Sexta-feira, Janeiro 27, 2012

O "socrazymo" - porreiro pá!

«Conheci José Sócrates em 1995, quando ambos integramos o governo liderado por António Guterres, ele como secretário de Estado do Ambiente, pasta então entregue a Elisa Ferreira. Mantive sempre com ele relações de regular e frontal atrito, a começar numa lista de nomeações que ele queria que eu, como ministro da Cultura, fizesse em Castelo Branco, e a acabar, como se sabe, com a minha recusa em aceitar que Portugal apoiasse para a liderança da UNESCO um facínora com largo cadastro que lhe tinha sido sugerido pelo seu "amigo", o então ditador egípcio Hosni Mubarak, que ameaçava queimar todos os livros da cultura judaica ... Pelo caminho, as fricções foram muitas e quase sempre do mesmo tipo. Devo dizer que nunca vi em José Sócrates convicções socialistas - no sentido europeu de "social-democrata" - mas antes uma atração pela paródia em que infelizmente o socialismo tantas vezes se tem tornado, deslumbrado com o capitalismo financeiro, as novas tecnologias e os malabarismos da comunicação. Vivendo sempre perto do mundo dos negócios e dos futebóis, e desprezando acintosamente o conhecimento, a cultura ou a educação, com o mais perigoso dos desdéns, que é o que se alimenta do ressentimento e da inveja.(...) Em 2004, quando José Sócrates disputou com Manuel Alegre e João Soares a liderança do PS, escrevi o que pensava e avisei: "Tudo pode acontecer, mas seria grave que o PS pudesse ser conduzido por alguém que anda por aí com um currículo em parte surripiado, em parte escondido." (Público, 07.09.2004) Os socialistas decidiram o que entenderam e os portugueses escolheram o que pensaram ser melhor. Opções que, naturalmente, respeitei, com esperança que a responsabilidade do poder viesse a ter algum efeito benéfico. Foi uma esperança vã. A história fala por si, e dispensa comentários: o desnorte com o caso da licenciatura em 2007, a total incompreensão da crise em 2008, a aguda mitomania de 2009 e 2010, a bancarrota em 2011. Pelo meio, um tratado de Lisboa inútil, que só veio reforçar o poder alemão, e um reformismo esfarelado que raramente passou dos anúncios. Na grande história do Partido Socialista, o "socrazysmo" foi um período atípico, que deixou um longo rasto de oportunidades perdidas, de casos estranhos, de histórias mal contadas e de encenações inúteis. Em seis anos de governação nem tudo foi mau, e seria injusto esquecê-lo. Mas sejamos claros: foram anos sem alma, numa constante deriva de valores e de convicções. Não tirar daqui nenhuma lição seria, no mínimo, estúpido.»

Manuel Maria Carrilho, DN

13 comentários:

Anónimo disse...

Na nossa longa história quantas vezes foram tiradas lições do mal cometido? Passa uma geração, quantas vezes nem isso,e já estamos a cometer os mesmos erros. Desde há cinco séculos, com rarissimas excepções, temos cometido o erro de olhar para o imediato, nunca para um futuro sustentado.
Nossa Senhora algum dia vai saturar de tanta burrice.

Anónimo disse...

Pois é, seria realmente estúpido, mas não surpreendente. Desde o 25 de abril que Portugal vem a eleger sucessivamente a mesma canalha contribuindo para esta dança de cadeiras. O ultimo caso foi o do excelentissimo Presidente da República, sim senhor uma escolha natural para o lugar já que nos seus anos enquanto Primeiro Ministro fez um trabalho magnifico ao serviço do país, portanto seria estupido não o eleger.
Assim como seria estupido não confiar nas promessas de Paços Coelho, "aumento do IVA? isso é um disparate", "chumbamos o PEC porque não admitimos mais sacrificios ao povo Português".
Portanto não é bem como diz o Carrilho, seria mais acertado afirmar "seria estupido mas não seria surpreendente".

Anónimo disse...

Isto dito pelo burguês do Carrilho, não há dúvida que tem muita piada.
O que é que este Sr. já fez pelo PS ou por Portugal?
Criticar agora é fácil, quando o homem já não se pode defender.
Faz lembrar aqueles jogadores de futebol que falam mal do treinador após este ser despedido.
Sr. Carrilho amalhe-se com a sua esposa Bárbara Guimarães, ganhe uns tostões com conferências para que lhe convidam e deixe a gente em paz.

Anónimo disse...

O mesmo de outra maneira: "seria estupido, muitissimo estupido mas nada, mesmo nada, surpreendente".

Anónimo disse...

Quem fala assim não é gago.

Mas, a frontalidade em Portugal é associada à arrogância.

Infelizmente os portugueses preferem os populistas e demagogogos por isso são constantemente enganados.

Além disso o somos um país de invejosos.

Por estes motivos o Carrilho nunca será 1º Ministro.

De qualquer modo, foi considerado um grande ministro pelos agentes culturais, até pelo Saramago. Talves u dos melhores.

Anónimo disse...

