Terça-feira, Janeiro 24, 2012

Livrarias em crise. O nosso património cultural em perigo!



A Livraria Portugal, a funcionar há sete décadas na Rua do Carmo, no Chiado, em Lisboa, vai encerrar devido à quebra nas vendas, revelou um dos sócios, António Machado. A histórica livraria, que faria 71 anos em Maio, chegou a ter 50 funcionários, restando hoje cerca de uma dezena.

A livraria é propriedade da Dias & Andrade Lda, que deverá ceder o espaço a outro negócio dentro de dois meses. António Machado, que trabalha na Livraria Portugal há 40 anos, afirmou que a situação começou a tornar-se "insustentável com as grandes alterações no mercado livreiro, a quebra das vendas e a insuficiência de meios para pagar as despesas".

"Os livros vendem-se hoje em todo o lado: nas grandes superfícies, na Internet, nos correios, a preços e com condições que não podemos acompanhar", referiu o livreiro, citado pela Lusa. Dado o agravamento da situação económica, e após os maus resultados nas vendas durante o período do Natal, os sócios decidiram há poucos dias, em reunião da assembleia geral, ceder o espaço a outra empresa.
A Livraria Portugal é uma livraria generalista, que vende desde romances e livros técnicos a dicionários. Com dois pisos no centro histórico de Lisboa, o espaço foi frequentado por escritores portugueses de renome como Fernando Namora, Aquilino Ribeiro e Jaime Cortesão

in Público


Conheço bem a livraria, comprei lá muitos livros, mas há a dizer que não soube acompanhar os tempos. Fica situada numa zona inglória (Chiado com um fnac e uma bertrand como concorrência), mas a falta de um sistema informático e o pendor quase alfarrabista (e que, por isso, apela a um público limitado) que assumiu nos últimos anos pesam muito neste encerramento anunciado.

E, para contextualizar esta notícias, temos obrigatoriamente de pensar em Faro e naquelas que considero as três principais livrarias:

Livraria Europa-América: é complicado conseguir manter-se aberta, só mesmo por estar ligada a um grande grupo editorial.

Alfarrabista Simões: soube criar o seu mercado (é o primeiro lugar onde procuro livros) e conjugar o livro literário (ficção, romance, etc.) de qualidade com o livro técnico.

Pátio das Letras: uma livraria recente, bem organizada, modernizada, inteligente (o acordo com o grupo Leya é prova disso) que, penso, conseguirá prevalecer.

Bem-haja a todos,
Wilhelm Reich

O encerramento da Livraria Portugal tem a ver com Faro e o Algarve.
É que esta Livraria, durante anos a fio, editou um Boletim no qual esvrevia o Dr. José Pedro Machado
.
O Dr. José Pedro Machado, falecido no Verão de 2005, era natural de Faro e foi nada mais nada menos do que uma das mais importantes figuras da vida cultural portuguesa do século XX. Autor do monumental Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, arabista, erudito insigne, o Dr. José Pedro Machado foi um farense e algarvio a quem Faro e o Algarve ainda não prestaram a devida homenagem - e, desgraçadamente, até desconhecem (atenção: o Dr. José Pedro Machado não foi apenas "mais um": foi dos maiores, autor de uma obra imensa, e o Dicionário Etimológico é obra única). Quem, nestes últimos dias, ainda passar na Livraria Portugal, se pedir receberá como oferta o último volume da compilação dos artigos que todos os meses o Dr. José Pedro Machado escrevia para o Boletim da Livraria. Segundo me contou um dos empregados na passada semana, até morrer o Dr. José Pedro Machado todas as manhãs, pontualmente, passava na Livraria Portugal. E muitos dos artigos que escrevia eram dedicados a Faro e ao Algarve.

António Rosa Mendes

17 comentários:

Anónimo disse...

E os intelectuais cá do blogue ainda querem uma FNAC em Faro ?

Anónimo disse...

Na verdade muito chato, e é pena cada vez mais ouvimos falar de estabelecimentos a encerrar, mas....neste caso o que tem haver com Faro ou Algarve???!!!!Cada vez mais, menos assuntos relacionados com Faro, a nao ser coisa muito importantes como as proteccoes nas bombas da BP....

Anónimo disse...

Mais uma entre centenas, milhares que vão desaparecer; poucas vão sobreviver às leis do mercado, à tecnologia, aos novos hábitos.Mudam-se os tempos...

Anónimo disse...

Conheço bem a livraria, comprei lá muitos livros, mas há a dizer que não soube acompanhar os tempos. Fica situada numa zona inglória (Chiado com um fnac e uma bertrand como concorrência), mas a falta de um sistema informático e o pendor quase alfarrabista (e que, por isso, apela a um público limitado) que assumiu nos últimos anos pesam muito neste encerramento anunciado.

E, para contextualizar esta notícias, temos obrigatoriamente de pensar em Faro e naquelas que considero as três principais livrarias:

Livraria Europa-América: é complicado conseguir manter-se aberta, só mesmo por estar ligada a um grande grupo editorial.

Alfarrabista Simões: soube criar o seu mercado (é o primeiro lugar onde procuro livros) e conjugar o livro literário (ficção, romance, etc.) de qualidade com o livro técnico.

Pátio das Letras: uma livraria recente, bem organizada, modernizada, inteligente (o acordo com o grupo Leya é prova disso) que, penso, conseguirá prevalecer.

