grandes chaminés, com postigos nas portas e degraus de acesso.

Lembro as noites sentados em grupo, no sítio onde cozinhavam, debaixo da chaminé, a contar histórias, anedotas, poesias, rezas, a entreter o tempo.

Uma senhora fazia meia, mas interrompia o trabalho lançando aos outros a sua sabedoria e experiência de vida. Como gostava de ouvi-la e como ela conseguia encantar, não só a mim, mas a todos os que a rodeavam. Todos bebíamos as suas palavras, um legado do passado, transmitido ao presente que haveria de se oferecer ao futuro.

Havia noites que não ficávamos em casa, íamos para a rua, com cadeirinhas baixas para nos sentarmos.

O ar que respirávamos era puro, parecia santo. A conversa focava o trabalho, a luta pelo pão, pela sobrevivência, revelava o amor pela terra, pela família, pelos amigos, todo o sofrimento da alma.

Ao longe ouviam-se vozes que mais pareciam o sussurrar do vento. Aos poucos, esses sons, iniciados mansamente, iam crescendo de volume e todos nos quedávamos como que encantados a ouvir, embalados, dando-nos a sensação de colo materno…

Para quê inventar contos de fadas, se nós estávamos ali a ser personagens de uma história de encantar?…

Bastava fechar os olhos, ouvir e voar…

Essas vozes de homens, num canto dolente, com uma sonoridade de palavras que mais pareciam alívio de sofrimentos e cansaços, revelavam o labor do dia-a-dia, o sabor do suor de quem trabalha.

Pelas ruas, vários grupos cantavam. Era a alma do povo que se exprimia de maneira singela e profunda.

Outro facto que me impressionou foi a ida a uma feira em Cuba e assistir a uma tourada.

Os carros de besta sem os animais, que pastavam e descansavam, foram encostados uns aos outros, formando um círculo cerrado. Dentro da arena, improvisada, homens provocavam touros e fugiam deles. Alguns eram apanhados e lançados ao ar e aconteciam situações caricatas. Os carros eram o refúgio dos que fugiam e dos que assistiam ao espectáculo. Ouviam-se palmas, risadas, ais… de tudo um pouco. Todos vibravam e saíam gritos de apoio:

- OLÉ!!

Imaginem o que sentiria uma criança de 6 anos, caída num Alentejo tranquilo, ingénuo, de pessoas que nada possuíam, mas tudo tinham, principalmente a grandeza de alma… Essa criança só tinha instintos; a idade não lhe permitia analisar, nem sequer lembrar-se de interrogar:

- Porque é que isto é assim?

O trajecto Cuba/Vila de Frades foi feito depois de um dia de emoções, numa carroça puxada por um animal levando mulheres, eu e o homem que a conduzia. O caminho era longo, mas tínhamos todo o tempo. O luar cheio impunha-se. Iluminava e aquecia-nos a alma. O carro chiava, dolentemente, deslocando-se sem pressas.

Eu, de olhos bem abertos, olhava à volta a paisagem lunar salpicada de árvores, que se adivinhavam no contraste lua/ sombra. Um cheiro a restolho, misturado com o das uvas por apanhar, mas maduras.

Ouviam-se os grilos, viam-se os pirilampos brilhando como pequenas estrelas.

Que paz!!!!…

A carroça lá ia vencendo o caminho, e as mulheres, para matar o tempo, iniciaram conversas de “lobisomens”, de bruxas, de acontecimentos macabros, de vida para além da morte, que me atormentaram a alma.

Um contraste de paz e medo.

Resolveram cantar e as suas vozes soavam na imensidão da planície e aí, sim, a tranquilidade foi plena.

Deitada no fundo da carroça, dominada pelo encanto do momento, tapada pelo luar, embalada pelas vozes dolentes que sussurravam e pelo baloiçar da carroça que, chiando, avançava, avançava… adormeci.

É tão lindo ver o campo,
Tão lindo!…
Trigueirinha alentejana:
Numa mão levas a foice,
Noutra, canudos de cana.

Com teu trajo à camponesa,
Tão lindo…
Com o teu chapéu ao lado,
Cantando lindas cantigas,
Ceifando,
As espigas do pão sagrado.

(autor desconhecido)

Lina Vedes

Tavira em festa!

O português Ricardo Mestre (Tavira-Prio) venceu  hoje a 73.ª edição da Volta a Portugal em bicicleta, cuja 10. última etapa,  que ligou Sintra a Lisboa, na distância de 152,6 quilómetros, foi ganha  pelo italiano Francesco Gavazzi (Lampre). 

Juca & Zeca

Ralf Pinto
















fotos de Bruno Filipe Pires
Falecimento do Sr. Ralf Pinto

A Câmara Municipal de Faro expressa o seu pesar pelo falecimento do Sr. Ralf Pinto, responsável pelo restauro e rededicação do Centro Histórico Judaico de Faro e Museu Sinagoga Isaac Bitton e seu dinamizador até à data do seu falecimento.

Ralf Pinto faleceu no dia 7 de Agosto e as cerimónias fúnebres terão lugar no próximo dia 14 de Agosto (Domingo), pelas 17h30, no Cemitério Judaico de Faro, seguindo a tradição judaica.

Ralf Pinto e a sua esposa Judith mudaram-se para o Algarve em 1990 tendo obtido a cidadania portuguesa. Em 1991, Ralf e a esposa criam uma comunidade Judaica no Algarve e decidem restaurar o cemitério com os fundos recolhidos por Isaac Bitton.