Pois eu recordo jose socrates no dia das eleições a dizer que queria começar a governar o país o mais rapido possivel.Tambem recordo a agonia dos portugueses no dia seguinte por jose socrates ainda não estar a governar ,e,santana lopes continuar.O povo estava sedento de miseria,tinham sido anos de abundancia e prosperidade que alguem tinha que pôr um fim.Foi rapido,em 6 anos derreteram tudo o que havia no país e biliões de euros que nem existiam e que agora estamos a pagar.Olhando para trás e olhando a alguns comentarios de pessoas de esquerda vê-se perfeitamente que o povo gosta de viver na miseria,quando está a viver um pouco melhor surje sempre alguem que pôe um fim rapido a essa fase.Desta e das outras vezes esse alguem chama-se PS com o apoio do PCP e BE.

Anónimo disse...

Ao anónimo das 3:56: «quando o homem já não se pode defender»? Então porquê? perdeu a fala. Que se saiba ainda está por ai, calado é certo, mas, vivo. Ao Carrilho nunca lhe faltou a coragem para dizer o que pensa mesmo quando isso lhe lhe prejudicava politicamente, e lhe custou um cargo apetecivel como o de embaixador na UNESCO. Outro no seu lugar tinha arrumado os seus ideais no armário e se agarrado ao tacho. Aliás, Carrilho é dos poucos politicos em Portugal que se tem primado pela seriedade, pela elevação de ideias. A mesma que demonstrou quando o trauliteiro do Carmona Rodrigues depois de passar um dabate televisivo inteiro a enxovalhar a pessoa do seu oponente, no final, como se nada fosse veio com a maior cara de pau cumprimentar o seu oponente. Carrilho, virou-lhe as costas (quem não se ofende não é filho de boa gente, já diz o ditado). Foi criticado, injustamente. Durante o reinado de Socrates Carrilho, foi o único critico socialista, a par de Manuel Alegre, de Socrates, a dar a cara. Nem a actual linha directiva teve coragem de dizer o que quer que fosse. Isso valeu-lhe o isolamento dentro PS, porque ninguém queria perder o tacho e porque a independencia de Carrilho era incomodativa, até porque era a única com algum sentido e pertinencia.

Anónimo disse...

3:56: Que se saiba, reconhecido pela maioria dos artistas, Carrilho, foi considerado o melhor ministro da Cultura do Pós 25 de Abril. Até o exigente José Saramago o considerou como o único politico credivel e com valor.

Alías, no panorama actual de marasmo, conformismo e depressão nacional, quer à esquerda, quer à direita, Carrilho é aquele que apresenta mais ideias positivas e projectos, para o país sair da crise em que se encontra.

Anónimo disse...

1º Ministro talvez não, mas candidato a PR?

Anónimo disse...

Este ex-ministro socialista é mais um oportunista igual a tantos outros!Não tem o mínimo de pudor vir para aqui vangloriar-se por coisas que o mais comum dos portugueses, minimamente interessado pela actualidade politica sabe e, vejam lá,tem até a desfaçatez e a pouca vergonha de se alcandorar ao lugar de juíz e sentenciador de um "camarada" com quem ele andou de braço dado anos a fio!Para além de arrogante é um sacrossanto burro-inteligente...aliás, essa é a grande imagem de marca que todos os politicos contemporâneos( e falo só dos politicos portugueses!)nos têm deixado há mais de três decadas:demagogo e hábil "artista" na tentativa de enganar as clientelas ingénuas! Saramago falou bem dele?Olhem,essa passou-me ao lado e desconheço,contudo, mesmo que fosse verdade não me inibe de lhe dizer que portugueses como eu, e da minha geração, bem se lembram das diatribes egocêntricas deste jovem burguês-socialista(?) e é graças a ele, e outros que o antecederam que o país está como é do conhecimento de todos!...Acho a sua prosa - em estilo de relatório ou confissão-,inoportuna e, mais uma vez, define o autor de tacanho e maldicente cobarde,porque ao fazê-lo agora perdeu credibilidade e oportunidade.O timing certo deveria ter sido no decorrer do governo do seu "camarada", e aí dar-lhe-ia o meu aplauso pela sua ousadia e coragem que nunca teve.Palavras leva-as o vento, e os infortunados portugueses,mesmo os mais jovens,saberão dar a resposta adequada a este,como se diz em bom algarvio,aldrabão politiqueiro!
Milicias do Sul

Anónimo disse...

Coitado do Carrilho...nada capaz de fazer coisa k se veja e ainda vem criticar...tristeza...

Anónimo disse...

É do Carrilho!
JjS

Anónimo disse...

Enquanto estrutura partidária , a Secção Concelhia do PSD de Vila Real de Santo António nunca foi tão insignificante dentro do partido , porque saiu a relação com a quantidade de delegados a eleger por cada concelhia ao XXXIV Congresso Nacional do próximo mês de Março e o PSD de V.R.S.A. perdeu a sua representatividade e teve direito apenas a 1 (um) delegado em resultado do número de militantes que ficaram actualmente . É incrivel e muito estranho como sendo poder na autarquia conseguem agora ter menos peso de militantes do que alguma vez tiveram antes , mesmo ao longo das décadas em que a Câmara foi PS ou PCP em que a concelhia elegia sempre mais delegados nos congressos internos , o rapazinho vai liquidar até o próprio partido no concelho .