Bem-haja a todos,
Wilhelm Reich

Anónimo disse...

Incomodar quem não dá descanso ao pensamento no muito trabalho, muito trabalho em resolver os problemas do concelho de Faro, do Algarve e de Portugal, 12:41?

Anónimo disse...

pois... concordo, este blog já defendeu mais Faro... mas encontrei um blog novo e mais interessante o Faroactivo (faroactivo.blogspot.com), dêem uma espreitadela

António Rosa Mendes disse...

O encerramento da Livraria Portugal tem a ver com Faro e o Algarve.
É que esta Livraria, durante anos a fio, editou um Boletim no qual esvrevia o Dr. José Pedro Machado.
O Dr. José Pedro Machado, falecido no Verão de 2005, era natural de Faro e foi nada mais nada menos do que uma das mais importantes figuras da vida cultural portuguesa do século XX. Autor do monumental Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, arabista, erudito insigne, o Dr. José Pedro Machado foi um farense e algarvio a quem Faro e o Algarve ainda não prestaram a devida homenagem - e, desgraçadamente, até desconhecem (atenção: o Dr. José Pedro Machado não foi apenas "mais um": foi dos maiores, autor de uma obra imensa, e o Dicionário Etimológico é obra única). Quem, nestes últimos dias, ainda passar na Livraria Portugal, se pedir receberá como oferta o último volume da compilação dos artigos que todos os meses o Dr. José Pedro Machado escrevia para o Boletim da Livraria. Segundo me contou um dos empregados na passada semana, até morrer o Dr. José Pedro Machado todas as manhãs, pontualmente, passava na Livraria Portugal. E muitos dos artigos que escrevia eram dedicados a Faro e ao Algarve.

Anónimo disse...

Boa, as grandes livrarias dos capitalistas a dar o berro.
Agora pode ser que os pequenos alfarrabistas tenham o espaço que merecem.

Anónimo disse...

Eu quero ver noticias, acontecimentos, realidades de Faro, ou nao é esse o nome deste blog? Ultimamente é só politiquismos que todos dias somos inundados na tv, nos jornais, resumindo em todas as formas de (des)informação. Postem eventos, noticias,coisas reais em Faro!!!!

Eusebio de Antioquia disse...

Ao Anónimo ignorante das 4:54 PM, Janeiro 24, 2012.
O Sr. por certo nunca entrou numa livraria. Fazer uma afirmação dessas é reveladora de suma ignorância. Certamente também nunca leu um livro...
Sabe que a Livraria Portugal chegou a ter 50 empregados? Ou seja, os patrões capitalistas da Livraria sustentavam, pelo menos, 50 famílias...

Ireneu de Faro disse...

A obra do eminente filólogo farense Sr. DR. JOSÉ PEDRO MACHADO é tanto mais meritória quanto é certo que - ao contrário de muitos, sem obra mínima - nunca recebeu qualquer subvenção ou ajuda estatal no seu trabalho de pesquisa. Tudo lhe saiu do bolso e do esforço próprio.
É uma tristeza que em Portugal a sua obra nem sequer seja, ao que parece, suficientemente conhecida dos especialistas na matéria. Ao contrário do Brasil, onde é colocado na primeira linha dos maiores filólogos da Língua Portuguesa.
Graças à LIVRARIA PORTUGAL, tive a felicidade de chegar à fala com esse grande Homem, que, como todos os espíritos excelsos, era personalidade afável e naturalmente humilde.

Liliana disse...

"W. Reich", agradeço as palavras simpáticas para o Pátio de Letras, mas no elenco das principais livrarias de Faro não se esqueceu da Betrand, com uma loja na Baixa e outra no Forum? Não aprecio especialmente o estilo e os destaques, mas lá que é uma das principais, é :)

Quanto à FNAC em Faro: http://www.observatoriodoalgarve.com/cna/noticias_ver.asp?site_lang=pt&noticia=48522

Anónimo disse...

Ao canzil das 11:08
não fizeram mais do que a sua obrigação, e provavelmente tinham 50 a fazer o trabalho de 80. Chupa!

Anónimo disse...

O mais importante é crescerem os livros vendidos logo a leitura e os leitores. O resto é irrelevante.

Anónimo disse...

Realmente é triste e infelizmente o negócio está mau em vários sectores.

Quanto ao "Pátio" e à Europa-América, espero que durem bons anos e de boa saúde, pela simples razão de serem locais que eu gosto de visitar e que não ficam nada mal na cidade de Faro.

Somos um país com cultura e isso é importante.

Fábio

Eusebio de Antioquia disse...

Anónimo das 5:06 PM, Janeiro 25, 2012,
não mereceria resposta, mas sempre lhe digo que o seu comentário é perfeitamente rasca, revelador de pessoa sumamente ignorante. Pelo que mostra, conclui-se que não sabe o que é uma Livraria -porventura, nunca terá entrado em nenhuma, a não ser, talvez, por engano, à procura de jornais ou tabaco...
Por outro lado, parece-me que o sr. é um ressabiado de qualquer coisa...
Um conselho: não devemos emitir opinião sobre o que ignoramos.
P.S. Já agora, sabe o que significa a palavra "canzil"? Suponho que não sabe. Será que tem um dicionário para consultar?

Anónimo disse...

5:16PM Mas ainda dá resposta a primatas em evolução?