A cerimónia de rededicação, no dia 16 de Maio de 1993, contou com a presença do então Presidente da República, Dr. Mário Soares, que plantou o primeiro dos 18 ciprestes que se encontram diante do cemitério. Estes ciprestes têm por objectivo homenagear o Dr. Aristides de Sousa Mendes, Cônsul de Bordéus em 1940, que salvou a vida de centenas de Judeus ao emitir-lhes vistos para saírem da Europa e assim fugirem dos Nazis. Plantaram-se 18 ciprestes porque na língua hebraica usam-se letras para representar números e “18” soletra a palavra vida.

Julga-se que a família de Ralf Pinto tenha vivido em Portugal, mas devido à perseguição da inquisição terá sido obrigada a refugiar-se na Holanda. No ano de 1942 os avós de Ralf Pinto faleceram às mãos do nazismo em Auschwitz e os seus pais fugiram para a África do Sul, onde viria a nascer e integraram-se numa pequena mas forte comunidade judaica

A “troika” foi ao calçadão



O Pontal deste ano marca o calvário do povo português. No espaço de um ano tivemos dois discursos – o do aspirante e o do carrasco. O calçadão continua um símbolo, pela negativa, em alternância para as conspirações ou o uso do poder.



Da camuflagem da “crítica” à gestão socrática, apesar de a assinatura estar lá na cumplicidade, as cobras e lagartos anunciavam a sede de poder sobre o estado terminal de um Governo que definiu a evolução de um partido pequeno-burguês, cosmopolita e de raízes sociais –democratas a partido mais profissionalizado e neo-liberal em serviço de pronto-socorro das teias de interesses do grande capital.

Com Passos Coelho e a turma em primavera de ambições, a fluência de 2010 esteve virada para as virtudes do PSD (estão bem à vista nas três visitas do FMI e quejandos) que levou os sacrifícios do povo português ao terceiro mas não arriscou o interior do quarto (PEC)… preferindo a lucidez de abraçar o dinheiro fresco e os portadores da mala.

Com a volta ao calçadão em vitória e reencarnado em “troika”, o sentido… do estado do PSD leva o seu timoneiro a estádios superiores, sem pedidos de desculpas (parece que virou moda entre os lideres europeus com o fascista Berlusconni a imitar o nosso príncipe) e a louvar a generosidade do seu Governo, como nunca se viu, diz Passos, para fabricar todas as medidas que, de forma abençoada, livra os seus financiadores e criadores da crise e impõe à população os caminhos do escuro, à procura de uma luz… que nunca se viu.

O ambiente do calçadão foi de completa euforia (repleto de gente disposta a dar tudo para salvar… o país) e o nosso primeiro sentiu o calor das palmas para o dramatismo do “pior está para vir”.

Como os tempos não estão para graças e a “troika” deixou os estados bem definidos, o salvífico Passos Coelho, à semelhança do seu parceiro inquilino de Belém, citando os acontecimentos de Londres, pediu a paz do senhor para a próxima lista dos sacrifícios que, insistiu, nos vão tirar do empobrecimento (?!) e regenerar a Nação.

Depois da tripa-forra que fez desaparecer dezenas de milhares de milhões que não contribuíram para o desenvolvimento do país mas dos bolsos do costume - os isentos da crise -, o senhor Coelho e partners renovaram a justificação do papão que veio de fora e querem que a cambada nacional coma e se cale. Preparam 10% de corte na despesa pública e 15% na Saúde. Imaginem onde vão cortar… nas mordomias? Esqueçam!

Os Pontais anteriores foram a linha que nos trouxeram à bancarrota e o de 2011 deixa o registo miserável do empenho do Governo PSD/CDS, apoiado pelo P”S”, em fazer-nos pagar a factura.

Os políticos nunca assumiram as suas responsabilidades e dizem-nos que falhámos e andámos a gastar de mais. E falhámos mesmo… ao não lhes pedir contas. Mas a História marca encontros…


Luis Alexandre

P.S.: o discurso do Pontal contornou as portagens e os investimentos no Algarve. Será que os comensais, tirando os cambalhotas, eram algarvios? Duvidamos…

Sábado, Agosto 13, 2011

O que falhou em Londres.

AQUI

Rendas sociais

A Câmara Municipal vai efectuar uma actualização nas rendas sociais de forma a tornar mais justa a comparticipação dos beneficiários deste apoio.


Esta actualização está definida no Regulamento de Acesso e Gestão do Parque Habitacional do Município, aprovado em Assembleia Municipal a 22 de Junho de 2010 e resulta da aplicação das regras do Regime da Renda Apoiada aos fogos de habitação social e municipais.

Este processo foi precedido de uma exaustiva interacção entre os serviços de acção social da autarquia e os beneficiários deste apoio a quem foi solicitado a actualização dos seus dados referentes aos rendimentos e composição do agregado familiar.

Este processo tornou-se indispensável face ao panorama que se tem vindo a observar: A Câmara Municipal tem 371 inquilinos sendo que em dois bairros não são cobradas rendas. É ainda de referir que, dos que pagam, 110 têm rendas inferiores a 10 euros e 70 destes pagam menos de 5 euros/mês. A autarquia identificou 21 inquilinos seus que têm património imóvel (7 destes com edifícios em seu nome) e 18 recusam-se a fornecer a informação solicitada para a actualização dos processos. Devemos acrescentar ainda que 39 tem as rendas em atraso., sendo que a média das mesmas ronda os 48 euros.

Ora, face a este cenário e considerando os tempos difíceis em que vivemos, esta actualização é inadiável por uma questão de justiça para com os mais desfavorecidos e para com os restantes munícipes do concelho. Igual atitude tem vindo a ser tomada por inúmeros municípios.

Apoio social mas com justiça e rigor.

CMF

Sexta-feira, Agosto 12, 2011

A cadeira de Faro: entre o incómodo e o interesse

Macário Correia, na entrada do período de recandidatura, ensaia estrategicamente uma nova postura de ataque, combinando um aumento de preocupação sobre falta de obra e os necessários meios para a desencadear.


Conhecedor do terreno minado das finanças autárquicas e de um elevado descontentamento estrutural sobre o funcionamento e o processo degenerativo do tecido económico e social da cidade e do concelho, anunciou-se para a mudança.

Há quase dois anos em círculos, os sinais exteriores de pobreza escrevem-se com mais preocupação, de que o estado de alma do presidente deu conta em recentes declarações.

Da esperança ao ambiente de desilusão, Macário Correia, mesmo contando com o apoio “envergonhado” do P”S”, não deu conta dos três principais dossiers do Município: a concretização das mezinhas para o saneamento financeiro, o relançamento da actividade económica do centro da cidade assente em várias frentes de intervenção e o falar claro sobre o que vai fazer da ocupação ilegal das ilhas barreira por agentes estranhos à comunidade piscatória que ali criou raízes em respeito pelo meio ambiente.

Das pequenas coisas da responsabilidade municipal e do interesse dos munícipes, basta circular, ouvir e ler, para se perceber do desmazelo instalado. Em matérias simples que podiam lavar a cara, mesmo com pouca água, o executivo queixa-se da falta da toalha…

Nas recentes declarações de homem agastado pela impotência sobre a gravidade da situação e onde pesará a avaliação da cambalhota sobre as portagens, Macário vira-se contra o casamento do seu partido com os cortes da “troika” para os financiamentos e gastos das autarquias, argumentando mais uma situação de excepção entre outras que vão ferindo de impraticabilidade alguns dos postulados do famoso acordo.

A governação da edilidade farense já percebeu que sobre um colete-de-forças lhe enfiaram outro, e, que os dois, retiram o espaço para qualquer intenção de investimento reprodutivo. Falhados ou adiados nos resultados (nada foi comunicado sobre a utilidade da iniciativa) os contactos entre comunidades farenses no estrangeiro para o investimento, o executivo sabe que não tem meios para as sempre exigidas contrapartidas.

A aliança PSD/CDS e outros está no cadafalso que ajudou a construir e não vislumbram saídas. O sistema não responde e a profunda recessão da economia não despertam o interesse ao investimento privado que insufle receitas.

Os planos ribeirinhos e o incremento da actividade turística e náutica continuam sonhos adiados, a autoridade para o programa de requalificação do património privado como forma de dinamização não se exerce (?!) e a cidade vive de iniciativas esporádicas, ao que conhecemos vindas da grande distribuição, que continua a usufruir de todas as benevolências políticas (horários e licenciamentos) sem critérios de defesa do tecido estrutural da cidade.

Com vários encostos às cordas, o presidente da edilidade “vira-se contra” o seu próprio partido chefe do Governo, contesta nomeações e os seus custos, como forma de evidenciar o desespero que a autarquia vive.

Nesta acção, fora do contexto e das contradições da AMAL e sem que se conheçam apoios nos Municípios da cor, os agentes do rotativismo, cúmplices da situação, aproveitam para os ensaios da figura que se virá a candidatar nas próximas eleições.

Os dois próximos anos até ao palco de 2013 prometem mais lutas de poder entre os dois principais responsáveis pela derrocada da edilidade, agora em papéis inversos e num completo desinteresse e desresponsabilização da situação criada.

Apesar do desespero de Macário, escolhido por vir de fora dos vícios do concelho e que não consegue mobilizar a capacidade de intervenção das forças financeiras que o elegeram, o P”S” volta a preparar a mesma receita, diminuindo os cidadãos da capital do Algarve.

E porque será? As fileiras locais têm peso de consciência política…



Luis Alexandre

Quinta-feira, Agosto 11, 2011

António Eusébio (próximo candidato à CMFaro)














António Eusébio (ps) Presidente da CM São Brás de Alportel

"...Da janela do gabinete do presidente da câmara, ao longe, vê-se o mar por entre dois montes, erguidos na paisagem como se fossem duas sentinelas. A brisa marítima não alcança o interior, onde os turistas vão chegando a conta-gotas. A sede do concelho situa-se a menos de 20 quilómetros da costa, mas parece que estamos numa terra bem mais distante. "Ainda não conseguimos trazer até aqui os operadores turísticos", lamenta António Eusébio (PS), destacando as "potencialidades" do concelho, sobretudo para quem é adepto da Natureza.


Porém, a atracção pelo litoral não deixa indiferente o próprio autarca, que admite estar a "ponderar" a possibilidade de disputar a presidência da Câmara de Faro ao social-democrata Macário Correia. Por enquanto, aposta na melhoria da "imagem urbana" da vila e procura atrair visitantes, dando a conhecer o interior. "É um trabalho diferente de quem só têm a preocupação de ter lá os turistas de Junho a Agosto", diz, referindo-se à necessidade de atrair visitantes em todas as estações... mais aqui

TURISMO EM FARO: VAI LÁ, VAI…



Neste domingo fui de S. Brás a Faro com a família para ir no barco das 10 e 25 para a Ilha do Farol. Quando nos dirigíamos às 10 horas (tão cedo para prevenir surpresas desagradáveis) para o Cais da Porta Nova uma multidão de banhistas que vinham em sentido contrário não fazia prever coisa boa. Na bilheteira:

- Bom dia, quatro bilhetes ida e volta para o Farol, se faz favor.

- Os bilhetes estão esgotados.

- Esgotados?! mas é para o barco das 10 e 25 e só são 10 horas!

- Oh meu amigo, há quanto tempo é que já esgotaram.

- E então, não vão fazer uma carreira suplementar?

- Aqui não há disso, se quiser é esperar pelo próximo barco que é às 12 e 15.

- O quê? Só daqui a mais de duas horas? Olhe, está-me a trocar os planos mas então dê-me lá quatro bilhetes para a Ilha de Faro.

- Não viu aí o aviso? O barco para a Ilha de Faro está avariado e hoje não há carreiras e não sei quando vai haver.

A multidão não parava de chegar, novos, velhos, famílias, portugueses, estrangeiros, que mal chegavam à bilheteira tinham que fazer marcha atrás, primeiro com cara de grande surpresa e depois de enorme indignação:

- então querem incentivar o turismo em Faro e depois montam estes serviços miseráveis?

- não podia haver mais barcos no pico do verão? Agora tenho que ir de carro para a ilha e depois não venham falar do caos do trânsito na ilha!

- mas você chama aquilo barco? Aquilo é mas é uma casquinha de nós, meia dúzia de pessoas e fica logo cheio, quem organizou isto devia estar a pensar que era para dar passeios na doca!

- pois é, no outro domingo deram-me aqui um horário que dizia que a volta do barco era às 15 e 50 no farol, cheguei lá às 15 e 45 e já só tive tempo de ver o barco a desaparecer rumo a Faro. Depois disseram-me aqui que era um erro que iria ser corrigido. Não me livrei de ter ficado à espera mais de 2 horas pelo barco das 18 e quando estava na fila quase a entrar no barco, a lotação esgotou-se e disseram que não ia haver desdobramento e só pude vir no barco das 19 e 30, mais de quatro horas depois. Isto mais parece o terceiro mundo, a desorganização não podia ser pior.

- olhe, a mim isso já me aconteceu montes de vezes. E logo mal os barcos arrancam e fica lá a populaça à espera atacam montes de barcos táxi, muitos deles ilegais e sem condições de segurança, que rapidamente enchem pois as pessoas têm mais que fazer do que ficar horas a fritar nas filas. E assim pagam bilhetes a dobrar pois já tinham o bilhete de volta. Uma ida à praia em vez de ser um divertimento acaba por ser um pesadelo e fica pelas horas da morte, 4 pessoas pagam 20 euros e depois mais 20 pró táxi, 40 euros dá para vir só quando o rei faz anos!

- eu no outro dia tive que ir de táxi pois tinha lido que os trajectos para as ilhas partiam todos do cais comercial e passei lá quase uma hora feito palhaço a vê-los passar ao largo pois não havia lá avisos nem horários nem nada, para quem é, bacalhau basta!

Com os miúdos a chorar pois já estavam a ver a praia por um canudo, falámos com outras pessoas que também já estavam por tudo e tentámos arranjar um táxi barco mas informaram-nos que só esperando à volta duma hora pois estavam com muito movimento. Pudera, com a qualidade deste serviço público, os privados têm amplo espaço para intervirem, mas com os preços que praticam a solução é só para alguns.

Para calarmos os miúdos metemos rapidamente caminho para Olhão para apanharmos o barco das 11, a jurar a pés juntos que turismo em Faro nunca mais. Já no barco íamos a ler uma bela reportagem dum diário de hoje sobre a praia do Farol mas que no título, suprema das ironias, referia “é fácil partir para uma ilha deserta”. Vai lá, vai…

Manuel Costa

Observações sobre a Praia de Faro

Ontem, dia 9 de Agosto de 2011, tentei ir à praia de Faro. Entrei na fila de carros para passar a ponte no final da reta que antecede a curva e contra-curva para a reta final. Eram 09.15 horas. Entrei na praia, fui até ao antigo Casino e regressei a Faro sem arranjar lugar para pôr o carro. Estava tudo bem arrumado, sem carros sobre os passeios ou mal estacionados a dificultar a passagem dos que circulavam.


Hoje, como é natural, fui às 08.15 e arranjei lugar onde quis. Fui tomar café e comprar o jornal à Aeromar e depois tirei o material do carro e fui até à praia. Eram 09.05 e já não havia lugares para pôr os carros.

Enquanto tomava café, estive a ver a entrada dos carros na ilha. Pelas minhas contas, se a fila contínua de carros tem início por volta das 07.30 e às 09.00 já não há lugares, entram nesse espaço de tempo cerca de 1.200 carros. Cada carro, em média com três pessoas, somará as 3.600 a 4.000 pessoas. A estas somam-se as que, até meio da manhã, vem no transporte público, sejamos optismistas, umas 300. Um total de pouco mais de 4.000 pessoas. Faltam aqui como é natural, os que residem na praia.

Já na minha sombrinha, estive a observar o acesso que estava próximo do local onde me encontrava e verifiquei que raras foram as pessoas que entraram na praia depois das 09.10. A praia, tal como os carros, nos locais de estacionamento, estava bem arrumada. Com bastante espaço entre as sombrinhas, etc.

Nada de confusões. Nada que se assemelhasse com a "bagunça" de há dois ou mais anos. Mas a que custo! Quantas pessoas regressam a Faro sem a sua manhã ou tarde de praia? E quantas já nem vão à praia de Faro? Os comerciantes é que devem sentir a diferença. Eu, durante o Verão passado, fui lá duas vezes. (Fim da 1.ª parte)


Obrigado pela atenção..


Luis Filipe Rosa Santos

Faro e as linhas amarelas

Faro está cheio de linhas amarelas para, teoricamente, impedir o estacionamento nessas zonas. A realidade é bem diferente.


Vivo na zona do mercado municipal e é raro o dia (sobretudo de manhã), em que não há "buzinões" devido à impossibilidade de circulação devido ao estacionamento anárquico.

A praia de Faro está cheia de zonas com linhas amarelas e, aí, ninguém estaciona (nem de dia nem de noite). São imediatamente multados.

Em Faro a responsabilidade de actuar nas circunstâncias acima descritas é da PSP. Na praia de Faro a responsabilidade é da GNR.

Com base nisto proponho que se mandem os PSP's a banhos, para a praia de Faro, para ver se já podemos ir tomar uns "banhitos" e ter a certeza de quando voltarmos ainda encontramos o carro (mas estacionado e a impedir a passagem de outros veículos), sem estar autuado. E chamamos a GNR para passar a policiar e actuar em Faro, para ver se podemos circular livremente pela cidade, sem constrangimentos, sem carros a bloquear os estacionamentos, etc.

Fica aqui a ideia!

Quarta-feira, Agosto 10, 2011

Há 3 dias que não há barco para a Praia de Faro!



Há 3 dias que não há barco para a Praia de Faro! É pena mas é a nossa triste realidade, enfim, o Portugal que temos.

Seja com simplex, sem simplex, com boa vontade ou sem ela, não se consegue ultrapassar o eterno problema da burocracia, da porcaria da papelada.
Coisas que num qualquer país civilizado se resolveriam em 2 dias, com uma reunião, um compromisso, em Portugal esbarram na papelada, nos procedimentozitos administrativos, na burocracia.
E como há 3 dias que não há barco para a Praia de Faro, urge telefonar à empresa que explora a concessão para saber o que se passa.
Acontece que o barco está avariado! Mas também acontece que têm um barco novo para substituir o actual ! Mas não se consegue resolver nada por causa da papelada e o barco novo continua atracado sem poder navegar. O barco actual continua em reparação e há 3 dias que não há barco para a Praia de Faro!
E por cá andamos, a 9 de Agosto do 2011, no século XXI portanto, sem barco para a Praia de Faro seja por causa de papelada, ou seja por falta de vontade para sentar à mesa e resolver um problema como pessoas de bem.
Mas não somos nós o país com uma das maiores zonas de exclusividade económina marítima do mundo? Não somos nós o país que anda há anos a falar em voltar-se para o mar, que increve no PENT o mar como estratégico para o desenvolvimento turístico do país?
Mas para que a "Estratégia Marítima" funcione há que "agilizar o mar", e os gabinetes relacionados com o mar, e os funcionários dos gabinetes relacionados com o mar. A sensação que tenho é que há gabinetes a mais, poderes a mais, feudos a mais. Ainda faz sentido ter tudo tão militarizado?

E se as capitanias não funcionam, se o IPTM não funciona, terão uma gestão competente? Sobretudo há que encontrar um novo modelo de gestão dos assuntos realcionados com o mar, pois o actual parece que não funciona mesmo.
Se dizem por aí que nos devemos voltar para o mar, devemos também reflectir se o actual modelo de gestão que temos é o mais eficaz para possibilitar essa viragem. Parece que não é e parece que o que se diz por aí é pura retórica.

Miguel Caetano
enviado dia 9 de Agosto

As revoltas não têm fronteiras


Do Norte de África, onde as autocracias viviam felizes com os apoios externos e os dinheiros salvaguardados nos Bancos europeus, as revoltas populares, que só aparentemente não têm conexão, assaltam agora dois países – Israel e Inglaterra -, que os julgamentos comuns atribuíam como sólidos politicamente e poços de democracia para dar e vender…

Curiosamente, tal como havia um traço comum entre os países do Norte de África e Médio Oriente em volta da miséria generalizada entre os povos, também existe um traço comum entre Israel e a Inglaterra, como obreiros de guerras de usurpação dos direitos de outros povos e assentes em interesses expansionistas de apropriação.

As revoltas de África têm a opressão como pano de fundo e estão largadas ao abandono porque dali não há nada para tirar, a de Israel querem fazer supor que se confinam ao aumento generalizado dos bens de consumo como se não houvesse contradições sobre as relações com o povo palestiniano e, em Inglaterra, em contraponto com o rancor, com a vergonha oficial e as ameaças aos “criminosos”, surgem a marginilização, a humilhação e o desemprego entre as camadas pobres de emigrantes, empurrados para os guetos suburbanos das cidades inglesas.

Os relatos de alguma imprensa internacional, incluindo a portuguesa, saem à rua para ajuizar em linha com o Governo inglês, evidenciando o carácter criminoso da violência gratuita dirigida por “gangs”, não havendo lugar para o descontentamento e o desespero em que milhares de famílias são obrigadas a viver em absoluta falta de condições mínimas.

A pátria das diferenças ficou chocada com a expressão da revolta no seu território, uma espécie de ofensa tipo assalto às Torres Gémeas, quando o seu passado histórico e recente está recheado de outros assaltos e mentiras para abocanharem as riquezas de países praticamente indefesos e apenas porque lhes são necessárias para a hegemonia imperialista.

Em linha com o resto dos parceiros europeus, os emigrantes e outras camadas baixas da população, quando o sistema capitalista entra em colapso e não investe na reprodução de riqueza, são empurradas para a inutilidade e o empobrecimento como se fossem responsáveis pelas situações geradas.

Perante a actual crise que rebentou na Inglaterra e em nada é diferente de outros ambientes nos países da Comunidade Europeia, onde os factores de grave crise do sistema são igualmente evidentes, o Governo inglês fugiu às suas responsabilidades e exibe o lado mais cruel da xenofobia, ao procurar confundir meia dúzia de arruaceiros com os milhares de manifestantes descontentes com a falta de oportunidades e de participarem na vida do país que os acolheu.

A Inglaterra e de igual modo Israel, dois países cujos Governos surpreendem por terem conseguido esconder as dificuldades financeiras que atravessam por ordem das aventuras de guerra, empurram para as costas dos povos as suas incapacidades nas respostas às dificuldades globais das suas economias.

As revoltas provocam as más políticas que dominam a Europa e o mundo, mas representam uma larga esperança nas transformações sociais porque trazem as populações para a rua, em busca de outras soluções.

O mundo está em mudança e as populações têm a sua palavra…


Luis Alexandre

Segunda-feira, Agosto 08, 2011

urinol público



A não perder este vídeo sobre a absoluta ausência de policiamento nas noites da Baixa do Porto (é que nem sequer o estacionamento selvagem é punido):


Quandos os homens se viram para a parede para mijar!

é no Porto e de noite. Em Faro a falta de urinois é de dia e de noite é sempre para a parede!
ou nos cafés!

Este vídeo é bem demonstrativo dos hábitos adquiridos... este sítio é um urinol a céu aberto... serve até de ponto de encontro!!! Aqui em Faro temos ruas que cheiram muito mal e que servem os mesmos propósitos!!! Na cidade velha é uma lástima, cheira toda muito mal, está a espera de uma intervenção urgente do grupo cívico, Faro no Coração.Para quando vassouras, água e lixívia??? Paulo Santos





London on fire!



"A Europa vai-se desmoronar"  a opiniãode João Duque,aqui


As Ilhas da Ria Formosa (in Público)

Uma fotogaleria de Enric-Vives Rubio, aqui

Ria Fest 2011

Macário Correia: "Há autarquias a pagar ordenados com as receitas da água"



















Macário Correia devolveu, em 2009, a presidência da maior câmara algarvia ao PSD e diz que é a pior altura de sempre para se ser autarca. Critica colegas que cometeram graves erros de gestão e lamenta que o Governo não explique por que pede tantos sacrifícios aos portugueses sem começar por dar o exemplo. Diz não ser um vira-casacas e garante que desvirtuaram as suas palavras quando comentou a introdução de portagens na Via do Infante.


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Sexta-feira, Agosto 05, 2011

Juca & Zeca

Limpeza em Faro.



REMOÇÃO DE 300 CARROS ABANDONADOS

As ruas de Faro já começaram a ficar mais limpas, pois a empresa contratada para a remoção dos veículos abandonados em todo o Concelho já começou a limpar a cidade desde final de Maio.

O Cais Comercial já ganhou uma nova imagem. Iniciou-se ai a limpeza dos, onde já foram removidos 170 veículos. Durante esta e a próxima semana serão removidos da via pública cerca de 20 veículos que se encontram nas mais variadas zonas da cidade. Estão também a decorrer cerca de 115 processos administrativos, para brevemente serem removidos esses veículos abandonados.

Apelamos a todos os cidadãos que nos continuem a informar da localização de veículos que estejam abandonados, pois todos queremos uma cidade mais limpa e organizada.

Para a Câmara Municipal este serviço reveste-se da maior importância para uma correcta e dignificante política ambiental para cidade de Faro.

será que podem remover/sustituir os vasos das laranjeira que se encontram na baixa ( que são regados e tratados por privados) pois a maior parte deles estão podres...  

Trinta dias bastaram… falta o rating de rua…

Ao fim de mais um plano bem urdido que voltou a tramar a vida de uma Nação, um simples acto eleitoral chegou para trazer a vaidade, a exuberância e os princípios dos velhos sectores que sempre montaram as suas fortunas sobre os farrapos e a infinita e espúria credulidade indígenas.


Dando cumprimento aos planos da “troika”e validado por menos de um terço do povo português, o Governo PSD/CDS agora com o P”S” no papel de muleta, cada vez que fala mata uma promessa eleitoral e aplica mais uma medida desses planos minuciosos.

A direita no poder, depois da fartança financeira que a governação do dito partido socialista proporcionou aos seus diversos tentáculos na economia e finanças, com lucros bancários e ganhos bolsistas fabulosos, dinamização dos mercados imobiliário e automóvel de luxo, uso do ensino universitário privado para negócios sujos, aumento dos lucros sobre a fragilidade do trabalho com redução de salários e regalias sociais e as enormes dívidas empresariais (Fisco, Segurança Social e Banca) à sombra de uma Justiça modelada pela participação no banquete, cumpre o seu papel de “pôr as contas do Estado em ordem”, sem rebuços sobre os velhos métodos do roubo sobre a população.

Bastaram trinta dias para as mentiras eleitorais se mostrarem punhaladas e as medidas em nada diferirem dos antecessores. Não se chamam PEC (que foram mantidos) e chamam-se memorando da “troika”, cujos prazos o Governo PSD/CDS não se cansa de apregoar estar a cumprir.

Sem programa próprio como a campanha eleitoral assinalava, o decretado roubo de metade do 13º mês que se repetirá quando entenderem, os aumentos dos transportes públicos que serão tantos quanto o apetite dos privados interessados no sector, o fim dos tectos na electricidade, a carestia do gás, a cartelização nos combustíveis, a paulatina entrega da Saúde aos privados e a ascendente “moderação” das taxas, professores para a rua e turmas de 40 alunos… e porque não a introdução de propinas nos 10º, 11º e 12º, os despedimentos saudáveis nas empresas, o desespero e a escalada para mais de um milhão de desempregados, a maioria jovens, a injecção de capitais públicos na Banca, as privatizações que oferecem os nossos activos em saldo, as sub-reptícias subidas do IRS e o inevitável aumento de alguma ou de todas as taxas do IVA, são o que o Governo tem ordem para oferecer ao país.

Corremos com o Governo P”S” por ter endividado o país em favor do grande capital nacional e internacional e os seus novos representantes no poder apressam-se a levar mais fundo as reformas que se viram todas contra os trabalhadores e reformados e as pequenas e médias empresas.

Depois das garantias de salvaguarda dos investidores bolsistas, o novo Governo desdobrou-se em duas frentes, na externa com o caixeiro-viajante Paulo Portas a pedir atenção para os saldos em Portugal nas empresas a privatizar e, na interna, preparando os dossier agilização da Justiça sobre a ralé que falhe e o dos despedimentos e redução das indemnizações, para se dar garantias ao capital estrangeiro que podem voltar.

O mercado abriu com o fim das Golden-share e acabar a obra de saque BPN laranja, que Cavaco apadrinhou e a coligação PSD/CDS faz questão de ofertar em bandeja a novos correlegionários associados à cleptocracia angolana (BIC), que nos dão 40 milhões depois da injecção de 2500. A outra Banca descapitalizada assistiu, apesar de uma parte das tranches do BCE lhe terem sido entregues e já definiu o prato que se segue: que o Estado lhes pague o que deve! E calculem de onde sairão mais estes milhares de milhões…

Com o requiem contra o povo em aquecimento, a suposta esquerda volta a carpir o chumbo da papelada parlamentar, vendendo a ilusão de que estão a lutar…

As centrais sindicais, dominadoras dos planos da “troika”, balbuceiam imperceptíveis protestos, quando por muito menos se organizou uma greve -geral de grande sucesso contra as políticas do P”S”, na altura apoiadas pelo PSD.

Enquanto o capitalismo quase rebenta de ovado e nos chama de lixo… o povo português só tem o caminho do rating… de rua, para se defender das políticas e daqueles políticos verdadeiro lixo…


Luis Alexandre

Quinta-feira, Agosto 04, 2011

carros mal estacionados! remédio santo! (mais uma ideia)




Ideia da semana: Carros esmagados por tanque em Vilnius

Os Ferraris os Porsches e outras carripanas do género são uma praga no centro da capital da Lituânia pois os seus donos julgam-se acima da lei. O mayor Zuokas decidiu enviar-lhes uma mensagem à boa maneira de ex-república soviética... Quando lei não se impõe no pavimento o tanque entra a esmagar.

Apresentação.

Recordações de um tempo antigo - O AVENTAL DA “RAXENOLA”



Por Eduardo Brazão Gonçalves



A persistência das palavras ou das expressões na comunicação entre as pessoas tem sempre grande relação com a utilidade e a funcionalidade delas. Há palavras de moda tal como há expressões de moda e aquelas que permanecem para além dos prazos de validade sazonal das modas é decerto porque a sua funcionalidade assim o impõe. As outras “vão à vida”, como se diz daquilo que deixa de ter maior utilidade. Depois, além da funcionalidade e da utilidade, há também a eloquência de cada uma, o que também é funcionalidade. É mais eloquente a palavra ou a expressão que explicita mais e, de preferência, se o seu conteúdo transmite alguma graça.

E assim, há palavras e expressões que, por virtude da sua utilidade, da sua funcionalidade, da sua eloquência e, em muitos casos, também por motivo da sua graça, nunca deixaram de ser usadas, enquanto que outras se vão perdendo na poeira do esquecimento. Estas últimas tomam normalmente o nome de arcaísmos. Usaram-se mas passaram a ser dispensáveis. Deram lugar a outras mais interessantes ou, simplesmente, eram mesmo dispensáveis para o melhor entendimento entre as pessoas.

Esta circunstância pode verificar-se tanto a nível da língua global de um país, como pode dar-se em meio mais restrito, tanto regional, como local e até, muitas vezes, familiar. Deste modo e sobretudo a nível popular que é onde é mais notória a verificação desta regra, há expressões conhecidas e utilizadas pela grande maioria dos cidadãos enquanto que outras se reservam a ambientes mais limitados. Estarão no primeiro caso expressões conhecidas de toda a gente, como «moita carrasco», «dar barraca», «resvés Campo de Ourique», «rosas de Malherbe», «ferrar o galho», «a frase de Cambronne», «légua da Póvoa» e também «os respectivos do Padre “Inaiço”». No fundo são referências que servem sobretudo para comparações em qualquer conversa.

Estão no segundo caso, isto é, são usadas em meios mais restritos, e só aí têm significado, outras expressões, como aquela que aqui nos traz.

Na minha terra, meio pequeno, também se verificavam algumas expressões eloquentes no falar local. Assim, quando se falava no «burro do Felício» toda a gente sabia o que se queria mencionar, tal como quando se referia «o avental da Raxenola». Como o título deste escrito indica, é aqui que queríamos chegar.

Vamos então ao avental em sentido lato. Depois, ao particularíssimo avental da Raxenola.

Dizem, mais ou menos, os dicionários que avental é um pedaço de pano que se põe por diante para evitar que se suje o vestuário.

Também mais ou menos, dizem isso os dicionários estrangeiros. A utilidade é, portanto, a mesma Os espanhóis chamam-lhe delantal. Os alemães, Schürze. Em italiano, como não podia deixar de ser, tem um nome bem sonante, é grembiule (o m é para ler e os dois ee são bem abertos). Nos franceses é que poderá estar um pouco mais complicado, porque eles chamam ao avental o mesmo que chamam ao tablier do automóvel, mas não deve haver confusão porque ninguém iria pôr um automóvel à cintura. Até em Inglaterra, onde gostam de ter hábitos diferentes, o mesmo pedaço de tecido tem idêntico uso e chama-se apron.

Pretende-se com isto provar apenas que o avental é utensílio universal. Mas o da Raxenola é especial, como se verá.

A Raxenola era uma mulher da classe menos abastada da minha terra e era muito popular, não só porque vivia muito junto á povoação, mas também porque o seu feitio dava muito nas vistas. O nome de família (ou alcunha?) era obviamente Rouxinol, que no falar rural do Algarve resulta naquilo que aqui se grafa. Em português e em grande parte das outras línguas, os nomes de família têm geralmente origem no nome do pai e é por isso que se chamam patronímicos e não matronímicos. À moda antiga, quando o utente é mulher, esses nomes passavam ao feminino. Portanto, de acordo com as regras tradicionais, foi o que aconteceu também neste caso. E ela era Raxenola e não Raxenol. Dada esta explicação de natureza onomástica, é então tempo de entrar na especialidade, o avental da Raxenola, que é o que nos trouxe a esta conversa.

A Raxenola, além de muito popular, como ficou dito, era também muito prolífera. Tinha muitos “moços”, como se dizia. Muitos filhos, muito trabalho. E sendo assim, as emergências sucediam-se como as ondas do mar, umas a seguir às outras. Logo, há que ser despachada. Nestas circunstâncias de exiguidade de tempo, de mãos e de materiais adequados, havia um utensílio que sempre a acompanhava. Era o avental. O avental da Raxenola, além de utensílio, era de facto uma peça de vestuário como qualquer outra. E até mais que qualquer outra porque nunca se largavam. Não podiam viver um sem a outra, nem a outra sem um. Eram ambos, ele avental e ela Raxenola, companhias inseparáveis. E não seria também pura e simplesmente uma peça de vestuário e utensílio, ele era mesmo o que se pode chamar uma autêntica ferramenta como todas as outras e até mais que todas as outras. Por exemplo, quando era enrolado à volta de qualquer tampa de frasco difícil de abrir, era utensílio ou era ferramenta? Pergunto eu. E a propósito, também dá para perguntar se um avental é vestuário ou é utensílio. No caso em apreço, não era de maneira nenhuma apenas aquele utensílio que se põe à frente para evitar os salpicos ou outras sujidades. Isso é o que faz a maioria das pessoas. Não, o avental da Raxenola era o que modernamente se chama um multi-usos. É óbvio que, além de vestuário (ornamental, claro), também servia para quebrar veleidades aos salpicos, borrifos, pingos e quejandos, e sobretudo, e aqui é que reside a sua fama, para todos os outros fins que qualquer peça feita de pano pode servir, sobretudo quando se tem muitos “moços” ainda pequenos. Servia, pois, para limpar a cara dos “moços” depois das abluções da ordem. A cara e o corpo que, embora um tanto à pressa, também era lavado. Mas as crianças também têm nariz, e esse dois buraquinhos têm as suas necessidades, necessidades extensivas a outros orifícios, como os das orelhas e de outras zonas corporais. Daí que o rabo do moços, não sendo somenos, tem iguais direitos. Como entre familiares não fica bem ter nojo, lá ia o avental também ao nariz da Raxenola e também à boca, porque não?, depois de uma boa talhada de melancia, e para secar as mãos depois de qualquer ligeira lavagem.

Isto, apenas no que diz respeito à “higiene” corporal, porque na cozinha e na limpeza do pó a utilidade do avental da Raxenola não desmerecia elogios. Servia de pega para as coisas quentes, dava para abanar o lume e, nesta ordem de aproveitamento eólico, também servia para enxotar as moscas que naquele tempo eram bem mais abundantes. Para secar uma loiçazinha de menor dimensão, uma tijela, uma tampa de tacho, um púcaro, ali estava ele sempre disponível. Tecido pouco espesso, secava depressa.

Quando ia apanhar um pouco de erva para os coelhos, não era necessária qualquer vazilha especial, lá estava o prestável avental sempre à mão de semear. Uma manchinha de favas do minúsculo regréssimo atrás da casa também era transportado no generoso utensílo. Miudezas de qualquer natureza, tudo ali era transportado.

Bem! E numa zaragata, um avental muito bem torcidinho na mão não deve deixar de dar um certo jeito, imagino eu mas suponho que a Raxenola não entraria em desacatos desses.

Claro que com tanto uso, o desgaste também teria de ser tanto. Daí tantos remendos, o que levava a que, por fim, do tecido de origem já pouco se conservasse.

Faltará apenas mencionar um uso, se não tão importante como os anteriormente referidos, pelo menos tão característico do uso de qualquer avental que se preze e que serve para terminar o paleio de hoje.

Como é prática habitual nestes meios mais pequenos, a Raxenola, quando ia em busca de informação à casa das vizinhas, levava sempre as mãos enroladas no seu avental. O mesmo acontecia quando o intercâmbio informativo se processava logo ali à sua própria porta. Durante aqueles gostosos minutos de lambaré, as mãos aí se conservavam. É posição curial em tais circunstâncias. É um aconchego como outro qualquer. Como outro qualquer mas não como em qualquer parte. Não estou a imaginar duas vizinhas italianas a tramelejarem com as mãos paralisadas no avental.

O avental da Raxenola, para além de todas as utilidades mencionadas, serviu ainda, e isso o divulgou e o tornou popular, para cada pessoa, ao fazer uso menos apropriado de qualquer objecto, se desculpar, com um sorriso, comparando esse uso indevido com as utilidades do avental da Raxenola. Era frequente ouvir: «É como o avental da Raxenola». Ainda não há muitos anos que lá ouvi aplicar a frase com toda a propriedade. Faz, portanto, parte do léxico da minha terra. É expressão do português regional. Micro-regional, se poderia dizer.